sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Sabor do Mar dos Açores

Os Vinagreiros, é assim que somos apelidados. Para quem não nos conhece é facilmente induzido a pensar que o nosso nome deriva de alguma ligação desconhecida entre nós e o vinagre. Não poderiam estar mais errados, e contudo, também não poderiam estar mais certos.

O nome Vinagreiros nada tem haver com vinagre. Deriva de auto-intitularmos a nossa casa de Quinta da Vinagreira, resultado da nossa paixão pelas aves, e em particular por um dos pássaros mais bonitos dos Açores. Este é o passarinho de peito alaranjado que espreita sempre no cabeçalho deste blogue. Esta ave em cada terra têm um nome diferente. Na minha, Santo António do Pico, nós chamamos-a de Vinagreira. Hmmmm, que tal, já conseguem perceber a ligação? :)

Vinagreira (Erithacus rubecula). Foto de Carlos Ribeiro in Aves dos Açores

Contudo  os Vinagreiros também têm tudo haver com o vinagre. Pois bem, adoramos este ingrediente. Ele aqui serve para tudo. Desde a culinária, aos produtos de limpeza, à higiene pessoal, é um ingrediente imprescendível cá por casa.

Sem dúvida nenhuma que é nos curtumes (pickles) que nos especializamos. A cada ano que passa fazemos uma nova inovação neste domínio. Este ano fomos até ao mar e criamos uns magnificos frascos de curtume de algas.

Não os dispensamos na nossa mesa. Trazem o sabor do mar, todos os benefícios nutritivos destas ervinhas marítimas e são um produto exclusivamente local e natural. Tudo aquilo que gostamos. Trazer até  casa o que a terra e o mar de melhor nos dão nestas ilhas, é um gozo que não tem palavras, só mesmo paladar. Se alguém desejar adquirir um pouco deste sabor a mar escreva-me vinagreira@gmail.com


terça-feira, 14 de julho de 2015

Receita deliciosa para uma abóbora sem destino

Esta manhã acordei com vontade de me demorar na nossa varanda sobre o mundo. A antiga cisterna cá da quinta, projeta-se como um promontório sobre a paisagem de pastos rodeados por muros de pedra, abraçados por vinhas velhas e retorcidas.
Ao fundo, o mar aconchega a ilha, e nós, a família, recolhemo-nos neste cantinho para um pequeno almoço relaxante.
A Truma e o Busa vêm, invariavelmente, partilhar o momento. Sabem, naquela sabedoria de bichos, que sem eles este migalho de tempo carece de tempero, tal qual uma boa sopa sem sal. Há aqui um sublime prazer longe da capacidade das palavras, apenas o posso transmitir na doçura do bolo de abóbora que se desfaz na boca, no cheiro do café acabado sair da cafeteira fumegante, na preguiça dos corpos, nas histórias dos livros que debulhamos com os olhos.

Hoje deixo esta receita para aqueles que mesmo não tendo um espaço e um tempo assim, possam, à sua maneira, desfrutar deste momento connosco.
Confesso, também, que a trago aqui porque depois de oferecer um pedaço de bolo à nossa vizinha, ela pediu-me a receita, e para partilhar com ela, aproveito o embalo, e partilho-a com o mundo.

Fica então aqui uma receita deliciosa para uma abóbora sem destino.




I n g r e d i e n t e s


P r e p a r a ç ã o
- 3 3/4 chávenas de farinha de trigo;
-  2 chávenas de açúcar amarelo;
- 1 colher café de bicarbonato de sódio;
- 1 colher de sopa de fermento em pó;
- 1 colher de chá de sal;
- 1 colher de chá de noz moscada ralada na hora;
- 1 colher de chá de canela em pó;
- 1 colher de chá pimenta preta;
- 1/2 colher de chá de cravo em pó;
- 425g de puré de abóbora;
- 1 chávena de óleo vegetal (usei azeite);
- 1/3 chávenas de água;
- 1 colher sopa de sumo limão;
- 1 colher sopa linhaça moída na hora;
- 1 chávena sementes (usei sésamo e girassol, contudo receita original eram nozes).

- Misturar e peneirar os ingredientes sólidos (farinha, açúcar, bicarbonato, fermento, sal e especiarias)
- Misturar ingredientes líquidos (puré abóbora, óleo, sumo limão e a água);
- Junte a mistura de abóbora à de farinha e incorpore;
 - Junte as sementes;
 - Pré-aqueça o forno a 180°. Forre a forma  com papel vegetal anti-aderente;
- Faça o teste do palito para ver quando está cozido. O meu demorou imenso tempo perto 1,3 hora. Se quiser cozedura mais rápida, divida a massa em duas formas;
- Deixe arrefecer antes de partir e se deliciar. :)

- Bom Apetite -

Inspirado nesta receita: http://deliciosoequilibrio.blogspot.pt/2013/12/bolo-vegan-de-abobora-com-peca.html

 

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Uma Horta para Ser Feliz

Passou mais um ano. Sobrevivi na Quinta da Vinagreira, teimando em permanecer nesta vida simples de cheiros, sabores e afetos. Para alguns pode parecer pouco, mas discordo. Posso dizer que tenho o meu cantinho de felicidade.
Os meus 41 anos, feitos há uns dias atrás, foram celebrados com belos livros para me inspirarem mais e melhores dias por aqui. Fui acarinhada pelos amigos com bolos e celebrações de surpresa e, os meus queridos pais, ofereceram-me uma prenda linda escolhida por mim - uma máquina de sulfatar. ;)

Agora munida de literatura e maquinaria pesada posso dizer, como no livro: tenho uma horta para ser feliz. De máquina-de-sulfatar às costas pulverizo o meu quintal todo num ápice. E para quem já esteja a imaginar uns herbicidas, pesticidas ou venenos poderosos atrás das costas, enganem-se.  Aqui, só chás, chorumes e guloseimas boas para as minhas plantas, porque elas tal como eu, também querem apenas uma Horta para serem Felizes.


domingo, 21 de junho de 2015

Santa Bárbara - O coração da ilha

Ontem viajei da Quinta da Vinagreira para o sopé de um dos meus locais favoritos da ilha - A Serra de Santa Bárbara. Fui convidada para fazer uma aula de Yoga incluida nas actividades do Parque Aberto, no Centro de Interpretação da Serra de Santa Bárbara .
Meu Deus, aqui é como voltar a casa, é um altar de grandes horizontes, com mar e outras ilhas à frente. Verde em todos os tons. Ar, muito ar, fresco, doce e bom. E silêncios profundos cheios de sons.
Foi um momento para abraçar a natureza, para A deixar entrar em abundâncias desproporcionadas até transbordar. Foi bom demais. Ainda sinto os pés na terra e os pulmões no céu.

Abre ocoração e deixa a natureza entrar
Por um momento caminha na natureza, em silêncio, olha o céu e contempla como a vida é maravilhosa.


A Terra tem música para aqueles que a escutam - Shakespear-







segunda-feira, 1 de junho de 2015

Euromilhões ou uma mão cheia de amigos do peito?


Acordei hoje com a música da Elis Regina na cabeça - Uma Casa no Campo -  Percebi, que de tanto gostar desta canção, fui-me tornando nela.


Tenho uma Casa no Campo, onde tenho somente a certeza dos amigos do peito e nada mais.
Tenho uma casa no campo, onde posso ficar no tamanho da paz. Tenho cabras (faltam-me os carneiros), pastando solenes no meu jardim.
Tenho o silêncio das línguas cansadas
e a esperança de óculos.
Planto e colho com a mão

Tenho uma casa no campo
de tamanho ideal, onde planto os meus amigos
Meus discos e livros e nada mais ....

Ao contrário da Elis Regina, que na sua letra dizia querer tudo isto, eu felizmente posso mudar o verbo do poema de "Quero" para "Tenho".
Sinto que os milagres fazem-se todos os dias por aqui. Este fim-de-semana os meus bonitos amigos Paulo e Manuela vieram do outro lado da ilha no seu carro cheio de ferramentas e num dia construiram-nos uma fantástica cerca para as nossas cabras.
Se eu tivesse ganho o euro-milhões teria contratado um grupo de gente trabalhadora, teria-lhes pago o dia e com esta troca cada um teria ido para o seu lado sem mais poesia. Mas eu tenho uma Casa no Campo, onde há somente a certeza dos amigos do peito, e aqui a cerca foi construida com o silêncio das línguas cansadas, com alcatras e alho-francês à brás, com abraços, sorrisos, e muita Gratidão. Eu não tenho uma cerca no meu jardim, tenho um monumento à amizade :).

Por tudo isto: Euro-milhões e touros - paredes altas.




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