segunda-feira, 21 de maio de 2012

Em Terra de Narcejas ...

 

Imensidão da Paisagem: Caldeira Guilherme Moniz.

Nem todos os dias são dias de quinta. Há aqueles momentos que nos despedimos dela pela manhãzinha e só regressamos ao fim do dia, e pelo meio perdemo-nos em algum recanto da ilha. E assim foi este Domingo. Pegámos nas nossas mochilas, empacotámos um repasto simples e fomos terra a dentro em busca de narcejas.
Para quem não faz ideia do que são narcejas, digo-vos já: são, segundo a definição do meu homem, a “Ave mais linda”. É uma ave, desproporcionalmente bicuda, de voo disparatado e que faz a parada nupcial mais fenomenal das aves dos Açores. Se quiserem saber mais sigam até ao site Aves dos Açores e deixem-se encantar. Estas incríveis aves vivem no interior da ilha, em zonas húmidas com juncais e turfeiras.
Fomos à sua procura em pleno coração do território dos touros bravos, na Cancela das Lagoas. Fui conhecer esta zona que há muito queria visitar, mas a presença daqueles bichos pretos cornudos, juntos em manadas consideráveis, levava-me a deixar sempre para outro dia a visita.

Eu a olhar para os touros e os touros a olhar para mim.

 Foi fantástico. Subimos e  descemos cabeços, percorremos turfeiras, juncais, charcos, lagoas escondidas, imensidões de paisagem, vimos manadas de touros em fuga e outras de longe a nos seguir com o olhar, piquenicámos estendidos na erva, e claro, vimos narcejas; não muitas, mas lá descobrimos algumas, levantando-as aos nossos pés nos seus voos em zig-zag. Conseguimos até encontrar uma ave rara: um chasco-cinzento, passarito continental que às vezes se perde e vem até às nossas ilhas encantadas (ver registo Aves dos Açores).
Aqui ficam alguns momentos de um dia fora da Quinta da Vinagreira.

Alinhamentos de domas.



Onde andam as narcejas?



Descanço merecido num hummock de musgo


terça-feira, 15 de maio de 2012

Pão Caseiro em 5 minutos por dia


Pão de centeio cozido no fogão a gás da Quinta da Vinagreira
A  pedido de algumas famílias, em vez da minha 3º receita de favas, lanço aqui a receita do pão que revolucionou a Quinta da Vinagreira.

Andávamos a pensar há algum tempo que devíamos começar a fazer pão em casa, mas a ideia, apesar de me agradar, deixava-me um pouco apreensiva. As minhas tentativas anteriores de fazer pão nunca tinham sido muito bem sucedidas,  além do tempo que se despendia, normalmente não saía grande coisa. Então pus-me a pesquisar na internet, e num blog, que já esqueci o nome, descobri a mágica receita de pão: fácil, rápida, prática e raramente sai mal. O único senão vai para o pecado da gula. Com um pão a sair quentinho todos os dias, as tentações são mais do que muitas.
A receita foi inventada por dois americanos (só podia), numa associação improvável: uma chefe de pastelaria, Zoë François e um médico, Jeff Hertzbergv. Neste momento já vão na publicação do seu 3º livro, baseados em variações à sua  receita e método base de fazer pão. Adquiri há pouco tempo o meu primeiro livro. Chama-se Artisan Bread in Five Minutes a Day, e vale bem o investimento, embora com a receita base já se possa fazer muita invenção. Os outros livros publicados posteriormente são: Healthy Bread in Five Minutes a Day e Artisan Pizza and Flatbread in Five Minutes. Se tiverem interessados aqui vão os links para comprarem:

A ideia desta forma de fazer pão é preparar uma massa em 5 minutos, misturando só os ingredientes e depois de pronta pode ser guardada no frigorífico até 15 dias. Em qualquer altura pode-se tirar um pouco de massa e fazer um magnífico pão fresquinho.
Vou-vos dar a receita de base, a partir da qual podem ir fazendo alterações para verem o que resulta melhor. Como por exemplo: substituir parte da farinha trigo por outras farinhas, colocar recheios como ervas, azeitonas, etc.... Foi assim que fiz no início.
Receita base do pão em 5 minutos
É necessário um recipiente plástico tipo balde com uma capacidade de 4 litros (como se pode ver no vídeo).
Ingredientes
·         3 copos de água morna
·         1 ½ colher de sopa fermento de padeiro
·         1 colher de sopa de sal grosso
·         6 ½ copos de farinha trigo sem fermento
1 copo = 1 chávena = 1 cup = 235 ml


Preparação:
No recipiente dissolver na água morna o fermento e o sal. Juntar depois a farinha e mexer com uma colher de pau, apenas o suficiente, para que a massa fique homogénea (também se pode usar a mão, mas é uma massa muito peganhenta). Tapar com a tampa (mal fechada) ou um pano e deixar repousar fora do frigorífico durante 2 horas. Actualmente faço uma versão modificada desta receita. A massa fica a repousar cerca de 8 horas e leva muito menos fermento (apenas uma colher de chá). Eu gosto mais desta versão, porque acho que a receita original sabe um pouco a fermento o que me desagrada. Quanto ao aumento do tempo de levedação até acho mais prático, porque preparo à noite e de manhã está pronto para cozinhar ou guardar.

A partir daqui, podem formar-se as bolas de massa para cozer ou colocar a massa no frigorífico, onde se pode conservar até 15 dias. Quando necessitarmos de cozer o pão, deve-se pegar na massa com as mãos enfarinhadas, formando a bola do tamanho desejado; para isso, deve-se manusear a massa o menos possível, dobrando-a para baixo, de modo a que não perca as bolhas de ar formadas. A massa deve ser colocada sobre um tabuleiro enfarinhado com farinha de milho ou sobre uma folha de papel vegetal anti-aderente. Num método mais à Quinta da Vinagreira uso folhas de couve/conteira como suporte anti-aderente. Antes de ir para o forno, deixa-se repousar à temperatura ambiente, durante 30 a 40 minutos. Deve aquecer-se o forno, previamente, a 2300 e o pão vai a cozer entre 30 a 40 minutos (no meu fogão de gás demora cerca de 40 minutos, enquanto que no fogão de lenha demora uns 30 minutos).
E Voilá ... pão quentinho sobre a mesa. Na verdade penso que é melhor deixar arrefecer para ficar com boa consistência, mas aqui por casa normalmente não tem tempo para isso ;).

Adicionei aqui um vídeo do YouTube dos autores, pois ajuda sempre com imagens, bem como o link para o site dos mesmos, onde surgem ideias engraçadas. E, claro, termino com as fotos dos meus dois últimos pães, para verem que a produção aqui na Quinta da Vinagreira é em massa, ahahha.

Pão com 20% farinha integral e sementes

Pão 100% integral com mel e azeite. Não foi dos mais apreciados por aqui.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Favas à avó Ilda

Avó Ilda e avô Melo na sua cozinha em Santo António do Pico.

Conheci a avó Ilda até aos seis anos, mas os seus cheiros ficaram impregnados na minha memória para sempre. O cheiro da cevada aquecida na cafeteira de esmalte, as rosquilhas feitas no forno, a sopa de salsa, as bolas de massa de farinha de milho para as galinhas ou os pacotes de picocas em sacos de açucar de 1kg que nos oferecia pelas festas. Era uma avó gordinha, doce e sorridente, daquelas avós que nos queremos perder num abraço quentinho.

Esta receita de “Favas à avó Ilda” é bastante simples, fácil e rápida. Com tanta simplicidade poderia duvidar-se do resultado, mas eu gosto imenso; não sei se é por me trazer a avó Ilda de volta e saber a nostalgia, mas é uma receita que gosto de repetir, todos os anos, quando abundam as favas.
 Ingredientes
·         Favas
·         Azeite
·         Coloral
·         Picante (malagueta)
·         Pimenta branca

Cozer as favas em água e sal. Depois de cozidas, fazer um molho com azeite, colorau, pimenta branca, e picante e água da cozedura das favas. O molho tem de ser abundante em azeite. Depois, regar as favas cozidas com este molho e abafar uns 10 minutos; finalmente, claro, é só comer. 

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Favas de Festa à moda do Pico

A tirar as favas da horta da Quinta da Vinagreira
Hoje, apesar do tempo chuvoso, foi dia de favas na Quinta da Vinagreira. Só nos faltava um pequeno canteiro para tirar da terra. Este foi cultivado num canto mais sombrio e, além disso, segundo o calendário lunar biodinâmico, tinham sido plantadas no dia errado. Por uma razão ou por outra, ou quem sabe pelas duas, desenvolveram-se menos e só hoje saíram da terra. Num trabalho de equipa, o meu homem arrancou-as, eu tirei as favas, e juntos descascámos. Foi num instante. Rendeu quase um balde de favas; contas feitas, deu para o nosso almoço, para o jantar, e ainda para guardar um pacotinho no congelador, onde irá fazer companhia a outros que já lá estão à espera de um dia servirem de repasto à mesa da Quinta da Vinagreira.
Hoje fiz “Favas da festa”, como lhes chamamos na ilha do Pico. Na verdade, esta receita, simples, que é usada tradicionalmente nas festas de Verão como petisco nas tascas, é feita com fava seca. No entanto, a vontade de as comer era tanta que decidi cozinhá-las mesmo tenras... e marcharam.
Aproveito assim o mote das favas para iniciar o primeiro de três posts para passar três receitas do Pico. Uma delas é esta, a das festas, e as outras duas são receitas lá de casa. Receitas que se faziam na época das coisas, no tempo das favas. Assim, quando as favas saíam da terra, recheavam os nossos jantares e almoços. As “Favas à avó Ilda” eram uma receita típica de jantar, e as “Favas guisadas” eram mais propensas aos almoços. Fosse qual fosse a receita, elas sabiam sempre divinamente, porque como diz o adágio: “Não há nada como a fruta da época”.
Assim, aqui vos deixo a primeira das minhas três receitinhas picarotas, quem sabe ainda aproveitam alguma agora no tempo das favas.
Favas da festa

Ingredientes:

·         Cebola (muita cebola, não sei dizer a quantidade, mas tem de ser abundante porque é a
 base do prato)
  • ·         Alho
  • ·         Sal
  • ·         Malagueta
  • ·         Azeite

Cozer as favas. Depois fazer uma cebolada, refogando o alho e a cebola. Temperar com bastante picante (não esquecer que isto é receita de petisco). Depois da cebolada estar translúcida juntar as favas e deixar refogar tudo junto. Retificar o sal. E já está.

Preparação das favas de festa à moda do Pico.
 Esta malagueta é picarota, da minha amiga Rosa que me ofereceu com muito carinho
 Como vêem pela foto, acompanhei com uns grelos (da horta da amiga Cândida) salteados e umas batatas da quinta  salteadas com gengibre. De comer e chorar por mais.
Amanhã cá virá mais uma receitinha.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Não há miséria que não dê fartura

De volta à casa da Odisseia de uma Dieta. Nestes últimos tempos, estando já muito próximo da minha fasquia final, e tendo toda esta odisseia demorado muito menos que o previsto, amainei as minhas disciplinas diárias de dieta. Não que tenha começado para aí a abusar, me enfardando de pão com queijo ou uns saborosos enchidos regados de bom vinho. Nada disso. Contudo, com os primeiros temperos a Outono e falta de quem me arraste da casa para calcurrear as canadas desta ilha, as minhas caminhadas diárias reduziram-se quase à insegnificância.

Assim esforçando-me relativamente pouco para perder as 5 gramas que faltavam, decidi-me hoje a uma nova pesagem. O meu homem que se ausentou durante umas semanas, jurou, ao chegar, que estava mais magra. Eu contudo desacreditei. O olhar dos outros, no entanto, é por vezes mais certeiro que o nosso e feitas as contas e pesos à parte a balança da farmácia da esquina da Rua Direita (a que me sempre peso) dava hoje a modesta quantia de 58, 60Kg. Estão a ver isto!... sem esforço aparente perdi mais 1,75 kg, passando abaixo do previsto e pretendido. Agora tenho de me pôr a comer muito para chegar aos 60,10 kg ahhahahaha.

Pus-me a pensar o que teria levado a isto. Não se desse o caso de alguma coisa estar descontrolada e o meu corpinho se ter viciado em perder peso. Garanto-vos que não estou anoréxica. Continuo a comer com prazer e mesmo que por vezes a minha digestão se arraste-se mais do que o normal, deixo este corpinho assimilar tudo o que come.
 Ocorreu-me então a solução: os magníficos Batidos Verdes.

Essa bebida verdosa e aparentemente pouco apetitosa, passou a fazer parte dos meus pequenos almoços (2 copos grandes) e lanches (1 copo). Chegou até mim  através do grande mestre Avelino Ormonde e o seu poder das folhas.

Passou-se que recentemente fiz um curso de agricultura biológica, dado pelo Avelino e de muitas e maravilhosas coisas que aprendi, o poder das folhas nos batitos verdes foram uma delas. Convenceram-me em absoluto. A bebida e o alimento perfeito para o corpo. Uma mistura igual de folhas verdes e frutas batidas no liquificador a alta rotação fazem estas maravilhosas folhas libertar tudo de bom que têm e vejam só: vitaminas, minerais, proteínas, anti-oxidantes, açucares,  enfim um manencial inimaginável. Não me vou alargar aqui no assunto, deixando tema para a conversa de amanhã que será acompanhada de uma fotografia do meu batido matinal. Será uma forma de todos fazerem uma careta e logo asseguir irem a correr experimentar.

Por agora só vos posso deixar água na boca. Com homem hoje na cozinha, já me cheira a peixinho assado. Hmmm que belo jantarinho me espera.
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