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terça-feira, 31 de outubro de 2017

Moqueca de caiota e um galinheiro móvel

O dia todo a fazer um galinheiro móvel para as galinhas.
Não está a correr bem.
As galinhas não estão felizes, mas em contrapartida os gatos sim. Ficam fora do galinheiro a fazer pressão psicológica. Pode-se adivinhar porque as galinhas não estão a usufruir da experiência. ;)



A ideia deste galinheiro é ser muito móvel e versátil, para caber em todos os recantos do quintal. Todas as partes são móveis, para não ser uma estrutura fixa. A ideia até funcionou, mas a casa para se abrigarem e, claro, se sentirem inspiradas colocarem um ovo, é que me está a dar cabo da cabeça. Os meus dotes de carpinteira deixam um pouco a desejar e, até agora, as várias tentativas levadas a cabo resultaram em sucessivas frustrações.
Enfim amanhã é um novo dia...
Agora tenho um rato a cantar no estômago ... Está na hora de ir para cozinha e dedicar-me à "Ode das Caiotas".
Temos hoje na ementa moqueca de caiota.
Uma pequena delícia inspirada numa receita de moqueca de tofu da Gabriela Oliveira.

Adoro esta receita porque é rápida e deliciosa. Acompanhada com um arrozinho e uma salada, faz um almoço de reis. Deixo-vos então com mais uma sugestão para as vossas caiotas/chuchus. Deliciem-se.

INGREDIENTES (2 pessoas de muito alimento ; ) esta é a medida cá de casa)

  • 2 caiotas grandes
  • 1 cenoura
  • Tiras de 1/2 pimento 
  • Tomate triturado (1/2 lata 400ml)
  • 1/2 cebola média
  • 2 dentes de alho
  • azeite q.b.
  • 2 c. sopa de limão
  • 1 lata de leite de coco
  • 1 malagueta pequena (opcional)
  • Coentros
  • 1 folha de louro
  • Pimentão-doce ou paprika q,b.
  • Cominhos q.b.
  • Sal q.b.
  • Modo de Preparo
  1. Descasque as caiotas e cenouras  e corte-as aos bocados
  2. Pique a cebola e os alhos
  3. Refogue em azeite até alourar a cebola e o alho
  4. Junte as caiotas e a cenoura, refogue um pouco e adicione o tomate
  5. Coloque os temperos, a folha de louro, o pimento e o sumo de limão mexendo bem
  6. Adicione o leite de coco, a malagueta e os coentros. Deixe apurar um pouco e rectifique o sal.

VARIAÇÃO 

  1. Substitua as caiotas por tofu

DICA

  1. Para descascar as caiotas e não ficar com a goma das mesmas nas mãos, faça-o debaixo de água corrente.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Uma Horta para Ser Feliz

Passou mais um ano. Sobrevivi na Quinta da Vinagreira, teimando em permanecer nesta vida simples de cheiros, sabores e afetos. Para alguns pode parecer pouco, mas discordo. Posso dizer que tenho o meu cantinho de felicidade.
Os meus 41 anos, feitos há uns dias atrás, foram celebrados com belos livros para me inspirarem mais e melhores dias por aqui. Fui acarinhada pelos amigos com bolos e celebrações de surpresa e, os meus queridos pais, ofereceram-me uma prenda linda escolhida por mim - uma máquina de sulfatar. ;)

Agora munida de literatura e maquinaria pesada posso dizer, como no livro: tenho uma horta para ser feliz. De máquina-de-sulfatar às costas pulverizo o meu quintal todo num ápice. E para quem já esteja a imaginar uns herbicidas, pesticidas ou venenos poderosos atrás das costas, enganem-se.  Aqui, só chás, chorumes e guloseimas boas para as minhas plantas, porque elas tal como eu, também querem apenas uma Horta para serem Felizes.


segunda-feira, 12 de maio de 2014

Milagres de hoje na Quinta da Vinagreira


Todos os dias são dias de milagres, por vezes não temos é o coração suficientemente aberto para o reconhecer.

A manhã tem sempre uma certa magia, há um silêncio tranquilo, ainda preso às paredes e uma espécie de antecipação boa das coisas que estarão para acontecer. Os cães esperam ansiosos fora da porta. O Pooh e o Busa correm a miar mal nos ouvem sair do quarto e a Aranhuscas salta pela janela.

Assim começou o dia. Chegada à cozinha, num ritual que se repete copiosamente, pus a cafeteira de esmalte ao lume, de onde, depois, se encheram duas canecas fumegantes de cevada. Acompanhamos esta bebida, dos tempos da minha avó, com uma fatia de pão sem glúten com manteiga.  Um dos pães que estará em cima da mesa no workshop de pão na Quinta da Vinagreira.

Seguimos para as rotinas de sempre. Fomos tratar dos animais: gatos, cães, codornizes, galinhas e cabra. Já mesmo no fim, ao dar o milho às galinhas que estavam em choco, acordei a quinta com um grito:

_ Maliiiiiiiiiiiii, já nasceu um pinto :)


Fomos, desta forma, cheios de alegria para a horta, onde preparamos o terreno para os tomateiros que irão amanhã para a terra. Foi uma manhã de cavadelas que nos deixou de costas derreadas. O que nos valeu é que o almoço de domingo sobrou para hoje. Reciclamos as favas da mãe Judite, em uma açorda de favas. Receita inventada na hora, mas que se revelou uma delícia.

A tarde ainda reservava mais um pinto e, claro, as minhas lufas que em troca blogueira viajaram da quinta Trumbuctu, em terras continentais, até à Quinta da Vinagreira. Essa estranha planta, que produz esponjas, já mostra os seus rebentos. Resta-me o dilema para onde a tresplantar. Sei lá eu que canto do meu quintal é mais propício para crescerem esfregões!.

Terminei a tarde a meditar no quintal. Os gatos foram todos comigo. A Aranhuscas, sentou-se atrás de mim. O Pooh Farrusco, depois de alguma brincadeira, veio até ao meu colo e o Busa, que não está para estes momentos zens, preferiu regressar a casa e ir-se deitar em cima do colinho do doninho. 

Digam lá, não gostariam de ter tido um dia como meu? :)



quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Estrela de Feijão Verde



Clicar na música antes de começar a ler o post

Um dia a minha mãe disse-me:
- Quando fores grande  também vais dizer aos teus filhos para pôrem os gatos na rua.
Isto porque eu contestava que quando ela era pequena tinha os gatos dentro de casa e até lhes limpava os bigodes com o seu guardanapo, para irritação do meu avô.

Enfim, agora sou grande e graças a Deus que os gatos continuam dentro de casa. Talvez porque não tive filhos, ou talvez porque nunca tenha verdadeiramente crescido. Eu sou como era, e sou a minha mãe que limpava os bigodes aos gatos, e não sei mais quantas crianças pelo mundo fora que insistem que os gatos e os cães são para estarem onde bem lhes apetece, dentro ou fora de casa.

Aranhuscas, a gata velhota da casa
Brancolinho

É essa ausência de fronteira definida, entre onde começa o meu território e acaba o deles que hoje, na nostalgia da casa vazia de humanos (por uns dias apenas), sinto um conforto incompreensível na companhia silenciosa destes bichos. Enquanto me sento à mesa, depois de uma intensa aula de yoga, a comer uma sopa de tomate e feijões verdes da horta, olho-os compenetrados no simples prazer de estar e ser. Como pano de fundo a música da Fiona Joy Hawkins faz o resto, preenchendo os espaços vazios que sobram.

Ah, já me esquecia, a estrela de feijão verde ... Sinto-me também feliz  porque hoje consegui apanhar uma estrela de feijões verdes. Depois do fiasco da minha primeira plantação desta leguminosa, fiz uma segunda tentativa tardia, já no fim de Agosto ....  estão lindos. Há umas horas atrás encontrei-os cheios de flores e com pequeninas vagens e estes que coloquei na estrela que coroa o post, foram a minha primeira colheita.

Nota de rodapé: todas as fotografias dos bichos foram tiradas esta noite enquanto saboreava a minha sopa e contemplava a companhia deles.
Papotamo

Pilrita, ou Pilritinha porque ela é mesmo pequena

Truma, a tentar convencer alguém para lhe fazer uma festa na barrinha. A brilhar, por detrás, os olhos da Meia Leca

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Há dias assim ...

Berra no dia do seu nascimento

Há dias em que o inesperado acontece. Há dias que o sol brilha mais que nos outros. Há dias em que o milagre da vida nos entra pela alma dentro. Há dias como hoje.


Tudo corria na rotina normal da Quinta da Vinagreira. Tratei dos bichos: gatos, cães, galinhas e cabra; depois fui pôr a Francisca a pastar e vim para computador tentar trabalhar. É certo que ouvi a Francisca a berrar, coisa que também é normal; ou porque se enleou, ou porque está farta de ali estar e quer experimentar a erva do outro canto. Pensei cá para mim; "vais esperar". Vou terminar isto e já vou ver qual é a tua queixa. Esperava uma coisa destas: um enleamento, um capricho, mas nunca com o que me deparei. Ali, à minha frente, estava a Francisca deitada, atarefada a lamber uma coisinha branca, pequenina e de olhos azuis d’água. Ali estava a Berra, acabadinha de nascer. O milagre da vida à frente dos meus olhos, inesperado, simples e estupidamente real. Sentei-me no chão de olhos arregalados, acariciei a Francisca e ali fiquei em extâse neste  puro Momento da Quinta da Vinagreira.



Berra e mãe Francisca




quinta-feira, 10 de maio de 2012

Favas de Festa à moda do Pico

A tirar as favas da horta da Quinta da Vinagreira
Hoje, apesar do tempo chuvoso, foi dia de favas na Quinta da Vinagreira. Só nos faltava um pequeno canteiro para tirar da terra. Este foi cultivado num canto mais sombrio e, além disso, segundo o calendário lunar biodinâmico, tinham sido plantadas no dia errado. Por uma razão ou por outra, ou quem sabe pelas duas, desenvolveram-se menos e só hoje saíram da terra. Num trabalho de equipa, o meu homem arrancou-as, eu tirei as favas, e juntos descascámos. Foi num instante. Rendeu quase um balde de favas; contas feitas, deu para o nosso almoço, para o jantar, e ainda para guardar um pacotinho no congelador, onde irá fazer companhia a outros que já lá estão à espera de um dia servirem de repasto à mesa da Quinta da Vinagreira.
Hoje fiz “Favas da festa”, como lhes chamamos na ilha do Pico. Na verdade, esta receita, simples, que é usada tradicionalmente nas festas de Verão como petisco nas tascas, é feita com fava seca. No entanto, a vontade de as comer era tanta que decidi cozinhá-las mesmo tenras... e marcharam.
Aproveito assim o mote das favas para iniciar o primeiro de três posts para passar três receitas do Pico. Uma delas é esta, a das festas, e as outras duas são receitas lá de casa. Receitas que se faziam na época das coisas, no tempo das favas. Assim, quando as favas saíam da terra, recheavam os nossos jantares e almoços. As “Favas à avó Ilda” eram uma receita típica de jantar, e as “Favas guisadas” eram mais propensas aos almoços. Fosse qual fosse a receita, elas sabiam sempre divinamente, porque como diz o adágio: “Não há nada como a fruta da época”.
Assim, aqui vos deixo a primeira das minhas três receitinhas picarotas, quem sabe ainda aproveitam alguma agora no tempo das favas.
Favas da festa

Ingredientes:

·         Cebola (muita cebola, não sei dizer a quantidade, mas tem de ser abundante porque é a
 base do prato)
  • ·         Alho
  • ·         Sal
  • ·         Malagueta
  • ·         Azeite

Cozer as favas. Depois fazer uma cebolada, refogando o alho e a cebola. Temperar com bastante picante (não esquecer que isto é receita de petisco). Depois da cebolada estar translúcida juntar as favas e deixar refogar tudo junto. Retificar o sal. E já está.

Preparação das favas de festa à moda do Pico.
 Esta malagueta é picarota, da minha amiga Rosa que me ofereceu com muito carinho
 Como vêem pela foto, acompanhei com uns grelos (da horta da amiga Cândida) salteados e umas batatas da quinta  salteadas com gengibre. De comer e chorar por mais.
Amanhã cá virá mais uma receitinha.
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