sexta-feira, 11 de maio de 2012

Favas à avó Ilda

Avó Ilda e avô Melo na sua cozinha em Santo António do Pico.

Conheci a avó Ilda até aos seis anos, mas os seus cheiros ficaram impregnados na minha memória para sempre. O cheiro da cevada aquecida na cafeteira de esmalte, as rosquilhas feitas no forno, a sopa de salsa, as bolas de massa de farinha de milho para as galinhas ou os pacotes de picocas em sacos de açucar de 1kg que nos oferecia pelas festas. Era uma avó gordinha, doce e sorridente, daquelas avós que nos queremos perder num abraço quentinho.

Esta receita de “Favas à avó Ilda” é bastante simples, fácil e rápida. Com tanta simplicidade poderia duvidar-se do resultado, mas eu gosto imenso; não sei se é por me trazer a avó Ilda de volta e saber a nostalgia, mas é uma receita que gosto de repetir, todos os anos, quando abundam as favas.
 Ingredientes
·         Favas
·         Azeite
·         Coloral
·         Picante (malagueta)
·         Pimenta branca

Cozer as favas em água e sal. Depois de cozidas, fazer um molho com azeite, colorau, pimenta branca, e picante e água da cozedura das favas. O molho tem de ser abundante em azeite. Depois, regar as favas cozidas com este molho e abafar uns 10 minutos; finalmente, claro, é só comer. 

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Favas de Festa à moda do Pico

A tirar as favas da horta da Quinta da Vinagreira
Hoje, apesar do tempo chuvoso, foi dia de favas na Quinta da Vinagreira. Só nos faltava um pequeno canteiro para tirar da terra. Este foi cultivado num canto mais sombrio e, além disso, segundo o calendário lunar biodinâmico, tinham sido plantadas no dia errado. Por uma razão ou por outra, ou quem sabe pelas duas, desenvolveram-se menos e só hoje saíram da terra. Num trabalho de equipa, o meu homem arrancou-as, eu tirei as favas, e juntos descascámos. Foi num instante. Rendeu quase um balde de favas; contas feitas, deu para o nosso almoço, para o jantar, e ainda para guardar um pacotinho no congelador, onde irá fazer companhia a outros que já lá estão à espera de um dia servirem de repasto à mesa da Quinta da Vinagreira.
Hoje fiz “Favas da festa”, como lhes chamamos na ilha do Pico. Na verdade, esta receita, simples, que é usada tradicionalmente nas festas de Verão como petisco nas tascas, é feita com fava seca. No entanto, a vontade de as comer era tanta que decidi cozinhá-las mesmo tenras... e marcharam.
Aproveito assim o mote das favas para iniciar o primeiro de três posts para passar três receitas do Pico. Uma delas é esta, a das festas, e as outras duas são receitas lá de casa. Receitas que se faziam na época das coisas, no tempo das favas. Assim, quando as favas saíam da terra, recheavam os nossos jantares e almoços. As “Favas à avó Ilda” eram uma receita típica de jantar, e as “Favas guisadas” eram mais propensas aos almoços. Fosse qual fosse a receita, elas sabiam sempre divinamente, porque como diz o adágio: “Não há nada como a fruta da época”.
Assim, aqui vos deixo a primeira das minhas três receitinhas picarotas, quem sabe ainda aproveitam alguma agora no tempo das favas.
Favas da festa

Ingredientes:

·         Cebola (muita cebola, não sei dizer a quantidade, mas tem de ser abundante porque é a
 base do prato)
  • ·         Alho
  • ·         Sal
  • ·         Malagueta
  • ·         Azeite

Cozer as favas. Depois fazer uma cebolada, refogando o alho e a cebola. Temperar com bastante picante (não esquecer que isto é receita de petisco). Depois da cebolada estar translúcida juntar as favas e deixar refogar tudo junto. Retificar o sal. E já está.

Preparação das favas de festa à moda do Pico.
 Esta malagueta é picarota, da minha amiga Rosa que me ofereceu com muito carinho
 Como vêem pela foto, acompanhei com uns grelos (da horta da amiga Cândida) salteados e umas batatas da quinta  salteadas com gengibre. De comer e chorar por mais.
Amanhã cá virá mais uma receitinha.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Não há miséria que não dê fartura

De volta à casa da Odisseia de uma Dieta. Nestes últimos tempos, estando já muito próximo da minha fasquia final, e tendo toda esta odisseia demorado muito menos que o previsto, amainei as minhas disciplinas diárias de dieta. Não que tenha começado para aí a abusar, me enfardando de pão com queijo ou uns saborosos enchidos regados de bom vinho. Nada disso. Contudo, com os primeiros temperos a Outono e falta de quem me arraste da casa para calcurrear as canadas desta ilha, as minhas caminhadas diárias reduziram-se quase à insegnificância.

Assim esforçando-me relativamente pouco para perder as 5 gramas que faltavam, decidi-me hoje a uma nova pesagem. O meu homem que se ausentou durante umas semanas, jurou, ao chegar, que estava mais magra. Eu contudo desacreditei. O olhar dos outros, no entanto, é por vezes mais certeiro que o nosso e feitas as contas e pesos à parte a balança da farmácia da esquina da Rua Direita (a que me sempre peso) dava hoje a modesta quantia de 58, 60Kg. Estão a ver isto!... sem esforço aparente perdi mais 1,75 kg, passando abaixo do previsto e pretendido. Agora tenho de me pôr a comer muito para chegar aos 60,10 kg ahhahahaha.

Pus-me a pensar o que teria levado a isto. Não se desse o caso de alguma coisa estar descontrolada e o meu corpinho se ter viciado em perder peso. Garanto-vos que não estou anoréxica. Continuo a comer com prazer e mesmo que por vezes a minha digestão se arraste-se mais do que o normal, deixo este corpinho assimilar tudo o que come.
 Ocorreu-me então a solução: os magníficos Batidos Verdes.

Essa bebida verdosa e aparentemente pouco apetitosa, passou a fazer parte dos meus pequenos almoços (2 copos grandes) e lanches (1 copo). Chegou até mim  através do grande mestre Avelino Ormonde e o seu poder das folhas.

Passou-se que recentemente fiz um curso de agricultura biológica, dado pelo Avelino e de muitas e maravilhosas coisas que aprendi, o poder das folhas nos batitos verdes foram uma delas. Convenceram-me em absoluto. A bebida e o alimento perfeito para o corpo. Uma mistura igual de folhas verdes e frutas batidas no liquificador a alta rotação fazem estas maravilhosas folhas libertar tudo de bom que têm e vejam só: vitaminas, minerais, proteínas, anti-oxidantes, açucares,  enfim um manencial inimaginável. Não me vou alargar aqui no assunto, deixando tema para a conversa de amanhã que será acompanhada de uma fotografia do meu batido matinal. Será uma forma de todos fazerem uma careta e logo asseguir irem a correr experimentar.

Por agora só vos posso deixar água na boca. Com homem hoje na cozinha, já me cheira a peixinho assado. Hmmm que belo jantarinho me espera.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Frascos,Frasquinhos e Frasquetes ...

Final do Verão, aproximando-se Setembro, começa um tempo tropeção, com chuvadas graúdas, aragens frescas e mares mais agrestes. Vai-se tornar escassa a fartura do Verão e a ideia que o ano não é feito só de dias de sol começa a tomar espessura no espírito. È por isso a altura ideal, de tal como as formigas, armazenar para o longo e sempre difícil Inverno.

È o tempo das uvas, dos figos, das amoras, das uvas-da-serra...sim é esse tempo adorável das compotas, mas também dos pickles (curtumes). È altura de enfrascar, se me permitem o termo.
Adoro este acto de armazenagem. Primeiro é claro porque ele é sempre antecedido pela recolha, e a recolha implica campo, ar livre e passeios. Adoro pegar no meu saco e ir por essas canadas recolhendo os frutos que o Verão ainda oferece.
Tenho o verdadeiro espírito do recolector e por isso talvez o mês de Setembro é o meu mês favorito por excelência.

Este ano comecei as minhas artes recolectoras ainda antes deste mágico mês. Era ainda Julho e já andava eu a deambular em busca de qualquer coisinha para apanhar. Andava pelas rochas do Pico a apanhar perrexil, pelos campos da ilha em busca de oregãos e poejo. Enfim, consegui um bom molhe de oregãos, bons para o Inverno, e 17 frascos de curtume.

Um dos meus frasco coloridos de curtume

Este ano não podia falhar o curtume. Tenho sempre na memória os grandes frascos de vidro grosso que a minha mãe enchia de perrexil, tomates verdes e cebolas e que nos alimentavam o Inverno inteiro. Este ano em casa dos pais, com o quintal da minha mãe e a sua orgulhosa cultura orgânica, haviam os ingredientes todos, só faltava mesmo um bom molhe de perrexil da beira costa. E assim foi que entre passeios de saco na mão colhemos o sufiente para esta bela quantia de frascos coloridos que decoram agora o topo do meu frigorífico.

Embora mais uma partida se avizinhe espero na chegada ainda encontrar umas amoras e que os meus figos se resolvam a amadorecer. Quero encher a casa de frascos, frasquinhos e frasquetes cheios de Verão ...

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

O dia à dia da Odisseia de uma Dieta ...

Hoje foi mais um daqueles dias pecaminosos. Candida,a  minha amiga do coração, fez hoje os seus 38 aninhos. Já agora um grande Parabéns a ela, principalmnete porque agora fica mais velha que eu..ahahahha. E anos de uma melhor amiga a que vos cheira no regime diário de alguém que anda em dieta? Mal, só pode. Entre uma bela feijoada e o bolo absolutamente pecaminoso da Liliana, lá cá vieram parar mais umas fabulosas calorizinhas...

Bem, mas mudando de assunto para não deprimir em demasiado...para além de que amanhã vou dar uma caminha dupla em mote de compensação, vou hoje aqui deixar, a pedido de algumas famílias, o dia a dia (o bem comportado, é claro) da odisseia de uma dieta. O que tirei e que o que introduzi nas minhas deambulações diárias.
Assim digamos que a lógica geral foi comer menos e fazer mais exercício. O dia começa então assim:
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...