terça-feira, 11 de setembro de 2012

Patas



 Pernalta, orelhas excessivamente grandes, olhos castanho-azeitona, salpicos de manchas castanhas por todo corpo. Simpática, bem disposta, com alguma traquinice. Dependente de companhia.

Esta é a Patas. O membro mais recente da Quinta da Vinagreira.
Já haviam 3 canídeos cá em casa e embora o ditado diga: quem tem duas tem três, neste caso será quem tem três tem quatro.

Chegou ontem à noite, depois de uma longa viagem de barco. Os membros da família da quinta, já residentes, estranharam-na. Cada um à sua maneira expressou a sua desconfiança. Uns rosnaram, outros amuaram, outros bufaram, outros olharam de longe, mas a Patas veio para ficar e o seu andar desengonçado e jeito humilde já conquistou os humanos, e não tarda nada a conquistar os outros.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Cores no cinzento do céu



Chove. O dia está de um cinzento pouco convidativo. Mas se o tempo lá fora é escuro e macambúzio, aqui, dentro de casa, decidi contrariar esta tonalidade. Hoje vou encher-me de cor. Vou pintar paredes.

 
 
Descobri, há algum tempo atrás, uma receita de tintas naturais, feitas com terra. E, claro, fiquei louca para experimentar. Comecei por seguir cegamente a receita mas, tal como na cozinha, rapidamente aldrabei tudo. Para além da cola branca, terra e água, juntei pigmentos de cal e, ainda assim, não estando satisfeita, peguei nas minhas aguarelas e foi um tal criar cores. Fiquei feliz, muito feliz. Sempre que me consigo libertar de coisas pré-feitas e sou tocada pelo dom da criação, encho-me de uma alegria infantil, e digo para o meu homem:

- Tive uma ideia genial.


Invariavelmente ele leva as mãos à cabeça. Mesmo assim continuo com a minha felicidade original, totalmente indiferente à descrença do mundo na minha alma de artista.
Já pintei as paredes da cozinha de um amarelo-ocre, o frontispício das bancadas de um vermelho-tijolo, os degraus da casa de banho e do escritório de um amarelo-alaranjado e castanho-tijolo. Hoje vou para a casa de banho, onde um verde que não sei definir e muito menos explicar como o criei, vai para as paredes. Perguntei ao meu homem:


_ Queres a casa de banho azul ou verde?

_ Azul.
_ Hmmmm...acho que vou pintar de verde, fica melhor com a cor do chão...

Como vêem, é natural o seu entusiasmo pouco efusivo com as minhas ideias geniais... É que, por mais intenções participativas que possa ter, acabo literalmente por fazer o que me apetece.


e quiserem ver a receita desta tinta fabulosa
, siga por aqui e deixem-se levar.


quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Sopa de beldroegas

 

Como não poderia deixar de ser foi no Alentejo que primeiro ouvi falar desta sopa. Esta nasceu ali, onde os alentejanos tão sabiamente sabem combinar umas ervas do campo, com uns pedaços de pão, ervas aromáticas e já está, um prato simples de encher a barriga e lamber os beiços. Só mais tarde, também no Alentejo, na cidade de Évora, é que provei a primeira versão. No entanto, não foi a sopa de beldroegas “original”, porque a época não era de beldroegas, e assim acabei comendo com espinafres.
Na Quinta da Vinagreira, muito longe do seu berço natal, é que comi pela primeira vez “a verdadeira” sopa de beldroegas, feita pelas mãos do meu homem. Nele residem uns quantos genes alentejanos, o que concede ao prato maior autenticidade.
As beldroegas foram apanhadas na quinta e nas redondezas. As batatas, produção cá de casa, e os queijos de cabra, planeados para ser da quinta, comprei-os no supermercado. Isto porque a Francisca, infelizmente, não nos saiu lá uma grande cabra leiteira.
Depois de reunídos todos os ingredientes, foi só passar para a panela e dar andamento à receita.
 
Sopa beldroegas (4 pessoas)

. 2 molhos de beldroegas

. 1 kg de batatas (pusemos menos)


. 4 cabeças de alho (a meu ver pode substituir por alguns dentes)


. 2 queijos brancos de cabra (usei Queijo de Palhais)

. 4 ovos

. 1,5 de azeite

. Sal


Arranjam-se as beldroegas e escaldam-se. Num tacho fritam-se ligeiramente os alhos e depois juntam-se as beldroegas, refogando ligeiramente. Deita-se água suficiente para a sopa, o queijo, partido em quartos, deixando ferver. Depois juntam-se as batatas cortadas às rodelas grossas. Quando estiverem quase cozidas escalfam-se os ovos. O sal deve ser rectificado, mas os queijos já contribuem bastante para o sal deste prato, pelo que se recomenda alguma parcimónia.


Serve-se esta sopa com pão (de preferência alentejano) às fatias. Separam-se as beldroegas, as batatas, os ovos, o queijo e os alhos numa travessa e serve-se o caldo para regar as sopas. Eu servi tudo junto, e quanto ao  queijo, nem vê-lo, derreteu-se completamente, mas o sabor esse ficou lá, inconfunível.
Espero que aproveitem a época das beldroegas e experimentem esta sopa. Bom Setembro a todos.


domingo, 2 de setembro de 2012

Plantas da minha terra – Beldroegas



Beldroega do meu canteiro de aromáticas



A beldroega (Portulaca oleracea) foi introduzida nos Açores. Apesar de muitas pessoas a considerarem uma erva daninha, outros conhecem-lhe o sabor e as propriedades mais que benéficas para a nossa alimentação. Para quem não sabe, esta despretensiosa planta é rica em Omega 3, esse ácido gordo tão importante para a saúde.

Se os açorianos não descobriram ainda as maravilhas culinárias das folhas de beldroega, há outros que há muito já o fizeram: os Alentejanos. Com ela fazem saladas e principalmente belas sopas. É de uma destas que no próximo post vos vou falar. A “Sopa de beldroegas com queijo de cabra”.
As sementes, aquelas minúsculas bolinhas pretas, que a maioria das pessoas se tenta desfazer por parecerem sujeira, são também comestíveis, ricas em ácidos gordos e proteínas. Há, inclusivé, quem as colha, por incrível que possa parecer, para serem utilizadas em pães, panquecas, etc...

Para uma recolectora como eu, apanhá-la pelos campos é uma boa alternativa. Contudo, fica aqui o aviso; para esta planta, como para outras, devemos ter o máximo cuidado na recolecção. Evitem sobretudo as bermas dos caminhos e escolham locais que vos pareçam improváveis para a aplicação de herbicidas. Infelizmente começam a rarear, e a recolecção, esta actividade que está nos nossos genes ancestrais, torna-se cada vez mais perigosa, com o uso generalizado e exagerado dos herbicidas... Um dia destes conto-vos uma história acerca disto...

Ficha da espécie

Espécie
Portulaca oleracea L.
Nome Comum
Beldroega
Família
Portulacaceae
Naturalidade
Introduzida
Distribuição Açores
Flores
Corvo
Faial
Pico
S.  Jorge
Graciosa
S. Miguel
St. Maria
Colhida em:
Quinta da Vinagreira – São Bartolomeu

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Fruta da época – Tomates recheados

Tomateiro da Quinta Vinagreira em plena produção.
Uma das coisas maravilhosas desta vida é comer os frutos, os legumes e as hortaliças da época. É aí que nos recordamos dos verdadeiros sabores. Hoje com o acesso generalizado aos alimentos, perdemos a noção desse sabor especial que está intimamente ligado à terra e a uma época do ano. Experimentem a comer uma castanha no outono, uma laranja no Inverno, umas favas na Primavera, um tomate no Verão e depois contem-me a diferença.
 

Hoje para o almoço fiz tomates recheados. Uma receita simples e deliciosa. Os tomates que cozinhei foram-me oferecidos pela Dona Paulina das Cinco Ribeiras. Cá na Quinta, apesar das imensas expectativas para a produção deste ano, uma série de azares fizeram deles uma raridade que comemos sempre com um grande ritual, apreciando cada dentada como se fosse o maior tesouro do mundo.

Deixo-vos então esta magnífica receita. Experimentem com a vossa produção caseira ou com alguns bons tomates que percebam que tenham vindo de uma terra sã ou de um bom agricultor.


Tomates recheados da Quinta da Vinagreira.
 Ingredientes:

 - 4 Tomates médios
- 1 Cebola
- 1 Raminho de salsa
- 150 gr de arroz
- Sal
- Azeite

Confecção:

1. Retire as tampas dos tomates e escave os seus interiores, reservando a sua polpa.
2. Pique a cebola, a salsa e o tomate. Tempere o tomate escavado com sal grosso.
3. Cozinhe o arroz temperado com sal. Depois de cozido junte aos restantes ingredientes, preparando, assim, o recheio.

4. Recheie o interior de cada tomate com o recheio e regue com azeite. Cubra com as tampas e leve ao forno por 30 minutos, a 200 graus.

Receita adaptada da Revista Cozinha Vegetariana
 
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