Não existe essa coisa de pessoa 'boa' ou 'má'; cada um de nós é capaz de grandes actos de gentiliza e generosidade como somos causadores do mal. O nosso desafio, enquanto humanos em evolução, é maximizar o primeiro e minimizar o segundo. ( Mark Boyle in O homem sem dinheiro)
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
Um tesouro na Quinta da Vinagreira
- Espreita
ali, espreita, espreita. Gritava o meu homem de cima do muro enquanto eu, no
curral, tratava das galinhas e das cabras. Espalhei o milho soltando sonoros
purPurpur Pur purpurPurpur Pur...
Assim que o milho acabou, corri para o outro lado
do curral e espreitei para onde o meu homem apontava: um pequeno buraco da
parede. Ali, vibrando à luz do sol, deste esplêndido dia de Outono, estava o
nosso tesouro. Não uma mão cheia, mas oito ovos das minhas bonitas galinhas.
Sorrimos triunfantes. Há quem queira encontrar a galinha dos ovos d’ouro, mas
nós, simplórios como somos, queremos mesmo as galinhas dos ovos que se comem.
Uma nova era começa na Quinta da Vinagreira.
Tal tesouro merecia ser degustado na sua plenitude. Inaugurámos esta época de abundância com um pequeno-almoço de ovos escalfados, acompanhados com pão torrado barrado com manteiga de mostarda e pimenta. E... o laranja vivo da gema iluminou a nossa manhã...
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
Reencontro com a Tanita Tikaram em noites solitárias
Os novos habitantes da Quinta, os livros, provocaram uma revolução de arrumação. Inevitavelmente fiz recontros e, também, algumas despedidas com muitos dos objectos que se acumulam no fundo das gavetas nunca mexidas.
Os cds da casa, como tudo o resto, mereceram uma revisitação. Nestes dias a música foi sendo debitada por vozes e toadas perdidas no pó dos armários. Não nos apercebemos, mas no ritmo dos dias acabamos sempre por ouvir e voltar a ouvir as mesmas músicas, enquanto outras teimam em ficar esquecidas. Assim reencontrei a Tanita, apenas em parte. Estava lá a caixa, mas o cd esse tinha partido para parte incerta. A verdade é que me deu uma vontade imensa de deixar a sua voz melancólica e outonal ecoar por estas noites mais geladas da Quinta, onde me encontro só outra vez.
A vontade é assim, um pretexto para fazer acontecer. Pus-me à sua procura na internet e encontrei-a com algumas das minhas canções favoritas. Pedi-lhe uma nota e ela veio comigo até a este cantinho do mundo.
Então, nesta noite solitária de Novembro, enquanto introduzo inquéritos intermináveis, deixo-me aquecer pela voz da Tanita Tikaram e uma caneca de chá de cidreira & alecrim.
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
Livros com Sabor
Livros, livros e mais livros. São pilhas deles que se espalham
pela sala. Enquanto pintava o quarto a que chamamos, por aqui, de escritório, o
meu homem desempacotava, com a felicidade de uma criança, os seus livros. Há
para quem os livros sejam a sua própria casa, e assim é para ele.
Já montámos as prateleiras e findas as pinturas começaremos a arrumar os livros. Antes de tudo isso há que comer, e tantas folhas encadernadas inspiraram-me para uma lasanha de soja.
Descobri, num armário da cozinha, um frasco de soja granulada completamente esquecido. Havia já há muito que não cozinhava soja. No início da minha vida de cozinheira vegetariana abusava bastante deste ingrediente. Temos aquela obsessão pela proteína e parece que só a soja nos pode valer para substituir a carne. Com o tempo vamos tornando esta cozinha tão intuitiva como qualquer outra e o mundo dos ingredientes torna-se infinito. Quando damos por nós já nem pensamos na dita proteína e a soja perde-se no fundo dos armários.
Assim, a soja, tal como os livros encaixotados à meses, viu finalmente a liberdade e saltou para a lasanha.
Preparação:
Já montámos as prateleiras e findas as pinturas começaremos a arrumar os livros. Antes de tudo isso há que comer, e tantas folhas encadernadas inspiraram-me para uma lasanha de soja.
Descobri, num armário da cozinha, um frasco de soja granulada completamente esquecido. Havia já há muito que não cozinhava soja. No início da minha vida de cozinheira vegetariana abusava bastante deste ingrediente. Temos aquela obsessão pela proteína e parece que só a soja nos pode valer para substituir a carne. Com o tempo vamos tornando esta cozinha tão intuitiva como qualquer outra e o mundo dos ingredientes torna-se infinito. Quando damos por nós já nem pensamos na dita proteína e a soja perde-se no fundo dos armários.
Assim, a soja, tal como os livros encaixotados à meses, viu finalmente a liberdade e saltou para a lasanha.
Ingredientes:
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Recheio
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Molho Branco
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* Folhas Lasanha
* 1 ½ Cháv. soja granulada
* ½ Pimentão picado
* 1 Cebola picada
* 2 Tomates maduros
* Tomatada( a gosto)
* 4 Dentes de alho
* 1 Folha de louro
* Paprica
* Vinho branco
* Molho soja (a gosto)
* Azeite
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* Azeite
* Farinha
* Leite
* Pimenta
* Sal
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Tempera-se a
soja de véspera com uma espécie de vinha d’alhos (alhos, sal, louro, paprica
e vinho branco). Refoga-se no azeite a cebola, o pimentão e o tomate. Depois adiciona-se a soja temperada e deixa-se refogar um pouco, acrescentado posteriormente o líquido do tempero. Acrescenta-sei um pouco de tomatada e molho de soja, deixando cozinhar por mais uns minutos. Entretanto prepara-se o molho branco fritando ligeiramente a farinha no azeite, acrescentando depois lentamente o leite. No fim tempera-se com pimenta, sal e o molho do refogado de soja. Por fim foi só montar às camadas, terminando com uma cobertura de queijo de São Jorge ralado e orégãos. E depois já sabem, é só comer... |
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
Bialys and Patas
Hoje acordei e olhei pela janela, aliás como faço
todos os dias. Em cima da casa da bomba da água, estava instalada parte da
família canina: o Papotamo, a Truma e a Patas. Ali estavam, esperando pacientemente o momento em que eu espreitasse pela janela e desse os bons
dias.
Descobri a receita dos bialys no meu livro Artisan Bread. Aquelas rodelinhas de massa com recheio no meio cativaram-me e andava há um bom par de dias para experimentar. Ontem à noite preparei a massa, que guardei no frigorífico e hoje ao jantar, depois de um dia no quintal, dediquei-me a fazer uma sopa de couves, acompanhada com bialys quentinhos do forno.
Ingredientes:
Recheio
1 Cebola
2 Colheres de sobremesa de sementes de papoila
Sal
Pimenta
Preparação:
A massa faz-se seguindo o processo do pão em cinco minutos que já publiquei aqui no blog. Depois da massa pronta, fazem-se pequenas bolas do tamanho de um pêssego e achatam-se ligeiramente, deixando levedar por 30 minutos. Entretanto refoga-se a cebola, até ficar translúcida e tempera-se no fim com sal e pimenta a gosto e juntam-se as sementes de papoila. Passada a meia hora, faz-se uma pequena depressão no centro de cada bolinha e recheia-se com uma colher de sopa da cebolada (pode-se colocar outros recheios a gosto). O forno é aquecido previamente a 230º e leva-se os bialys a cozer durante 12 minutos. Este é o tempo que diz na receita, mas os meus cozeram durante 20 minutos. Não deve secar muito, mas a massa tem de ficar bem cozida. E depois já sabem, é só comer.
A Patas estava altivamente instalada em cima da Truma. Para além do quadro ser
digno de registo, só por si, vocês não sabem o inédito do mesmo. Quando a Patas
chegou cá a casa, a Truma não ficou nada bem-disposta. Encarou a sua vinda como
uma grande ofensa e passou semanas amuada, fugindo para o seu canto. Claro
está, a Patas não ligou nenhuma a este protesto e decidiu, ao entrar na Quinta,
que a Truma seria a sua grande amiga. Podem ver quem levou a melhor nesta
história.
E como é que a Patas instalada em cima da Truma me levou até aos bialys. Na verdade, não levou, mas as duas histórias marcaram o dia, e mereciam ser contadas.
E como é que a Patas instalada em cima da Truma me levou até aos bialys. Na verdade, não levou, mas as duas histórias marcaram o dia, e mereciam ser contadas.
Descobri a receita dos bialys no meu livro Artisan Bread. Aquelas rodelinhas de massa com recheio no meio cativaram-me e andava há um bom par de dias para experimentar. Ontem à noite preparei a massa, que guardei no frigorífico e hoje ao jantar, depois de um dia no quintal, dediquei-me a fazer uma sopa de couves, acompanhada com bialys quentinhos do forno.
Estes
pãezinhos recheados são uma receita tradicional judia da Polónia.
Actualmente, penso que é nos EUA que estes são mais consumidos. Trata-se de um
pão ligeiramente adocicado, com uma ligeira depressão no centro, recheada com
cebola refogada e sementes de papoila. Podem-se acrescentar outros recheios,
mas este é o mais típico. Segui a tradição e também inovei um pouco, colocando
em alguns bialys queijo de São Jorge e um pouco do meu molho de tomate
italiano.... Hmmm marcharam quase todos, deixando-me numa depressão pós-jantar
digna de registo.
Ingredientes:
Massa
3 Copos água morna
1 ½ Colher sopa de fermento padeiro
1 Colher sopa sal
1 ½ Colher sopa açúcar
6 Copos de farinha
3 Copos água morna
1 ½ Colher sopa de fermento padeiro
1 Colher sopa sal
1 ½ Colher sopa açúcar
6 Copos de farinha
Recheio
1 Cebola
2 Colheres de sobremesa de sementes de papoila
Sal
Pimenta
Preparação:
A massa faz-se seguindo o processo do pão em cinco minutos que já publiquei aqui no blog. Depois da massa pronta, fazem-se pequenas bolas do tamanho de um pêssego e achatam-se ligeiramente, deixando levedar por 30 minutos. Entretanto refoga-se a cebola, até ficar translúcida e tempera-se no fim com sal e pimenta a gosto e juntam-se as sementes de papoila. Passada a meia hora, faz-se uma pequena depressão no centro de cada bolinha e recheia-se com uma colher de sopa da cebolada (pode-se colocar outros recheios a gosto). O forno é aquecido previamente a 230º e leva-se os bialys a cozer durante 12 minutos. Este é o tempo que diz na receita, mas os meus cozeram durante 20 minutos. Não deve secar muito, mas a massa tem de ficar bem cozida. E depois já sabem, é só comer.
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