domingo, 20 de março de 2016

Equinocio da Primavera

Há um ano atrás, no Equinócio da Primavera, nascia na quinta a Prima e a Vera, uma das melhores maneiras para se dar boas vindas a uma nova estação.

Este ano não houve nascimentos, mas a Primavera vibra aqui como nunca. A horta, transformada em Mandala este Outono, está ao rubro, transbordando de vida. As flores abrem-se em cada esquina, os nossos espargos espreitam fora da terra e ouvimos o som das abelhas como sinfonia de fundo. O dia está maravilhoso e cheio de sol.






Daqui pouco vou  para a horta em mandala, fazer furinhos na terra e plantar os plantios que trouxe do Biotrocas. Celebrar a chegada da Primavera no espaço da Gequesta a trocar legumes, sementes e plantios, entre gente boa, é uma delicia e um presságio para a prosperidade das estações solarengas que aí vem.


Vim cheia de coisas boas: sementes, plantio de acelgas e courgetes, abóbora, salsa, aipo, laranjas, limões, alface e chorume de minhoca :)


Troquei pelo meu tofu, seitan, curtume de algas e pesto de coentros.

E para aqueles que lerem hoje este post de Primavera partilho  a receita do pesto de coentros. Para além de fácil e deliciosa, foi um dos sabores do Biotrocas, barrado no pão italiano, vindo da Quinta da Borboleta dos Biscoitos.

Perdoem-me os perfeccionistas mas esta receita é um pouco a olho ... tal como eu gosto ;)


I n g r e d i e n t e s

P r e p a r a ç ã o
- 1sementes girassol
- 2 dentes de alho
- Coentros
- Azeite
- Sumo Limão
- Sal ou molho de soja
- coloca tudo no copo misturador. Bzzzzzzzz e já está
:)


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Momentos doces na Quinta

É noite, já se jantou na quinta, e enquanto o mundo se prepara lá fora para a euforia do Carnaval, aqui dentro estamos quentinhos, aconhegados uns nos outros, como se tivessemos dentro de um ovo.

A casa descansa numa semi-penumbra. Estou embrulhada numa manta com um gato no colo. O outro, o Busa, medita à minha frente, em cima da aparelhagem em silêncio. Olho para ele e pergunto-lhe onde aprendeu a meditar, quem foi o seu mestre. Quero conhecê-lo, quero aprender com ele.
...
Escuto um espaço de silêncio.
Suponho que esta é a resposta. Invejo o Busa. Quem sabe um dia serei como ele :)


sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Desejos de um Novo e Espectacular Ano 2016

Hoje uma amiga que está sempre perto, espreitadando os momentos da Quinta, mandou esta vinagreira em forma de desejo de Ano Novo. Apeteceu-me logo publicá-la aqui ... porque o que é bonito e vem do coração deve ser partilhado. Vou aproveitar esta inspiração para na próxima publicação partilhar uma selecção de alguns dos muitos maravilhosos momentos do ano de 2015 na Quinta da Vinagreira.

Aqui fica o meu desejo, para todos os que insistem em visitar este canto, de um ano de 2016 tão bonito quanto esta ilustração.


terça-feira, 15 de setembro de 2015

A ilha

A ilha é um lugar estranho. Um lugar de emoções controversas. É um regresso a casa e ao mesmo tempo uma ausência de casa. Aqui volto a caminhos percorridos no passado, a uma nostalgia das coisas que já não são e a de outras que ainda são e eu já não sou. Esta é uma ilha negra, dura e selvagem. Obriga-nos a uma crueza interna de autenticidade.

Aqui vejo os meus pais nas suas vitórias e nas suas derrotas. Sinto o peso da vida vivida, o peso de rotinas e de velhas fórmulas que se esgotaram. Há também descobertas incríveis e inspiradoras de como reinventar cada dia, mesmo depois de 80 anos de quotidiano. Vejo as mãos da  minha mãe a amassar um bolo de milho, que será cozido na chapa de lenha. Encontro o meu pai, na sua cadeira de rodas, a fazer yoga em frente a um ecrã de computador.


Vejo os meus sobrinhos a crescer e a desbravarem as suas próprias floresta, preparando-se para serem versões diferentes do que qualquer um de nós se tornou.
E penso outra vez no Cerrado Terreiro, na nossa subida até lá há dias atrás.
Lá em cima respiro diferente. Sou, novamente, apenas eu e a ilha.
A história da nossa família está escrita nos sulcos daquele chão, nas raízes dos cedros e das faias velhas, na pequena casa de duas portas que se abre sobre a encosta, onde o horizonte deslumbra-se em infinitas possibilidades.
Lá em cima sonho em dar portas e janelas à pequena casa, mas talvez nunca o faça, para deixar sempre a imensidão do horizonte entrar em mim.


Como hoje o barco não partiu para estreitar as distâncias entre ilhas, permaneci mais um dia. Este deu-me vontade das palavras escritas. Contudo, o ser não se alimenta apenas de devaneios e sonhos. Quer matéria também, substância. Então deixo-vos com esta experiência de pão rústico feito com a minha mãe. Mais um pão de preguiçosos, daquelas que eu gosto. Esta não é uma receita tão prática como o meu pão em 5 minutos, contudo o resultado é um pão mais rústico e que dura mais tempo, sem dúvida para repetir.

I n g r e d i e n t e s
P r e p a r a ç ã o
- 3  chávenas de farinha de trigo;
- 1 2/2 chávena de água;
- 1/4 de colher chá de fermento para pão;
- 1 1/4 colher de chá de sal;
- 1 colher de chá de sal;
- 1Tacho de ferro com tampa ou de barro.


- Misturar os ingredientes secos. Adicione a água e misture bem com uma colher de pau ou mãos, até incorporar toda a farinha. A massa fica mais mole do que uma massa normal de pão;
- Cubra a tigela de deixe levedar de 12 a 18 horas à temperatura ambiente;
- Retire  massa bem enfarinhada dobre em envelope e deixe descansar mais 1 a 2 horas;
- Cerca 15 minutos antes do pão cozer, aqueça no forno o tacho com a tampa. Depois coloque folha papel vegetal e coloque a massa lá dentro. Feche o tacho coza no forno 30 minutos com o tacho fechado e mais 15 minutos com ele aberto. Nesta última fase tome atenção, pois depende da intensidade do forno. No fogão de lenha da minha mãe 5 minutos foram suficientes.
- Deixe arrefecer antes de partir e se deliciar. :)
- Bom Apetite -


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