quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Regresso...

Após o suspense do dia da verdade, fiz um silêncio profundo aqui no blog. Este podería agoirar um abandono do meu objectivo, talvez face a um resultado pouco simpático da balança...Tudo errado, se os meus seguidores pensavam que desistia, nem pensar nisso. É que alguns contratempos apareceram no meu caminho e afastaram-me desta vida de bloguista. Primeiro foi a balança. Como queria me pesar numa balança de farmácia, já que a primeira pesagem tinha sido feita numa destas e acreditava assim mais no resultado, vi o meu plano ir pela água abaixo, pois a balança da farmácia de São Roque do Pico estava avariada..ups...e depois seguiram-se rigorosamente as férias viajando para a outra ponta do arquipélago, para Santa Maria e depois para São Miguel e onde a internet não fazia parte dos meus planos. Só atraquei novamente na Terceira antes de ontem e só ontem fui à mesma farmácia e à mesma balança saber o veredito de quase 1 mês e meio de dieta. Escusado será dizer que estes 10 dias de férias mereceram quase todos uma cara feia. Poucas caminhadas e provas da gastronomia local das duas ilhas, não me permitiram grande fidelidade ao plano da Odissei de uma Dieta.

Vamos fazer resumo das férias do ponto de vista da Odisseia:

:) - Pontos Positivos  - tiveram nos pequenos almoços em Santa Maria, sentada na nossa casinha do Arrebentão em Santa Bárbara, contemplando a paisagem e comendo pão (caseiro belícimo, mas sempre em doses controladas) acompanhado de queijo fresco. Alguns jantares bem comportados, as meloas da Graciosa, umas braçadas na Praia Formosa e o passeio à volta da lagoa das Furnas.


Vista da mesa do pequeno almoço. Arrebentão, Santa Bárbara (Santa Maria).

Lagoa das Furnas
:( Pontos negativos (mas cheios de prazer) - tiveram nas alheiras de Santa Maria, nos bolos lêvedos quentinhos das Furnas, na visita pecaminosa ao Cantinho do Cais, restaurante que passa desapercebido na freguesia de São Brás. Vale a pena dar uma escapadela aqui para quem quiser se deliciar com uma comidinha caseira. A entrada é feita sempre com uma bela sopa de peixe. E depois um cardápio mais rico em peixe de onde eu escolhi o delicioso molho de peixe...qualquer coisa de divinal...quem quer comer bem em São Miguel não escape a este cantinho e para mais tudo gente simpática....depois ainda houve um churrasco com amigos na Ponta do Sossego e uma pizza no 7 Arcos no Nordeste....que dias uuffff
Restaurante Cantinho do Cais em São Brás (São Miguel). Um cantinho de gastronomia pecaminosa.

E agora vamos ao que interessa ...!!!


Como estamos de quilinhos?????!!!!

Lá saltei para a balança depois de um momento de puro sofrimento porque faltava papel e a menina da farmácia não atinava a metê-lo na máquina...já pensava eu: mais uma avariada, os deuses estão contra mim. Enfim, mas lá o papel entrou eu saltei para a máquina, meti a moeda...trrrrrr...e saíu o Papel...



Tarammm...o papelinho dizia. 61, 35 Kg iuuupiiiiiiiiiiiiiiii

Lembram-se o primeiro papelinho dizia 67, 10. Feitas as contas e os descontos (já que tinha uns ténis na primeira pesagem que devem ter para aí quase 1 kg) perdi à volta de 5 Kg....Nada mau...quase que num mês conseguia fazer o que quero num ano...quer dizer que posso comer agora à fartazana...ehehehehhe...nnannananan. Voltaram os tempos de austeridade, hoje já tenho caminhada planeada, almoço leve e jantar sopinha....

Hoje é um dia Feliz na Odisseia de uma dieta

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

O dia da verdade aproxima-se ...

Amanhã será o dia da verdade. Um mês e 4 dias após ter iniciado a odisseia da dieta, é sem dúvida tempo de balanço. Terei de submeter à verdade da balança. Foram muitos dias de bom comportamento com alguns deslizes pelo meio, mas sempre bem justificados. Vejam lá o meu mapa do mês de Julho.




Esta carinha feia do último no estado de hoje da Odisseia de uma Dieta deveu-se a um jantar de amigo.

 Há pessoas diferentes e pessoas que nos inspiram pela sua teimosia em ser o que são. O Décio de Santo António do Monte é uma destas pessoas. Vive como acha que se deve viver e não como os outros acham que se deve viver. Habita numa casa simples, que vem recriando à sua medida, pintando cada quarto de uma cor, como se aquela casa fosse uma arco iris, tal como a sua vida é. E depois é um homem livre, vive do que planta, dos amigos que junta, do calor dos seus animais, da sua música, da sua chamarrita. Não tem emprego. Sabem daqueles que se ganha um ordenado ao fim do mês. Tem um trabalho. Planta, cava, rega e mima a sua agricultura, que a faz para si e para os pássaros, os caracois e outros tantos que precisam de comer. Ele diz: planto já contar com eles e dá para todos.
Abedicou da televisão. do computador, do telemóvel e do dinheiro fácil como guia turístico. A vida é simples nós é que a complicamos..é inevitávelmente sentir isto na sua presença. E sentimos mais, sentimos um apelo a essa originalidade, a esse viver simplesmente.
Digam-me então como poderia eu recusar um convite para jantar do meu amigo Décio? Nunca. Assim dei por mim num serão no seu balcão, porque dentro de casa o calor do fogão de lenha tornava impossível a permanência, sentada numa mesa de madeira a conversar noite fora, acompanhada de umas filestes de peixe porco fritas, umas batatas brancas daquelas que se desfazem quando cozem, umas corgetes grelhadas, uma bela sopa de beldroegas e ainda um vinho de cheiro feito na casa, está claro. Para sobremesa veio uma aguardente de nêveda que escorregava depressa demais para quem ainda tinha de fazer uns kilómetros para o outro Santo António que não o do Monte.
E amanhã cá estarei com um mês de dieta, de aventuras, de deslizes ...tudo em prôle de menos uns kilos e mais umas alegrias nas desventuras e venturas da Odisseia de uma dieta.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Gestão de Áreas Protegidas

Há dias assim. Sai-se de casa para assistir a um encontro sobre gestão de áreas protegidas na Madalena do Pico. O programa promete, um conjunto de nomes de várias partes do mundo. Imagino logo grandes aprendizagens nas palestras interessantes de cientistas vindos de mundos teoricamente mais desenvolvidos que o meu .. Hmm...A desilusão. O mundo é muito mais pequeno que pensamos e os problemas, conflitos e guerras ambientais repetem-se de forma monocórdica por esse mundo fora...os mesmos chavões: o dito desenvolvimento sustentável, a badala da participação pública, ect ...enfim com isto era sem dúvida  preciso alguma coisa para alegrar esta alma desiludida e nada como uma almoço de jeito no Ancoradouro.


Restaurante o Ancoradouro
 Ali sentada em frente ao Porto da Areia Larga, mirando o Faial ao fundo. Sim porque no Pico há sempre uma ilha no horizonte, ou quase sempre, na verdade nem sempre. A esplanada virada ao mar e uma ementa repleta de delícias desse oceano. É sem dúvida o melhor restaurante do Pico e talvez dos Açores. Em poucas palavras: come-se bem. E assim ganhei merecidamente hoje a minha medalha de mau comportamento. Embora tenha passado as entradas, com custo porque aqui sempre vem um bom queijinho do Pico e as sobremesas, mesmo assim o abuso foi muito. Uma espetada de peixe e um polvo dourado partilhados a meias e regados com um vinho branco da casa e saído das vinhas do Pico, o Cancela do Porco.

Resultado já é tarde e mesmo depois de uma caminhada de 4 km no meu percurso favorito, o almoço ainda se vai digerindo dentro de mim. Como resultado o jantar foi frugal: uma fatia de melancia e prontos. Sonharei com um dia de amanhã cheio de delicias diatéticas, ainda por cima a previsão promete chuva, por isso é certo que ficarei em casa bem comportada comendo pouco e trabalhando muito.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Pelos Caminhos das Vinhas

Se há passeio que valha a pena é percorrer o caminho entre o Lagido e o Cabrito na ilha do Pico. Com uma nota importante, é certo, há que percorrê-lo ao fim do dia, uns instantes antes do pôr do sol.

Na escolha dos meus percursos para a caminhada diária, fomos até Santa Luzia e aos seus caminhos da costa. Hoje todos melhorados e suas costas já com outros confortos mais de casas de veraneio do que adegas. Um parêntises chamamos costas aos pequenos aglomerados de adegas que se estendem ao longo da costa e que em tempo eram terras de transumância, ocupadas a penas durante o Verão para as vindimas.
De início percorremos o caminho entre o Lagido e a Furnezinha. Confesso que não gostei. É quase uma auto-estrada entre Santa Luzia e a Madalena, não permite a tranquilidade de um passeio. Passei então para o percurso alternativo entre o Lagido e o Cabrito... Não sei que vos diga, é  o caminho ideal para nos deixarmos vaguear num fim de tarde na ilha do Pico. A tranquilidade dos matos, do mar ali tão perto da outra ilha, São Jorge,  ao fundo enquadrando o horizonte.


Entre uns míseros carros que passam e o encontro com algumas pessoas nos Arcos e no Cabrito a caminhada é feita sobre uma tranquilidade perfeita de fim de tarde. Estende-se no negrume pachorrento das lages de lava, salpicadas de perrexil, cabreolas e bracel, nas muralha de pedra escura como uma noite sem estrelas, nas curraletas das vinhas, nas meia luas de pedra que abrigam as figueiras. E assim se deambula até chegar a outra costa, a outro aglomerado de pequenas adegas na sua maioría de pedra. Adegas com os seus alpenderes com mesas de  madeira compridas e bancos corridos e de onde nos salta o cheiro de jantares e almoços em família de peixe frito com batatas cozidas, caranguejos guisados ou de caldos de peixe cheirosos. Sonhamos em ter uma casa na costa, de fazer parte das tardes longas, dos cheiros intensos a mato a maresia e a vinho.


E vamos movendo um pé atrás do outro e contemplando, tornando cada passo uma espécie de ritual até nos depararmos com o local do culto por excelência, onde todos os deuses gostariam de ter casa. A singela e negra ermida do Cabrito. Não minto talvez se disser que é a mais bonita dos Açores, diria do mundo, mas ninguém me iria acreditar. Está ali no meio do nada afastada das casas, sozinha, contemplando o mar. Ali quase em cima da rocha com a sua porta verde de madeira, as suas pedras trabalhadas de estranhos símbolos e um pequeno campanário que nem sino tem. Não resisto e faço sempre o desvio, entrando pelo caminho de terra que me leva até ela, e demoro-me à sua frente olhando-a, sorrindo-lhe pela sua beleza simples que me enche a alma. E antes de partir benzo-me sempre...porque me é impossível não acreditar que esta ermida é divina que esta é a casa de um deus qualquer, ou de que ela mesmo é o próprio Deus. Depois sigo caminho até chegar à última costa antes de fazer o caminho de volta. O Cabrito. É a mais simples das costas de Santa Luzia, e  por isso mesmo a que gosto mais, aquela que para mim guarda melhor a sua autenticidade.


Depois volto e a volta é o fim do dia. Todos os dias repete-se o espectáculo e sem nunca me fartar, sentindo que todos os dias é a primeira vez, vejo o sol a ser engolido num horizonte infinito de mar e uns passos mais à frente o passeio acaba o dia acaba renovando a esperança de amanhã sempre mais um dia aqui.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Festas de Verão ...

Depois do longo Inverno os ilhéus anseiam pelas longas noites de Verão. Anseiam o movimento, a troca e as novas caras. E não as podemos censurar, as brumas e o isolamento podem ser bastante sufocantes para quem vive numa ilha pequena ou mesmo numa ilha grande em tamanho, mas pequena em pessoas, como a ilha do Pico. E há que aproveitar porque se há coisa que é breve nos Açores é mesmo o Verão.E assim surgem as festas de Verão. Cada ilha com a sua. Vários dias de festa, concertos, tascas, desfiles e os arraias onde pessoas da ilha e outras tantas das ilhas em frente juntam-se todas as noites para o riso, para conversa para o respirar sem amarras. São as noites para extravasar.
Foi assim, embebida por este espírito estival que dei por mim ontem à noite no meio da festa de Santa Maria Madalena. Sentada numa tasca, a ouvir a banda tocar, os gritos e as palavras misturadas no ar  desse fernezim de libertação do tempo chuvoso.

Uma tasca de uma festa de Verão não pode agoirar grande coisa  para a Odisseia de uma Dieta. Então num acto de bravura decidi dar-me folga. Vejam só: lulas guisadas, salada de polvo, favas de festa (do Pico que se note, que são únicas e deliciosas) e ainda um caranguejo e uma bifana de bife de albacora. Tudo regado por 3 cervejinhas....ui que maravilha. Acrescento aqui, para não se deprimirem por mim que estes petiscos foram partilhados, não fui a única responsável por os fazer desaparecer do prato.

Depois deste repasto fui gastar calorias para o último concerto da noite: os Bandarra. Banda faialense, mas com carisma do mundo. Ritmos de todo lado, misturados com a ironia alegre das suas letras e o som de mil instrumentos e de outros tantos chapéus que o vocalista ía desfilando ao longo do concerto. Aquilo é que foi "pinchar" até quase às 3 da manhã...mas já para o fim a relva mesmo ali ao lado teve o previlégio do peso do meu corpo...e amanhã, ui amanhã será sem dúvida outro dia... ;)
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...