terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

E na Quinta da Vinagreira não se passa nada?

Por vezes, o silêncio pode ser profundo, a sugerir uma sucessão de dias vazios. Na Quinta, contudo, os dias nunca, nunca são vazios.


Se se passa alguma coisa na Quinta da Vinagreira?
Eu digo-vos: aqui, a eterna novidade dos dias é maravilhosa. Nem só temos seguido a máxima do Fukuoka, de ir para a horta faça chuva faça sol, contemplando as pequenas e subtis novidades de cada segundo, mas também o milagre da vida voltou a iluminar este quadradinho de terra perdido na ilha.

NASCERAM OS PRIMEIROS PINTOS DA QUINTA :)

 

Desculpem-me gritar... Mas não me contenho e transbordo.

Os primeiros pintos, imaginem só! Dez bolinhas penugentas e amarelas.

Foram tempos de uma ansiedade contida. Primeiro o desaparecimento misterioso da Cândida. Depois, a sua descoberta, aninhada debaixo de um feto, sobre 14 ovos. 21 dias de expectativa, até à eclosão dos ovos. O stress de não haver “encontros imediatos” entre os vários habitantes da Quinta e, finalmente, reuni-los todos no regaço, levando-os para a sua casa provisória, onde se farão pintos fortes para poderem partilhar o galinheiro com o resto da família. É uma longa sucessão de emoções que, como vêm, mostram que o silêncio da Quinta é na verdade uma melodia para a alma.


segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Horta em postites

Agora na Quinta é assim:



Está lá no alto, escarrapachado, mesmo em frente à cama. Não há como ignorar. Hoje, amanhã e por aí adiante são dias de horta.

Masanobu Fukuoka dá-nos o lema e nós só lhe acrescentamos as tarefas concretas. É importante este preciosismo da objectivação, não se dê o caso de até irmos à horta, mas ficarmos apenas a contemplar a erva a crescer... Com estes vinagreiros nunca se sabe :)

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Chiscar do fósforo

A Humidade e o frio penetram nas casas, na roupa, na pele. Tudo parece liquidificar-se.
Contudo, existe, na quinta, um feitiço para esconjurar o avançar tenebroso dos fungos e da humidade que empena os ossos. O talismã está debaixo da chaminé. É uma massa de ferro preta, enferrujada pelo o tempo.


Num chiscar do fósforo e no atear da chama, o monstro de ferro começa a tossir fumo e a soltar labaredas e então, nesse instante preciso, dá-se a magia e tudo se transforma, o fogão de lenha acende-se.
 
Ele domina as nossas vidas nestes tempos de Inverno. Tornamo-nos, com ele, seres pouco sociais. Estamos sempre a cheirar a fumo e cobertos por pinturas de guerra, feitas de marcas de cinza (faz parte do ritual). Ai, mas como ele nos aquece a alma e o corpo.

Acendemos uma vez por dia, enchemo-lo de panelas e cafeteiras e, lentamente, os jantares e os almoços, com sabor a lenha, vão seguindo para a mesa. A humidade e o frio do Inverno arrepiante, são compensados pelo o calor que os corpos absorvem do ferro aquecido pelo fogo. O som do calor das chamas a crepitar acorda os gatos na cozinha e lembra-os, que depois do fogão apagado, haverá uma superfície quentinha para se espreguiçarem uma tarde inteira.



Só queria um em cada quarto e excomungava assim esta humidade para todo o sempre.

sábado, 29 de dezembro de 2012

O meu sobrinho é vegan ...

“Molha de carne” e “Bacalhau com todos”, é assim que todos os anos a mesa da Ceia de Natal se compõe cá por casa. As tradições misturam-se trazendo um pouco de cada um para o prato. Nesta quadra, a molha é o prato típico da ilha do Pico, e o bacalhau remonta-nos a tradições mais continentais. Misturam-se as terras, os paladares e os genes, e a diversidade faz do nosso pequeno recanto um Universo.
- Cecília, sabes que o Tomás decidiu agora ser vegano. Diz uma das minhas irmãs.



Terríveeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeel... Parece gritar o coração de toda gente.
Há na família uma mistura de apreensão e desconfiança, com esta decisão de um dos meus sobrinhos. Por mim fico feliz. Este ano terei oportunidade de trazer para a mesa de Natal uma das minhas invenções vegetarianas. Poder-me-ei desafiar a criar um prato vegetariano para o Natal. É uma nova combinação, um novo elemento que nunca esteve presente antes e, como tudo, o que é novo causa desconfiança, principalmente quando vem de um rapaz com 13 anos... Não estamos habituados a mudar os hábitos por pessoas desta idade, não é suposto alterarem as tradições.
Pode ser efémera a opção, como a maioria é, nestas idades, contudo traz mais diversidade e inevitavelmente o nosso universo expande-se um pouco mais.
“Goulash”... Foi o que nasceu desta inspiração de tia. Este é um prato tipicamente carnívoro, vindo da Hungria. Já o comi na sua versão original e na sua terra natal. Em alguns aspectos assemelha-se à “Molha de carne”, por isso, esta versão vegetariana que descobri, pareceu-me ser o prato perfeito para a mesa de Natal. O seu segredo está na longa e lenta cozedura, associado ao aroma dos seus ingredintes.






A carne foi substituída pelo seitan, e o resto seguiu basicamente o caminho normal. Uma boa dose de paprica e pimentão, um fogão de lenha e um pote de barro. Resultou num prato fortemente aromático que, embora não sendo o preferido dos não veganos (basicamente toda a família menos o sobrinho convertido), foi aprovado e degustado por todos.
 
Ingredientes:
 

- Azeite (4 Colher de sopa)
- 3 cebolas, finamente picadas
- 4 dentes de alho, finamente picados
- 1 Colher de sopa de paprica doce ou colorau
- 6 tomates, finamente picados (eu utilizei de lata, porque nesta época não se encontra bom tomate maduro)
- 1 pimentão-vermelho, assado no forno
- 500g de seitan (pode usar-se soja em cubos ou hamburguers vegetarianos)
- Sal a gosto
- 2 Colher de sopa de tomatada
- 3-4 tomates secos, picados
- 1 Colher de sopa de açucar mascavado
- 1½ copo de água
- Coentros
- ¼ Colher de sobremesa cominhos
- 1 lata de feijão (usei feijão-vermelho)
- 3 folhas de louro
- 4 Colher de sopa de vinho tinto
- 3 Colher de sopa de vinagre balsâmico

 Preparação:
1.         Num tacho anti-aderente, aquecer o azeite. Adicionar as cebolas e deixar refogar por 2 a 3 minutos.
2.         Adicionar o alho e o seitan e, em lume baixo, cozinhar durante 10 minutos, até o seitan estar bem cozinhado.
3.         Polvilhar a paprica e deixar cozinhar, mexendo o seitan até que a parica fique bem incorporada.
4.         Adicionar todas as ervas, com excepção das folhas de louro. Mexer durante 1 minuto, e juntar a tomatada. Misturar e juntar os tomates e tomates secos. Deixar cozer 10 minutos, mexendo de vez em quando para não apegar.

5.         Adicionar o açucar, mexer outra vez, e juntar metade da água. Deixar cozer por mais 10 minutos, juntar a restante água e o resto dos ingredientes, excepto as folhas louro.  Deixar cozer mais 10 minutos.
6.         Transferir a mistura para um pote de barro ou ferro que possa ir ao forno. Juntar os pimentões assados e colocar por cima as folhas de louro. Cobrir com a tampa e vai ao forno pré-aquecido a 180ºC durante 1 hora.
7.         Servir quente. Bon Appétit!

Receita adaptada de http://mouthwateringvegan.com

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Natal

O Natal é fora da Quinta, noutra ilha, noutra casa,  mas que é casa também.

Natal é uma mesa cheia de gente que se ama. São irmãos, sobrinhos, pais,  marido. São os momentos quentes que se passam junto destas pessoas a preparar comida, a fazer decorações cheias de cheiros do campo. É acender o forno de lenha. É rir e sorrir ao ver todos juntos mais um ano. Isto é tudo quanto basta e mais para quê? ...

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