segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Desafio Blogueiro

Recebi um desafio da autora do blogue Colher de Mãe para responder a umas questões sobre mim e desafiar mais umas quantas e quantos autores/as de blogues com menos de 200 seguidores para também responderem a umas questões sobre eles e desafiarem mais uns quantos a fazerem o mesmo.
Por isso, hoje vim aqui, apenas para isso.


11 coisas sobre mim

  1. Adoro o aconchego da casa, com bichos esparramados por todos os lados e um tacho a fumegar no fogão de lenha
  2. Sonho eternamente em conseguir uma rotina de acordar com o nascer do sol, mas custa tanto deixar o quentinho da cama.
  3. Nunca consigo seguir uma receita, tenho sempre de acrescentar ou tirar qualquer coisa...resultado...nem sempre o melhor
  4. Fetiche ...assaltar casas abandonadas...é o meu lado negro
  5. Nada como comer uma sopa para aquecer alma...sou uma verdadeira sopeira
  6. Adoro encontrar tesouros no lixo, recolher móveis velhos e sonhar que um dia os vou recuperar
  7. Detesto casas excessivamente limpas...parece que não vivem lá pessoas
  8.  Verde, árvores, terra, pássaros a cantar, fins de tarde, disto tudo muito ...
  9.  Açores para nascer, viver e morrer
  10. Sonho um dia construir uma casa de terra, moldada à mão
  11. Yoga comigo, com os outros e com tudo
As 11 perguntas para responder:
1. Se pudesses fazer qualquer coisa como trabalho, o que escolhias?
Ser professora de yoga de todas formas e feitios, ser capaz de transformar e inspirar as pessoas através do yoga...sem dúvida nenhuma 
2. Como seria a casa dos teus sonhos?
OH meu deus...posso dizer que, em parte, já vivo na casa dos meus sonhos. Adoro o meu cantinho, mas amava ter uma casa em terra, toda construída com as mãos e os pés. Toda redondinha, com janelas redondas, com muitas flores, muita luz...um fogão rocket, daqueles que aquecem um sofá feito, também em terra. Até me brilham os olhos e palpita o coração só de pensar. 
3. Na tua casa, as cortinas estão sempre abertas ou fechadas?
Na verdade pode-se dizer abertas, porque não há cortinas ...preciso de muita luz, precisava era de abrir mais buracos para entrar mais luz :) 
4. Para o dia a dia, preferes a loucura da cidade ou a calma do campo?
Prefiro sempre, mas sempre a calma do campo, no dia a dia, nas férias, nos sonhos, onde for. A cidade só para passar de um campo para outro.
 
5. No dia a dia qual a coisa que mais te aborrece fazer?
 As rotinas diárias, em particular lavar louça, yaaaak
6. Onde e quando gostas de ler?

Adoro ler por aí, lá está uma coisa que gosto fazer na cidade, adoro passear com um livro na mão e sentar-me num café a ler...infelizmente por aqui, não existem cafés para se estar e ficar. Por isso leio à noite na cama e por vezes, se tomo pequeno almoço fora, mesmo assim, não sendo os melhores cafés para a leitura, consigo tirar algum gozo na leitura nesse momento. 
7. Um livro e um filme que te tenham feito sonhar.
Fernão Capelo Gaivota 
8. O que mais gostas de comer?
Sopa (acho que já tinha mencionado), atum com batata doce, sopas de leite com queijo São Jorge, Pão com queijo, sem lá tantas coisas...comer é mesmo comigo

9. Se não houvesse constrangimentos, quantos filhos terias?
Pergunta difícil, porque acho, verdadeiramente, que não tenho filhos porque não quero e não por constrangimentos. Mas se tivesse, no mínimo dois, e por aí adiante.
 
10. Rádio ou televisão?
Nem um nem outro, não fazem cá falta em casa. Trazem mundo a mais, não cabe depois tudo nesta casa pequenina

11. Qual o teu aroma preferido?
Terra molhada, sargaço do mar, rebanho de cabras, lenha a arder, tomilho da montanha do Pico...ups era só um 

Bem, como já estou há dias infinitos para conseguir escrever a pergunta para os restantes blogueiros e não me sai nada, vou passar à acção e publicar isto a metade... se for banida da comunidade blogueira por não cumprir as regras , que assim seja ...

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Salada e araçás para acalmar uma mente criativa

O que faz uma mulher sozinha em casa numa noite de Outono?
Loucuras :)

Tenho estado numa febre criativa imparável. Apetece-me mudar tudo. Pintar, forrar, mudar de sítio...começei a ficar assustada com esta minha vontade imparável de mudança. Assim, para afastar da cabeça os mil pensamentos de remodelação, pus-me a caminho do quintal. Claro está, lá trás surgem-me outros tantos planos para as culturas de Outono. Contudo, permaneci fiel ao objectivo e centrei-me apenas nas colheitas: uns tomates, uma grande courgete que me tinha escapado, um pimentão e derrepente no meio de um canteiro, pequenas bolinhas amarelas!!. Vejo mais de perto. Apanho uma com os dedos. São araçás. Já tenho araçás. Sorriso nos lábios, alegria no coração.

Olho para pequena árvore que ladeia o cateiro e aí, na sua altivez, os frutos parecem-me todos verdes. Estreitei o olhar e com mais atenção aqui e ali surgem umas bolinhas vermelhas. Colho-as e junto-as às amarelas que já tenho dentro do escorredor que servíu de cesto. A dúvida surge então na minha mente. Se os frutos da árvore são vermelhos, como é que os do chão são amarelos? No meu probre conhecimento sobre araçás, achava eu que existiam árvores que davam frutos vermelhos e outras que davam amarelos. Enfim sem resposta para a minha pergunta, regressei a casa imensamente feliz, traulitando uma canção qualquer. Amanhã a sobremesa será araçás com leite, umas das melhores iguarías do Outono, acreditem.


Feita a salada, voltei ao rodopio das mudanças. Dediquei-me ao meu suporte de palete dos sapatos do quarto. Com uma receita de tinta que descubri há pouco tempo, e mais uma lata de tinta quadro ardósia, fiz o trabalhinho num instante. Não é uma obra prima, essa preparo-a para mais tarde, mas o resultado agradou-me. Vejam lá como ficou e asseguir copiem a receita da salada de araçá com leite, que não se vão arrepender.



Salada de Araçá (mais simples e saborosa não há)
Uma mão cheia de araçás
Leite
Açúcar

Cortar os araçás em metades ou quartos, regar com açúcar, com generosidade, e finalmente cubrir com leite. Convém maturar bem, eu diría que dois dias é melhor que um, para ficar com uma consistência mais próxima do iogurte, mas se utilizarem leite gordo um dia é suficiente, também depende da proporção de araçás, por isso mesmo o melhor é ir verificando. Claro que a maturação faz-se no frigorifico. Apreciem ...


terça-feira, 29 de outubro de 2013

Para aqueles que partem ...



Sento-me aqui no silêncio da casa. Ao meu lado dorme tranquilamente a Pilritinha. Esperamos ambas pelo momento da partida que está para breve.

Hoje de manhã saí de casa com ela, convencida de que uma ida ao veterinário resolveria o problema da sua fraqueza de há dois dias para cá. Previsão errada, diagnóstico mau, sugestão eutanásia. Chorei ali mesmo, enquanto o veterinário esperava o meu veredicto. Nesses escassos momentos de indecisão, cheirei a sala desinfectada, senti o frio da mesa onde ela repousava, ouvi ladrares de cães que queriam voltar para casa.

Peguei na minha Pilrita e trouxe-a de volta a casa. É claro que ela vai morrer aqui, tal qual como viveu. E não serei eu, na minha pretensão de dona que quer evitar  o sofrimento do seu animal, que vou determinar quando ela deve partir. Cabe a ela, não a mim. A mim cabe-me trazê-la de volta a casa, em vez de a abandonar no conforto camuflado de uma morte num consultório veterinário. Está aqui, confortável na sua cadeira, com os cheiros, os sons e as presenças de todos nós.

Desejamos-te uma boa viagem, minha linda e pequenina Pilritinha.

Alguns dias depois - Quando escrevi este post, há alguns dias atrás, a minha Pilrita partia, e partiu efectivamente. Comigo ali ao seu lado e tranquila. Aprendi com ela a deixar ir e a dar mais um passo na compreensão e aceitação da incompreensível morte. Este ano já partiram mais dois companheiros cá na quinta: A Patas e o Vispelúcia . Não lhes prestei homenagem na altura, porque a despedida foi mais dolorosa,  e por isso difícil de exorcizá-la com palavras. A Pilrita, a pequenina gata da quinta, deu-me este presente, um coração pacificado para os que vão sem retorno, e a gratidão por terem partilhado comigo as suas intensas vidas. Bem hajam a todos.



quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Estrela de Feijão Verde



Clicar na música antes de começar a ler o post

Um dia a minha mãe disse-me:
- Quando fores grande  também vais dizer aos teus filhos para pôrem os gatos na rua.
Isto porque eu contestava que quando ela era pequena tinha os gatos dentro de casa e até lhes limpava os bigodes com o seu guardanapo, para irritação do meu avô.

Enfim, agora sou grande e graças a Deus que os gatos continuam dentro de casa. Talvez porque não tive filhos, ou talvez porque nunca tenha verdadeiramente crescido. Eu sou como era, e sou a minha mãe que limpava os bigodes aos gatos, e não sei mais quantas crianças pelo mundo fora que insistem que os gatos e os cães são para estarem onde bem lhes apetece, dentro ou fora de casa.

Aranhuscas, a gata velhota da casa
Brancolinho

É essa ausência de fronteira definida, entre onde começa o meu território e acaba o deles que hoje, na nostalgia da casa vazia de humanos (por uns dias apenas), sinto um conforto incompreensível na companhia silenciosa destes bichos. Enquanto me sento à mesa, depois de uma intensa aula de yoga, a comer uma sopa de tomate e feijões verdes da horta, olho-os compenetrados no simples prazer de estar e ser. Como pano de fundo a música da Fiona Joy Hawkins faz o resto, preenchendo os espaços vazios que sobram.

Ah, já me esquecia, a estrela de feijão verde ... Sinto-me também feliz  porque hoje consegui apanhar uma estrela de feijões verdes. Depois do fiasco da minha primeira plantação desta leguminosa, fiz uma segunda tentativa tardia, já no fim de Agosto ....  estão lindos. Há umas horas atrás encontrei-os cheios de flores e com pequeninas vagens e estes que coloquei na estrela que coroa o post, foram a minha primeira colheita.

Nota de rodapé: todas as fotografias dos bichos foram tiradas esta noite enquanto saboreava a minha sopa e contemplava a companhia deles.
Papotamo

Pilrita, ou Pilritinha porque ela é mesmo pequena

Truma, a tentar convencer alguém para lhe fazer uma festa na barrinha. A brilhar, por detrás, os olhos da Meia Leca
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