quinta-feira, 28 de julho de 2011

Gestão de Áreas Protegidas

Há dias assim. Sai-se de casa para assistir a um encontro sobre gestão de áreas protegidas na Madalena do Pico. O programa promete, um conjunto de nomes de várias partes do mundo. Imagino logo grandes aprendizagens nas palestras interessantes de cientistas vindos de mundos teoricamente mais desenvolvidos que o meu .. Hmm...A desilusão. O mundo é muito mais pequeno que pensamos e os problemas, conflitos e guerras ambientais repetem-se de forma monocórdica por esse mundo fora...os mesmos chavões: o dito desenvolvimento sustentável, a badala da participação pública, ect ...enfim com isto era sem dúvida  preciso alguma coisa para alegrar esta alma desiludida e nada como uma almoço de jeito no Ancoradouro.


Restaurante o Ancoradouro
 Ali sentada em frente ao Porto da Areia Larga, mirando o Faial ao fundo. Sim porque no Pico há sempre uma ilha no horizonte, ou quase sempre, na verdade nem sempre. A esplanada virada ao mar e uma ementa repleta de delícias desse oceano. É sem dúvida o melhor restaurante do Pico e talvez dos Açores. Em poucas palavras: come-se bem. E assim ganhei merecidamente hoje a minha medalha de mau comportamento. Embora tenha passado as entradas, com custo porque aqui sempre vem um bom queijinho do Pico e as sobremesas, mesmo assim o abuso foi muito. Uma espetada de peixe e um polvo dourado partilhados a meias e regados com um vinho branco da casa e saído das vinhas do Pico, o Cancela do Porco.

Resultado já é tarde e mesmo depois de uma caminhada de 4 km no meu percurso favorito, o almoço ainda se vai digerindo dentro de mim. Como resultado o jantar foi frugal: uma fatia de melancia e prontos. Sonharei com um dia de amanhã cheio de delicias diatéticas, ainda por cima a previsão promete chuva, por isso é certo que ficarei em casa bem comportada comendo pouco e trabalhando muito.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Pelos Caminhos das Vinhas

Se há passeio que valha a pena é percorrer o caminho entre o Lagido e o Cabrito na ilha do Pico. Com uma nota importante, é certo, há que percorrê-lo ao fim do dia, uns instantes antes do pôr do sol.

Na escolha dos meus percursos para a caminhada diária, fomos até Santa Luzia e aos seus caminhos da costa. Hoje todos melhorados e suas costas já com outros confortos mais de casas de veraneio do que adegas. Um parêntises chamamos costas aos pequenos aglomerados de adegas que se estendem ao longo da costa e que em tempo eram terras de transumância, ocupadas a penas durante o Verão para as vindimas.
De início percorremos o caminho entre o Lagido e a Furnezinha. Confesso que não gostei. É quase uma auto-estrada entre Santa Luzia e a Madalena, não permite a tranquilidade de um passeio. Passei então para o percurso alternativo entre o Lagido e o Cabrito... Não sei que vos diga, é  o caminho ideal para nos deixarmos vaguear num fim de tarde na ilha do Pico. A tranquilidade dos matos, do mar ali tão perto da outra ilha, São Jorge,  ao fundo enquadrando o horizonte.


Entre uns míseros carros que passam e o encontro com algumas pessoas nos Arcos e no Cabrito a caminhada é feita sobre uma tranquilidade perfeita de fim de tarde. Estende-se no negrume pachorrento das lages de lava, salpicadas de perrexil, cabreolas e bracel, nas muralha de pedra escura como uma noite sem estrelas, nas curraletas das vinhas, nas meia luas de pedra que abrigam as figueiras. E assim se deambula até chegar a outra costa, a outro aglomerado de pequenas adegas na sua maioría de pedra. Adegas com os seus alpenderes com mesas de  madeira compridas e bancos corridos e de onde nos salta o cheiro de jantares e almoços em família de peixe frito com batatas cozidas, caranguejos guisados ou de caldos de peixe cheirosos. Sonhamos em ter uma casa na costa, de fazer parte das tardes longas, dos cheiros intensos a mato a maresia e a vinho.


E vamos movendo um pé atrás do outro e contemplando, tornando cada passo uma espécie de ritual até nos depararmos com o local do culto por excelência, onde todos os deuses gostariam de ter casa. A singela e negra ermida do Cabrito. Não minto talvez se disser que é a mais bonita dos Açores, diria do mundo, mas ninguém me iria acreditar. Está ali no meio do nada afastada das casas, sozinha, contemplando o mar. Ali quase em cima da rocha com a sua porta verde de madeira, as suas pedras trabalhadas de estranhos símbolos e um pequeno campanário que nem sino tem. Não resisto e faço sempre o desvio, entrando pelo caminho de terra que me leva até ela, e demoro-me à sua frente olhando-a, sorrindo-lhe pela sua beleza simples que me enche a alma. E antes de partir benzo-me sempre...porque me é impossível não acreditar que esta ermida é divina que esta é a casa de um deus qualquer, ou de que ela mesmo é o próprio Deus. Depois sigo caminho até chegar à última costa antes de fazer o caminho de volta. O Cabrito. É a mais simples das costas de Santa Luzia, e  por isso mesmo a que gosto mais, aquela que para mim guarda melhor a sua autenticidade.


Depois volto e a volta é o fim do dia. Todos os dias repete-se o espectáculo e sem nunca me fartar, sentindo que todos os dias é a primeira vez, vejo o sol a ser engolido num horizonte infinito de mar e uns passos mais à frente o passeio acaba o dia acaba renovando a esperança de amanhã sempre mais um dia aqui.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Festas de Verão ...

Depois do longo Inverno os ilhéus anseiam pelas longas noites de Verão. Anseiam o movimento, a troca e as novas caras. E não as podemos censurar, as brumas e o isolamento podem ser bastante sufocantes para quem vive numa ilha pequena ou mesmo numa ilha grande em tamanho, mas pequena em pessoas, como a ilha do Pico. E há que aproveitar porque se há coisa que é breve nos Açores é mesmo o Verão.E assim surgem as festas de Verão. Cada ilha com a sua. Vários dias de festa, concertos, tascas, desfiles e os arraias onde pessoas da ilha e outras tantas das ilhas em frente juntam-se todas as noites para o riso, para conversa para o respirar sem amarras. São as noites para extravasar.
Foi assim, embebida por este espírito estival que dei por mim ontem à noite no meio da festa de Santa Maria Madalena. Sentada numa tasca, a ouvir a banda tocar, os gritos e as palavras misturadas no ar  desse fernezim de libertação do tempo chuvoso.

Uma tasca de uma festa de Verão não pode agoirar grande coisa  para a Odisseia de uma Dieta. Então num acto de bravura decidi dar-me folga. Vejam só: lulas guisadas, salada de polvo, favas de festa (do Pico que se note, que são únicas e deliciosas) e ainda um caranguejo e uma bifana de bife de albacora. Tudo regado por 3 cervejinhas....ui que maravilha. Acrescento aqui, para não se deprimirem por mim que estes petiscos foram partilhados, não fui a única responsável por os fazer desaparecer do prato.

Depois deste repasto fui gastar calorias para o último concerto da noite: os Bandarra. Banda faialense, mas com carisma do mundo. Ritmos de todo lado, misturados com a ironia alegre das suas letras e o som de mil instrumentos e de outros tantos chapéus que o vocalista ía desfilando ao longo do concerto. Aquilo é que foi "pinchar" até quase às 3 da manhã...mas já para o fim a relva mesmo ali ao lado teve o previlégio do peso do meu corpo...e amanhã, ui amanhã será sem dúvida outro dia... ;)

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Dias de Viagem ...

Hoje um dia difícil para a odisseia de uma dieta...
Um dia de viagem torna difícil manter todas as regrinhas de uma dieta. Foram 6 horas dentro de um barco, longe de casa onde se podem controlar as refeições, o que se come, quando e como se come. E depois que me desculpem...aquele horizonte infinito de mar, a cadência do balanço a inércia de nada para se fazer, ui a vontade de comer torna-se um tentação irrecusável. É certo que levei na minha mochila uma meloazinha madurinha e no ponto para lanchar. Mas só me apetecia porcarias. Só sonhava com as patas de veado que vendem no bar do barco. Passado algumas horas a me degladear entre a meloa e as goludices do bar, disse:
 Que se lixe vou ao bar, quero comer. Cheguei olhei para a montra e lá estavam as patas de veado. Aquele pão de ló envoldido em doce de ovos com um fio de canela, aquela textura humida, já a imaginava a se desfazer na minha boca. Pus-me na fila para o caixa, que era longa por sinal. Foi como uma penitência entre o bom senso e a tentação. Deambulei na escolha entre as patas de veado, as empadanilhas de frango, os bolo de arroz ...Chegado ao caixa da minha boca saíu o pedido: duas águas e uma chapata de fiambre ;)...ai que aquela patinha de veado estava tão apetitosa, mas não sei como resisti..a chapata não era grande coisa, mas certamente menos pecaminosa.
Enfim foi um dia com algumas escapadelas, mas nada de muito grave ...
Amanhã novo dia, numa nova terra. Terei de ajustar rotinas e fazer ajustes. Tudo se torna um pouco mais difícil longe do nosso ambiente controlado. A casa dos pais é um ambiente propício às derrapagens...vamos lá ver como isto corre, um mês de viagem, um mês de aventuras.

sábado, 16 de julho de 2011

Pecados justificados...

Ontem portei-me muito bem. Mais um dia de dieta alimentar cumprida e com caminhada de 7 km com o impensável, um pouco de corrida pelo meio. Mas depois da bonança vem a tempestade. Bem acho que é ao contrário, mas não interessa, o que interessa mesmo é que hoje foi um dia mais tempestuoso. Contudo com uma tempestade justificável.
A caminhada e o jantar de sopa foram-se ...ups :(. Foram subtituídas por uma saída para o observação de aves e um respectivo jantar que se seguiu. Foi uma boa causa. O grupo de visitantes que se deslocou à ilha no âmbito do voluntariado ambiental, organizado pela associação Gê-Questa, merecia um vislumbre das aves, que tal como eles, arribam por aqui de passagem. E assim foi a caminha subtituída por uns binóculos, uns borrelhos aqui, uns maçaricos-de-bico-direito ali e umas rolas-do.mar acolá. Depois seguiu-se um simpático jantar no forte de São Mateus e menos mal  a ementa não era demasido pecaminosa: um peixinho assado, umas lapas grelhadas e uma espécie de caldeirada acompanhada de salada e batatas assadas. Foi certamente um jantar mais farto que a minha sopinha de feijão com couve que já estava na panela pronta a saltar para as malgas.

Paciência ...Amanhã é outro dia no qual tenciono em absoluto mudar o estado do tempo deste blog...amanhã o sol brilhará e o sorriso vai voltar de novo ao  topo da página.
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