quinta-feira, 9 de maio de 2019

Viagem onde o sol se põe - III


Hoje nas Flores foi dia das terras baixas. As nuvens cobrem o planalto central e, apesar de algum vento, ainda conseguimos uns pedaços de sol para nos acompanhar.
Se a Fajãzinha e o Mosteiro são cantinhos desta ilha onde, sem dúvida nenhuma, me imaginaria a viver, junto a esta lista a Costa do Lajedo.



Santa Cruz das Flores serviu-nos para mergulharmos na história da ilha. Visitámos o museu, no antigo Convento São Boaventura, recuperado recentemente. Um museu pequeno, que permite uma boa abordagem à ilha, revelando pormenores que de outra forma nos escapariam. Encontrei aqui a resposta à inesperada qualidade da manteiga florentina que compráramos. Pensei que tinha sido um golpe de sorte, mas no museu vim a descobrir que há muito as Flores está entre as primeiras ilhas dos Açores na produção de manteiga.


Após visita ao museu rumámos à costa nordeste, até à Ponta Ruiva, sendo aí surpreendidos por mais uma placa de museu. Concluimos que além das Flores ser a ilha da manteiga, é também a ilha dos museus. Seguindo as setas, demos conosco no pátio de uma casa, de onde nos surgiu o dono perguntando-nos se queríamos visitar o museu. Abriu-nos a porta de uma casinha de pedra fresca e repleta de pequenos tesouros. Deambulámos por entre as louças, ferramentas e peças de mobília, para terminarmos num delicioso copinho de licor caseiro de araçá.


Terminámos o dia na incrível na baía de Alagoa, onde colhi um belo ramo de agriões de água e uns inhames, para dar um toque florentino ao nosso jantar. Aqui voltámos encontrar o casal de espanhóis, companheiros de viagem do acaso, que acabámos por travar conhecimento por nos surpreendermos constantemente em cada esquina, sem nunca marcarmos encontro. Eles ficaram aqui, acampados, a ouvir garajaus e cagarros. Nós seguimos viagem para a Fazenda para  cozer os inhames e fazer a sopa de agrião :).

domingo, 5 de maio de 2019

Viagem onde se põe o sol - II


Por vezes os acasos do destino levam-nos aonde temos de ir. Assim começou o nosso segundo dia nas Flores. Quando nos apercebemos era dia 1 de Maio, tudo estava fechado e não tinhamos onde comprar comida para piquenicar pela ilha. Tivemos de pedir orientação e fomos conduzidos a uma pequena mercearia/café na Fajã Grande. Estando lá o destino mais óbvio para continuar a nossa exploração foi o Poço da Ribeira do Ferreiro.


Esta é uma lagoa alimentada pelas cascatas que descarregam incessantemente o exagero da água do topo da ilha.  É um lugar que se descobre ao fim de um caminho empedrado, subindo através da floresta de incensos, regada por inúmeros regatos que serpenteiam ecoando o seu suave escorrer das águas por entre pedras, musgos e fetos. Este é o caminho... aquele que se faz passo a passo, onde o fora conduz ao dentro, e onde tudo se vai revelando até ao momento final apoteótico, em que a escuridão do caminho se abre nas deslubrantes cascatas que caem das alturas, alimentando um lago cristalino por entre o verde e o azul.


Foi difícil sair daqui. Permanecemos uma boa parte da manhã deixando-nos fazer parte desta paisagem. Experienciei cada elemento movendo-me em posturas yoga, silenciando e deixando ser observada pela curiosidade dos tentilhões, melros, e toutinegras.


Continuámos inevitavelmente a viagem, seguindo para a bucólica Fajãzinha e os indecentes prados de cavalinha que nos deixam numa inveja mortal, porque na Terceira, a nossa horta anseia pelo chá desta milagrosa planta para se livrar do mau olhado dos fungos. 

E porque o dia estava maravilhoso e o topo nos chamava, atravessámo-lo de novo para rumarmos à ponta norte da ilha, a Ponta Delgada. Deambulámos nas planuras da Ponta do Albernaz, onde o grande farol marca a presença da ilha. 
Quando as luzes do fim do dia se aproximavam atravessámos o topo da ilha mais uma vez, e viemos terminar o dia no sol estampado nas rochas das falésias da Fajã Grande, desenhando arco-íris na neblina das cascatas.








sábado, 4 de maio de 2019

Viagem onde o sol se põe - I


Esta é uma viagem há muito prometida, e há muito adiada. Esta viagem chegou agora. Fizemos uma mala, e partimos em busca do sol para ocidente. O último pedaço de terra de Portugal, e da Europa. Aquelas duas migalhas perdidas nas lonjuras do Atlântico: O Corvo e as Flores.
Viemos para redescobrir, e descobrir juntos. Para experienciar cada recanto, decidi expressá-lo e partilha-lo através do Yoga AnahataGaia. Aqui fica o relato de 7 dias através das palavras e  posturas de Yoga que cada lugar me inspirou. Vamos a isto? ;)

Aterramos nas Flores num dia limpido, de céu azul e solarengo...olhamos o topo da ilha, e temendo a má fama das tempestades, nevoeiros e chuvas quisemos apenas guardar as malas no nosso ninho, a Barraka, situado na Fazenda das Lajes, e rumar ao topo.

Esperava-nos o sorridente Marco, francês radicado na ilha com a sua mulher Camile, que criaram este ninho onde nos recolhemos. Ao entrarmos foi evidente que era uma casa com alma, aqui cada recanto, cada peça de mobiliário foi feita por mãos de pessoas para receber pessoas. Senti-me logo em casa.

Já no planalto, apesar de já termos aqui estado há mais de 15 anos atrás, não conseguimos deixar de nos espantar novamente pela esponja gigante da qual o topo desta ilha se reveste. Como um gorro ou um colchão, as turfeiras cobrem tudo, num espesso manto ... Não há dúvida, quem manda aqui é a Água, este é o seu domínio. Este manto é esburacado aqui e acolá com as indecentes lagoas, e rasgado constantemente por ribeiras que tentam inutilmente vazar a água que se acumula.

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Passamos o que restava no dia na exploração de cada nova lagoa, sempre em busca de pássaros e claro, o Carlos na escuta constante dos "balidos" de narceja no céu. Eu tentava descubrir as plantas que muitos anos antes havia prospectado. Fui surpreendida pela imensa quantidade de folhados (Viburnum treleasei), que agora começavam a florir e com os bafo-de-boi (Ranunculus cortusifolius), duas espécies açorianicimas que estou certa contribuiram com a sua companheira cubres para dar o nome de Flores a esta ilha. Certo que hoje, talvez os visitates acreditem que o nome vem das hortênsias e conteiras que se espalham por todo o lado, e é certo que trazem colorido a estas paisagem dominadas de verdes, contudo competem ferozmente com a natureza pristina desta ilha.



quinta-feira, 3 de maio de 2018

Se me casasse hoje este era meu boquet...




Bem talvez não fosse grande ideia, porque o meu boquet foi um lindo ramo de cabreolas, as flores preferidas da avó Perpétua.

Mas quem não desejaria um molhe de espargos, acabadinhos de colher da horta como boquet? 😂

Lindos, saborosos e o orgulho de qualquer quintal. Este ano tivemos fartura. É verdade que chegaram tarde, mas quando vieram, vieram em força e inspiraram pequenas delícias gastronómicas na cozinha da Quinta da Vinagreira.

A colheita está acabar. Apanho agora os últimos, só mesmo os gordinhos, e deixo tudo o resto seguir o seu ciclo.



Terminamos a época com festa. Convidei um molhe de amigos e degustamos um belo de um risoto de espargos à volta da mesa. Com o que restou, no dia seguinte, e por sugestão do meu sobrinho António, fiz uns saborosíssimos croquetes. (Quem tem sobrinhos tem tudo ;) )

Agora resta me despedir, na esperança de para o ano haver mais. E quem sabe não repita o casamento só para levar um boquet de espargos. 😂 gaitadaria

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Quando o sonho se torna realidade ...

Ontem, depois da aula de yoga, passei para o outro lado do palco. Numa sessão deliciosa de Yoga do Riso, facilitada pela Ana Fevereiro, de professora passei a aluna.

Após muitas boas gargalhadas, como todas as aulas de yoga devem terminar, deitamo-nos num doce relaxamento, a meia luz e com sorrisos no rosto. Aqui normalmente estou eu a pintar paisagens para os outros viajarem, hoje, contudo, estava eu a ser guiada.
Não me levaram para nenhum lugar concreto, deixaram-me escolher essa paisagem onde a minha alma se iria recolher por uns minutos.
Não precisei nem de pensar. Mal me foi pedido para imaginar um lugar calmo e tranquilo, fui levada de imediato para debaixo do meu castanheiro, e à minha volta e em cima do meu corpo, deitavam-se todas as crianças felinas e caninas, vivas e que já partiram, da Quinta da Vinagreira. A paisagem perfeita, o momento onde me posso abandonar na essência do que sou. hmmmm delicioso

Hoje, mesmo agora à pouco, ninguém me pedia para viajar para lado nenhum, mas o meu homem com a sua máquina fotográfica, foi isto que captou :)


Quando o sonho é a realidade, o que podemos pedir mais à vida?!!1. Só nos resta mesmo um coração cheio de Gratidão.

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Aconchegos de Outono: sopa de caiotas, beldroegas e salsa.


Ah, hoje fez um daqueles dias maravilhosos de Outono. Aquele tempo calmo em que sussurra o silêncio. Apetece deambular por baixo das árvores que se despem, e pela horta, onde tudo está em fase de adormecer, depois da euforia da frutificação do Verão.  Nestas deambulações contemplativas, com três mini-gatos a correr ao meu lado, quase atropelei estes belos raminhos de beldroelgas.

Hmmm..., que viçosas! Já sei para onde estas vão. Direitinhas para o tacho, para a sopa de caiota e beldroegas. E, como a salsa pesponta na horta, está decidido, será mesmo é uma sopa de caiotas, beldroegas e salsa.


Temos jantar. Cá na quinta as noites na mesa são sempre à volta de uma panela de sopa. O patrão não aprecia demasiado o conceito, mas entre ter de fazer o jantar e comer as minhas sopas, opta pela segunda opção.

Sem dúvida que uma das belezas das caiotas é mesmo nas sopas. Substituem alimentos mais calóricos, como a batata, e fazem uma base de sopa maravilhosa. Penso que nesta altura do ano não há uma única sopa sem caiota cá por casa. Deixo-vos esta receita, entre tantas outras possíveis e deliciosas opções.



                 IMPRIMIR A RECEITA



Moqueca de caiota e um galinheiro móvel

O dia todo a fazer um galinheiro móvel para as galinhas.
Não está a correr bem.
As galinhas não estão felizes, mas em contrapartida os gatos sim. Ficam fora do galinheiro a fazer pressão psicológica. Pode-se adivinhar porque as galinhas não estão a usufruir da experiência. ;)



A ideia deste galinheiro é ser muito móvel e versátil, para caber em todos os recantos do quintal. Todas as partes são móveis, para não ser uma estrutura fixa. A ideia até funcionou, mas a casa para se abrigarem e, claro, se sentirem inspiradas colocarem um ovo, é que me está a dar cabo da cabeça. Os meus dotes de carpinteira deixam um pouco a desejar e, até agora, as várias tentativas levadas a cabo resultaram em sucessivas frustrações.
Enfim amanhã é um novo dia...
Agora tenho um rato a cantar no estômago ... Está na hora de ir para cozinha e dedicar-me à "Ode das Caiotas".
Temos hoje na ementa moqueca de caiota.
Uma pequena delícia inspirada numa receita de moqueca de tofu da Gabriela Oliveira.

Adoro esta receita porque é rápida e deliciosa. Acompanhada com um arrozinho e uma salada, faz um almoço de reis. Deixo-vos então com mais uma sugestão para as vossas caiotas/chuchus. Deliciem-se.

INGREDIENTES (2 pessoas de muito alimento ; ) esta é a medida cá de casa)

  • 2 caiotas grandes
  • 1 cenoura
  • Tiras de 1/2 pimento 
  • Tomate triturado (1/2 lata 400ml)
  • 1/2 cebola média
  • 2 dentes de alho
  • azeite q.b.
  • 2 c. sopa de limão
  • 1 lata de leite de coco
  • 1 malagueta pequena (opcional)
  • Coentros
  • 1 folha de louro
  • Pimentão-doce ou paprika q,b.
  • Cominhos q.b.
  • Sal q.b.
  • Modo de Preparo
  1. Descasque as caiotas e cenouras  e corte-as aos bocados
  2. Pique a cebola e os alhos
  3. Refogue em azeite até alourar a cebola e o alho
  4. Junte as caiotas e a cenoura, refogue um pouco e adicione o tomate
  5. Coloque os temperos, a folha de louro, o pimento e o sumo de limão mexendo bem
  6. Adicione o leite de coco, a malagueta e os coentros. Deixe apurar um pouco e rectifique o sal.

VARIAÇÃO 

  1. Substitua as caiotas por tofu

DICA

  1. Para descascar as caiotas e não ficar com a goma das mesmas nas mãos, faça-o debaixo de água corrente.

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Uma Ode Às Caiotas

Crescem como monda
São uma praga no meu quintal
Não sei o que fazer com tanta caiota
Caiotas, não sabem a nada

A sério??!!!!

Se não gostam, se são demais e não sabem o que fazer com elas, tenho a solução ideal para si

 MANDEM-NAS TODAS PARA A QUINTA DA VINAGREIRA

As caoitas/chucus crescem como monda em todo o lado menos na nossa horta. E eu adoroooooooooooo-as.

São  lacreme de la creme do Outono na cozinha da quinta. Sim é verdade não sabem a grande coisa, mas por isso mesmo a sua versatilidade é incomparável. Sopas, acompanhamentos, pratos principais e sobremesas, servem literalmente para tudo. Cá em casa nunca me canso de as usar. Quantos mais tenho, mais uso. Como-as eu, o Marido, os convidados, os cães, os gatos e as galinhas ...

E dizem-me que não sabem o que fazer com elas.
Por Amor de Deus. É tempo de trazer as coiotas ao seu devido lugar.
E por uns dias é isso que vou fazer, uma Ode às Caiotas, partilhando convosco algumas das minhas receitas preferidas. E se vocês tiverem também alguma receita de eleição com caiotas enviem para a quinta vinagreira (vinagreira@gmail.com) e publicarei aqui, para crescermos esta linda corrente de veneração da caiota. ;)

Vamos elevar a caiota ao estatuto que ela merece

Ok, deixei-me levar um pouco pelo entusiasmo. Talvez a caiota não seja o melhor legume do mundo, contudo é um grande legume e merece um lugar nas nossas cozinhas.
Para além da sua versatilidade culinária,  apresenta inúmeras propriedades benéficas  para a saúde, sendo indicada para diabéticos, gota, artrite, pedra nos rins, regulação de água no organismo, baixar o colestrol e controlar o peso. Isto tudo devido ao seu alto conteúdo em fibras, vitaminas, minerais, aminoácidos e pouquíssimas calorias (I keep fowlling in love with you caiota ;) ).

Para terminar por hoje e começar a odisseia das caiotas deixo-vos algo doce que nada tem haver com as propriedades de perca de peso das caiotas. Contudo ontem choveu. Choveu e muito. Apeteceu algo para adocicar a alma que estava desconsolada e assim nasceu um pudim de caiota para tardes chuvosas.

Deixo-vos esta pequena delícia para iniciarmos docemente esta Ode às Caiotas :)

PUDIM DE CAIOTA

Ingredientes

  • 500gr de caiota cozida
  • 2 Colher(es) sopa de farinnha trigo
  • 2 chávenas de açucar
  • 3 ovos
  • Raspa de 1 limãoo ou de laranja
  • 200 ml de leite
  • 100 gr de coco ralado

  • Modo de Preparo
  1. Descasque e coza as caiotas.
  2. Numa forma coloque uma chávena de açucar e leve a lume para caramelizar as forma
  3. Junte todos os ingredientes no copo misturador e depois coloque na forma caremelizada.
  4. Leve a cozer no forno em banho maria por cerca de 40 minutos (dependo dos fornos)

VARIAÇÃO SEM GLUTEN SEM LACTOSE

  1. Substitua a farinha or 4 colheres de sopa de amido de milho MAIZENA
  2. e o leite por leite de coco

DICA

  1. Para descascar as caiotas para não ficar com a goma das mesmas nas mãos faça-o debaixo de água corrente.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

43

Quarenta e três, é muito? é pouco?

Não faço ideia, mas é os que tenho, é os que fiz hoje, e souberam-me por uma vida inteira. Ahhhhh. São uma vida inteira. A minha vida inteira.

Há quem não goste de celebrar o dia em que nasceu.
Eu adoro.
Adoro celebrar esta coisa que é a vida. É algo espantoso. E quando me dou ao trabalho de pensar sobre isto (pensar não é algo que goste demasiado de fazer, embora continuo a fazer em demasia ;), espanto-me sempre e cada vez mais, pois isto de viver é uma experiência sublime.

Hoje foi um dia em cheio de celebração. Fui puramente egoísta. Dediquei-me só, e exclusivamente a mim.

Primeiro banho do ano, num mar incrivelmente azul (friooooooooo, brrrrrrrr);
Caminhada por mais um recanto mágico desta terra. Esta ilha nunca me deixa de espantar;
Piquenique numa bela sombra a olhar o mar;
Yoga por aqui e por acolá;
Gelado em São Mateus;
Passeio de fim de tarde com as cadelas, com escapadela para leitura no meio dos pastos;
E agora um jantarinho preparado por aquele que me acompanha em tudo...a minha cara metade;

E marchas na noite Sanjoaninhas?... Naaaaaaa, nem pensar ...  fico em casa, na quinta, no ninho a escutar a música destes silêncios caseiros, bons demais para trocar pelo ruído da festa.
Assim, posso ficar aqui a imaginar que toda gente dança e canta hoje na cidade para me celebrar.

É verdade, ainda recebi como prenda especial um dia maravilhoso de sol, mar e céu azul. Obrigado

Há melhor que isto? Hmmm, não me parece. Que venham mais anos, quero mais :)







domingo, 7 de maio de 2017

Legado de Mãe

Hoje acordo de novo na Quinta.

Foram quinze dias fora, a vaguear pelo país, de Norte a Sul com paragem no Centro.
Chegada a casa, fico impressionada como tudo cresceu. Ervas, flores e as hortícolas.
Indecisa para o almoço limitei-me a ir ao quintal observar e questionar:

- O que precisa mais urgentemente de ser colhido? ... os nabos mostarda, a cabeça de nabo e os coentros que já espigam. Decididamente um repolho que já está no ponto e um alho francês que já se vê uma flor a nascer. Ah, mas tenho de apanhar umas folhas de  couve kale. São as primeiras, não resisto. Não posso esquecer de ir buscar os ovos.

E com isto, podem imaginar, vim de cesto cheio para a cozinha e com ingredientes de sobra para um almoço.

Depois de passar estes quinze dias a comprar tudo, até uma insignificante folha de salsa, estar em casa com um prato cheio de ingredientes que estão apenas à distância de uma mão, é qualquer coisa de maravilhoso, que as palavras não me bastam.

Sinto-me feliz...e rica no meio desta abundância. E devo-o à minha mãe. Sim, à minha mãe. Não que ela me cultive o quintal, contudo deixou-me o legado de amar a horta e de sentir um prazer absoluto nessa simplicidade de semear e colher.
Dedico esta minha colheita a ela, porque dizem que hoje é o dia da mãe Ahahahhaha como se ela precisa-se de um dia .... Abraço doce querida mãe


Mãezarrota orgulhosa com a sua colheita

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Como Começar o Dia

Acordei rabujenta. Precisava de mimos.
Fui até ao Queijo Vaquinha e tomei pequeno almoço como é dado: bolo lêvedo com queijo vaquinha e um belo galão. Os "donetes" ainda me acenaram do tabuleiro. Sou forte ;) e resisti.
Mais aconchegada, pus-me a caminho. Apanhei a princesa, disse-lhe que íamos dar um passeio de burra. Fraziu o nariz, mas vestiu o seu fato treino cor-de-rosa e sapatilhas a condizer, porque uma princesa mesmo para andar de burra, é sempre uma princesa. E lá fomos nós a caminho da Quinta Basalto Horse Experience.

Apesar do sol não brilhar, estava uma manhã calma. Deambulamos na companhia de mães com petizes de colo, e a Mónica com os seus cães, nos envolvendo com as histórias dos recantos da quinta e dos seus habitantes. A caminhada conduzia-nos entre os pastos e o arvoredo, ao encontro das éguas e das burras. As únicas que tem autorização de pastar livremente pela quinta. Por entre as silvas, ouviram-se sons e começaram aparecer duas cabeças. A Fada e Adelaide, logo depois a Caipirinha e a Antonieta.


Após o encontro...hmm..não vou revelar, deixo apenas algumas imagens para dar o aroma. Posso dizer contudo que estar entre cavalos, cães, burras no meio do campo, num dia suave é uma benção para qualquer alma rabujenta. Aconselho a todos um passeio e uma experiência nesta quinta de São Bartolomeu. Basalto Horse Experience é must visit para todos os turístas e terceirenses.









É verdade e o impensável aconteceu...a princesa montou. Bem não foi a burra, sim claro, nenhuma princesa anda de burro, foi mesmo num cavalo branco de olhos azuis como os dela ;)


sábado, 31 de dezembro de 2016

O caminho à minha frente

Hoje é último dia do ano ...


Foi um ano longo, nem sempre direito, nem sempre tranquilo.

Houve buracos. Caí em muitos deles, contornei outros, contudo continuei a andar.

O caminho estende-se à minha frente. Tenho a sensação neste dia, ou não, de que um novo caminho se estende. Porém noto que afinal é sempre o mesmo, apenas hoje é como se contornasse uma esquina, e agora à minha frente, vejo, novamente, uma porção nova deste.

É bom, estou curiosa. Continuo sem saber onde esta canada me vai levar, mas quero descobrir... Também queres? Sim, tenho a certeza que essa é a resposta. Então vamos. Mochila às costas, sorriso no rosto e um pé à frente do outro...que maravilhoso é o desconhecido.

Como diz uma querida amiga: Esta coisa da vida é mesmo interessante.

Bom ano para todos



quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Quando o mundo fica confuso

Há dias em que acordamos e tudo está virado de pernas para o ar.
Dá medo ...
Dúvidamos dos dias que estão para vir,
Há falta de esperança,
Há falta de fé,
Parece tudo demasiado grande, para as nossas mãos pequeninas.

Quando nada parece plausível de ser feito, O que fazer então?

A mim só me resta uma coisa...olhar para a simplicidade do Amor. Aquela que esteja mais próxima de mim. Ficar ali e acreditar que tal como eu, o mundo inteiro também se pode render a ele.

Hoje olho para um dos seres da nova ninhada cá da Quinta. São quatro.
Chamo-lhes gatos terapêuticos.
Nasceram no meio de um mundo em profunda convulsão e, contudo, trazem consigo um tal poder de me impulsionarem um sorriso, que não duvido porque vieram, quem são, e porque estão aqui.
São os guardiões da minha alma.
Mantêm-na segura. Lembram-me o que é importante, o que tenho de escolher, o que devo fazer. São tão pequeninos e tão poderosos.

Este é contributo que me ensinam todos os dias a dar ao mundo... Um sorriso...A simplicidade do Amor.



sábado, 9 de julho de 2016

Estamos todos engavetados

Na quinta este fim-de-semana estamos todos engavetados. A humidade deve estar nos 1000%. A nuvem que nos cobre quase há uma semana, levantou um pouco, e os raios de sol espreitam, algo tímidos.
Nesta condições apetece isto mesmo, "engavetarmo-nos" na primeira gaveta disponível, e tal como as nossas cinco novas feras, preguiçar pela tarde fora.



Deixamos na horta os vegetais a crescer e o dia irá se arrastar sem grandes odisseias. À noite o jantar será composto de  pataniscas de feijão verde, uma versão da Quinta da Vinagreira dos peixinhos da horta. Estes terão um sabor especial porque os feijões verdes que os enriquecerão, vieram do Biotrocas organizado pela Gequesta em São Mateus no Domingo passado. Os feijões, entre outras maravilhas, cresceram na "Quinta Cá da Terra" com os quais troquei Okara estufada.
Imaginem que lá os feijões e outros vegetais, crescem sem adubos, pesticidas e herbicidas. Crescem na terra e são alimentados por ela...hmmm!!... Radical. Não ??

Para quem quiser ver o que cresce por lá, na "Quinta Cá da Terra" e quem sabe até enriquecer os seus pratos com os seus produtos maravilhosos, pois parece que se pode encomendar estas iguarias, aqui fica o endereço com a fotografia de um dos seus cuidadores. Sim, parece que estamos num mercado Vietnamita, mas é mesmo aqui na Terceira, com um Terceirense de gema.

https://www.facebook.com/quintacadaterra/?fref=ts
E agora a receita.



PATANISCAS FEIJÃO VERDE
I n g r e d i e n t e s


Preparação

- 250 gr de feijão verde
- 1 cebola
- 4 colheres sopa farinha polvilho
- 4 ovos
-1 Colher café açafrão-das-índias
- Cenoura pequena raspada
- Sal, pimenta branca
- raspa de limão





- Picar o feijão verde aos bocadinhos;
- Picar a cebola;
- Bater os ovos;
- Juntar todos os ingredientes e fritar colocando colheres de sopa do recheio.

Sugestões:Acompanhar com uma boa salada de Verão. Regar no prato as pataniscas com sumo de limão.

Bom Apetit ...




quinta-feira, 23 de junho de 2016

Os anos que eu tenho ...

Hoje faço 42 anos.

O que significa 42 anos?
Para alguém que tem vinte, certamente roça a noção de uma longa vida e um certo sentido de velhice.
Para alguém que tem sessenta, por certo é uma idade jovem, onde muito ainda há para viver.

Para mim, 42 anos resume-se a Tudo. A vida inteira. É tudo o que tenho, 42 anos de dias contados na terra.

Daqui deduz-se, sem mais ponto ou mais virgula que Tudo é como Nada. Os anos e o tempo são de uma relatividade absoluta.

Por isso no meu dia de quarenta e dois anos inaugurei um sonho. E um sonho é como a idade.

Hoje pintei a minha chaminé de amarelo ocre. Vesti uma das camisas que a minha mãe usou enquanto me carregava dentro dela e sentei-me junto à chaminé a olhar para o céu ...

Gosto deste sonho realizado ... esperava há muitos anos na gaveta... e sim quero olhar mais para o céu, é lá que estão as estrelas ...




sexta-feira, 17 de junho de 2016

Momentos ...


E o melhor é que o que se ama fazer não custa nada...Vou para a horta acabar o meu canteiro de batatas doces. Uma nova experiência ...Seja o que Deus quiser ;)

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