sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Momentos doces na Quinta

É noite, já se jantou na quinta, e enquanto o mundo se prepara lá fora para a euforia do Carnaval, aqui dentro estamos quentinhos, aconhegados uns nos outros, como se tivessemos dentro de um ovo.

A casa descansa numa semi-penumbra. Estou embrulhada numa manta com um gato no colo. O outro, o Busa, medita à minha frente, em cima da aparelhagem em silêncio. Olho para ele e pergunto-lhe onde aprendeu a meditar, quem foi o seu mestre. Quero conhecê-lo, quero aprender com ele.
...
Escuto um espaço de silêncio.
Suponho que esta é a resposta. Invejo o Busa. Quem sabe um dia serei como ele :)


sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Desejos de um Novo e Espectacular Ano 2016

Hoje uma amiga que está sempre perto, espreitadando os momentos da Quinta, mandou esta vinagreira em forma de desejo de Ano Novo. Apeteceu-me logo publicá-la aqui ... porque o que é bonito e vem do coração deve ser partilhado. Vou aproveitar esta inspiração para na próxima publicação partilhar uma selecção de alguns dos muitos maravilhosos momentos do ano de 2015 na Quinta da Vinagreira.

Aqui fica o meu desejo, para todos os que insistem em visitar este canto, de um ano de 2016 tão bonito quanto esta ilustração.


terça-feira, 15 de setembro de 2015

A ilha

A ilha é um lugar estranho. Um lugar de emoções controversas. É um regresso a casa e ao mesmo tempo uma ausência de casa. Aqui volto a caminhos percorridos no passado, a uma nostalgia das coisas que já não são e a de outras que ainda são e eu já não sou. Esta é uma ilha negra, dura e selvagem. Obriga-nos a uma crueza interna de autenticidade.

Aqui vejo os meus pais nas suas vitórias e nas suas derrotas. Sinto o peso da vida vivida, o peso de rotinas e de velhas fórmulas que se esgotaram. Há também descobertas incríveis e inspiradoras de como reinventar cada dia, mesmo depois de 80 anos de quotidiano. Vejo as mãos da  minha mãe a amassar um bolo de milho, que será cozido na chapa de lenha. Encontro o meu pai, na sua cadeira de rodas, a fazer yoga em frente a um ecrã de computador.


Vejo os meus sobrinhos a crescer e a desbravarem as suas próprias floresta, preparando-se para serem versões diferentes do que qualquer um de nós se tornou.
E penso outra vez no Cerrado Terreiro, na nossa subida até lá há dias atrás.
Lá em cima respiro diferente. Sou, novamente, apenas eu e a ilha.
A história da nossa família está escrita nos sulcos daquele chão, nas raízes dos cedros e das faias velhas, na pequena casa de duas portas que se abre sobre a encosta, onde o horizonte deslumbra-se em infinitas possibilidades.
Lá em cima sonho em dar portas e janelas à pequena casa, mas talvez nunca o faça, para deixar sempre a imensidão do horizonte entrar em mim.


Como hoje o barco não partiu para estreitar as distâncias entre ilhas, permaneci mais um dia. Este deu-me vontade das palavras escritas. Contudo, o ser não se alimenta apenas de devaneios e sonhos. Quer matéria também, substância. Então deixo-vos com esta experiência de pão rústico feito com a minha mãe. Mais um pão de preguiçosos, daquelas que eu gosto. Esta não é uma receita tão prática como o meu pão em 5 minutos, contudo o resultado é um pão mais rústico e que dura mais tempo, sem dúvida para repetir.

I n g r e d i e n t e s
P r e p a r a ç ã o
- 3  chávenas de farinha de trigo;
- 1 2/2 chávena de água;
- 1/4 de colher chá de fermento para pão;
- 1 1/4 colher de chá de sal;
- 1 colher de chá de sal;
- 1Tacho de ferro com tampa ou de barro.


- Misturar os ingredientes secos. Adicione a água e misture bem com uma colher de pau ou mãos, até incorporar toda a farinha. A massa fica mais mole do que uma massa normal de pão;
- Cubra a tigela de deixe levedar de 12 a 18 horas à temperatura ambiente;
- Retire  massa bem enfarinhada dobre em envelope e deixe descansar mais 1 a 2 horas;
- Cerca 15 minutos antes do pão cozer, aqueça no forno o tacho com a tampa. Depois coloque folha papel vegetal e coloque a massa lá dentro. Feche o tacho coza no forno 30 minutos com o tacho fechado e mais 15 minutos com ele aberto. Nesta última fase tome atenção, pois depende da intensidade do forno. No fogão de lenha da minha mãe 5 minutos foram suficientes.
- Deixe arrefecer antes de partir e se deliciar. :)
- Bom Apetite -


sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Sabor do Mar dos Açores

Os Vinagreiros, é assim que somos apelidados. Para quem não nos conhece é facilmente induzido a pensar que o nosso nome deriva de alguma ligação desconhecida entre nós e o vinagre. Não poderiam estar mais errados, e contudo, também não poderiam estar mais certos.

O nome Vinagreiros nada tem haver com vinagre. Deriva de auto-intitularmos a nossa casa de Quinta da Vinagreira, resultado da nossa paixão pelas aves, e em particular por um dos pássaros mais bonitos dos Açores. Este é o passarinho de peito alaranjado que espreita sempre no cabeçalho deste blogue. Esta ave em cada terra têm um nome diferente. Na minha, Santo António do Pico, nós chamamos-a de Vinagreira. Hmmmm, que tal, já conseguem perceber a ligação? :)

Vinagreira (Erithacus rubecula). Foto de Carlos Ribeiro in Aves dos Açores

Contudo  os Vinagreiros também têm tudo haver com o vinagre. Pois bem, adoramos este ingrediente. Ele aqui serve para tudo. Desde a culinária, aos produtos de limpeza, à higiene pessoal, é um ingrediente imprescendível cá por casa.

Sem dúvida nenhuma que é nos curtumes (pickles) que nos especializamos. A cada ano que passa fazemos uma nova inovação neste domínio. Este ano fomos até ao mar e criamos uns magnificos frascos de curtume de algas.

Não os dispensamos na nossa mesa. Trazem o sabor do mar, todos os benefícios nutritivos destas ervinhas marítimas e são um produto exclusivamente local e natural. Tudo aquilo que gostamos. Trazer até  casa o que a terra e o mar de melhor nos dão nestas ilhas, é um gozo que não tem palavras, só mesmo paladar. Se alguém desejar adquirir um pouco deste sabor a mar escreva-me vinagreira@gmail.com


terça-feira, 14 de julho de 2015

Receita deliciosa para uma abóbora sem destino

Esta manhã acordei com vontade de me demorar na nossa varanda sobre o mundo. A antiga cisterna cá da quinta, projeta-se como um promontório sobre a paisagem de pastos rodeados por muros de pedra, abraçados por vinhas velhas e retorcidas.
Ao fundo, o mar aconchega a ilha, e nós, a família, recolhemo-nos neste cantinho para um pequeno almoço relaxante.
A Truma e o Busa vêm, invariavelmente, partilhar o momento. Sabem, naquela sabedoria de bichos, que sem eles este migalho de tempo carece de tempero, tal qual uma boa sopa sem sal. Há aqui um sublime prazer longe da capacidade das palavras, apenas o posso transmitir na doçura do bolo de abóbora que se desfaz na boca, no cheiro do café acabado sair da cafeteira fumegante, na preguiça dos corpos, nas histórias dos livros que debulhamos com os olhos.

Hoje deixo esta receita para aqueles que mesmo não tendo um espaço e um tempo assim, possam, à sua maneira, desfrutar deste momento connosco.
Confesso, também, que a trago aqui porque depois de oferecer um pedaço de bolo à nossa vizinha, ela pediu-me a receita, e para partilhar com ela, aproveito o embalo, e partilho-a com o mundo.

Fica então aqui uma receita deliciosa para uma abóbora sem destino.




I n g r e d i e n t e s


P r e p a r a ç ã o
- 3 3/4 chávenas de farinha de trigo;
-  2 chávenas de açúcar amarelo;
- 1 colher café de bicarbonato de sódio;
- 1 colher de sopa de fermento em pó;
- 1 colher de chá de sal;
- 1 colher de chá de noz moscada ralada na hora;
- 1 colher de chá de canela em pó;
- 1 colher de chá pimenta preta;
- 1/2 colher de chá de cravo em pó;
- 425g de puré de abóbora;
- 1 chávena de óleo vegetal (usei azeite);
- 1/3 chávenas de água;
- 1 colher sopa de sumo limão;
- 1 colher sopa linhaça moída na hora;
- 1 chávena sementes (usei sésamo e girassol, contudo receita original eram nozes).

- Misturar e peneirar os ingredientes sólidos (farinha, açúcar, bicarbonato, fermento, sal e especiarias)
- Misturar ingredientes líquidos (puré abóbora, óleo, sumo limão e a água);
- Junte a mistura de abóbora à de farinha e incorpore;
 - Junte as sementes;
 - Pré-aqueça o forno a 180°. Forre a forma  com papel vegetal anti-aderente;
- Faça o teste do palito para ver quando está cozido. O meu demorou imenso tempo perto 1,3 hora. Se quiser cozedura mais rápida, divida a massa em duas formas;
- Deixe arrefecer antes de partir e se deliciar. :)

- Bom Apetite -

Inspirado nesta receita: http://deliciosoequilibrio.blogspot.pt/2013/12/bolo-vegan-de-abobora-com-peca.html

 

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