Mostrar mensagens com a etiqueta Receitas Vegetarianas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Receitas Vegetarianas. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Salada e araçás para acalmar uma mente criativa

O que faz uma mulher sozinha em casa numa noite de Outono?
Loucuras :)

Tenho estado numa febre criativa imparável. Apetece-me mudar tudo. Pintar, forrar, mudar de sítio...começei a ficar assustada com esta minha vontade imparável de mudança. Assim, para afastar da cabeça os mil pensamentos de remodelação, pus-me a caminho do quintal. Claro está, lá trás surgem-me outros tantos planos para as culturas de Outono. Contudo, permaneci fiel ao objectivo e centrei-me apenas nas colheitas: uns tomates, uma grande courgete que me tinha escapado, um pimentão e derrepente no meio de um canteiro, pequenas bolinhas amarelas!!. Vejo mais de perto. Apanho uma com os dedos. São araçás. Já tenho araçás. Sorriso nos lábios, alegria no coração.

Olho para pequena árvore que ladeia o cateiro e aí, na sua altivez, os frutos parecem-me todos verdes. Estreitei o olhar e com mais atenção aqui e ali surgem umas bolinhas vermelhas. Colho-as e junto-as às amarelas que já tenho dentro do escorredor que servíu de cesto. A dúvida surge então na minha mente. Se os frutos da árvore são vermelhos, como é que os do chão são amarelos? No meu probre conhecimento sobre araçás, achava eu que existiam árvores que davam frutos vermelhos e outras que davam amarelos. Enfim sem resposta para a minha pergunta, regressei a casa imensamente feliz, traulitando uma canção qualquer. Amanhã a sobremesa será araçás com leite, umas das melhores iguarías do Outono, acreditem.


Feita a salada, voltei ao rodopio das mudanças. Dediquei-me ao meu suporte de palete dos sapatos do quarto. Com uma receita de tinta que descubri há pouco tempo, e mais uma lata de tinta quadro ardósia, fiz o trabalhinho num instante. Não é uma obra prima, essa preparo-a para mais tarde, mas o resultado agradou-me. Vejam lá como ficou e asseguir copiem a receita da salada de araçá com leite, que não se vão arrepender.



Salada de Araçá (mais simples e saborosa não há)
Uma mão cheia de araçás
Leite
Açúcar

Cortar os araçás em metades ou quartos, regar com açúcar, com generosidade, e finalmente cubrir com leite. Convém maturar bem, eu diría que dois dias é melhor que um, para ficar com uma consistência mais próxima do iogurte, mas se utilizarem leite gordo um dia é suficiente, também depende da proporção de araçás, por isso mesmo o melhor é ir verificando. Claro que a maturação faz-se no frigorifico. Apreciem ...


terça-feira, 1 de outubro de 2013

Chegada do Outono

Já não sei como dei as boas vindas ao Outono!. Quando dou por mim lá estou eu novamente num ritual qualquer de comemoração da sua chegada. É que para quem não sabe, esta é a minha estação favorita e nada como celebrá-la todos os dias.

Este fim-de-semana foram as colheitas das amoras, dos figos e das uvas-da-serra. Foi o convívio caseiro com amigos à volta de uma mesa, reciclando ementas de uma refeição para a outra. Foi ensinar crochê e ver pequenas hábeis mãos a tentar encontrar o caminho entre laçadas. Sim, e sempre animais esparramados pela casa, a espreguiçar e a bocejar. Bem, e já me esquecia, moscas, muitas moscas irritantes ... nem tudo pode ter um sabor bucólico neste canto do mundo : )




Para o jantar (já sozinha nesta imensa quinta) sobrou das refeições colectivas um pedaçinho de pizza (talvez na próxima publicação ela venha até à mesa do blog) e sopa, sopa de beldroegas e legumes da horta. É com ela que vos deixo, uma sopa ainda com algum sabor a Verão, recheada pelos os últimos legumes da horta e pelas beldroegas que crescem, agora, abundantemente por todos os canteiros. Não as contrario, se há coisa que gosto é que as plantas comestíveis adquiram vida própria na minha horta. Então, para quem não tiver ideia do que fazer com as suas beldroegas selvagens, esta sopa foi assim:

Ingredientes:
Para o creme de base:
Courgete
Cebola
Alho francês
Talos de acelga
Batata
Para salpicar.
Beldroegas
Salsa
Tomilho
Temperos:
Azeite
Folha de louro
Sal

Preparação: Refoguei em azeite a cebola, a courgete, o alho francês, os talos acelga, as batatas e uma folha de louro. Acrescentei  água  e deixei cozer. Depois de cozidos os legumes, reduzi-os a um puré, para fazer um creme de base. Levei novamente ao lume e, depois de começar a ferver, juntei as beldroegas, a salsa picada e uns raminhos de tomilho (pequenos e poucos, pois o sabor do mesmo pode tornar-se demasiado intenso) ferveu mais uns 3 minutos e já está pronta a servir.

Espero que gostem e bom Outono.

domingo, 26 de maio de 2013

Respirando debaixo d'água

Estou com uma gripe que me deixou prostrada na cama a fazer croché. Entre pontos, durmo longos sonos com o Vispelúcia enroscado em mim. Como um surfista experiente nas ondas, ele vai-se ajustando aos espaços em cada reviravolta que dou na cama.

Agora o meu homem foi para cozinha inventar qualquer coisa para o jantar, repleto de legumes da horta. Não faço ideia o que vai sair dali...ele disse que tinha tido cá uma ideia!

 
Enfim, mas enquanto ele desenvolve a ideia deixo-vos aqui o almoço. Consegui ter inspiração para sair da cama para preparar qualquer coisa para comermos. Como a força não era muita, optei por uma receita simples, cheia de ingredientes da quinta. Agora que a horta está cheia de folhas verdinhas é um pecado não ser o elemento mágico de todas as nossas refeições.

Desta feita fiz o esparguete de espinafres da minha amiga Eugénia. É uma receita muito simples, saudável e a mim satisfaz-me na plenitude. Aos espinafres, aos ovos e ao poejo da quinta só precisei acrescentar de fora o alho e o esparguete.
 
A nossa horta tem sido um maná. Só me apetece estar lá fora a cavar e a meter sementes à terra, e esta ausência no blog, muito se tem devido a isso. Este fim-de-semana estava cheia de planos para plantar alfaces, acelgas e beringelas. Tudo foi adiado para dias em que o peso na minha cabeça seja mais leve e consiga respirar pelo nariz,como se não estivesse debaixo de um grande oceano.

 

 

Esparguete de espinafres à moda d'Eugénia

(Receita 2 pessoas)

Ingredientes
1. Esparguete (250 g)
2. 1 Molho e espinafres (farto)
3. 2 ovos
4. Poejo (algumas folhas)
5. 3 dentes de alho
6. Azeite
7. Sal

Confecção
Cozer o esparguete e os ovos com sal.
Esmaga-se no almofariz 2 dentes de alho, folhas poejo (pode substituir por outra aromática, como salsa ou coentros) e sal até obter uma pasta. Numa frigideira grande ou num wok colocar azeite e esta pasta de alho, alourar um pouco e depois colocar os espinafres e saltear. Tape e deixe os espinafres cozerem um pouco no seu próprio vapor.

Quando o esparguete estiver cozido, escorra. No almofariz faça uma nova pasta de alho, igual à anterior, mas usando agora apenas um dente de alho. Numa frigideira coloque azeite, a pasta, o esparguete, e salteie um pouco. Depois junte os espinafres e o ovo cozido esmagado. Voilá!, já está, agora é só comer.



 

domingo, 24 de março de 2013

Soube a pouco

Soube a tão pouco o sol de ontem.
Hoje regressamos aos dias cinzentos de chuva. Aqui estou eu, com cães e gatos, uns ao colo, outros estendidos aos pés, embrulhada numa manta a sonhar com os milhafres que poderia ainda ter contado.

Este fim-de-semana realizou-se mais uma campanha para a contagem de milhafres nos Açores e na Madeira. Ontem aproveitamos o bom tempo e por quase 40 Km fomos entretidos na conversa com um amigo, à procura no céu dessa nossa única rapina diurna. Contamos quinze, o que foi o nosso recorde para aquele percurso. Deambulamos pelo vale da Achada, a grande bacia leiteira da ilha. Subimos à Serra do Cume, onde admiramos a paisagem de manta de retalhos, agora salpicada por pequenos charcos e lagoas, nascidos dos dias diluvianos que vivemos, comparados apenas aos do tempo de Noé.


Manta retalhos, paisagem observada do miradouro da Serra do Cume. Foto de Carlos Pereira.

Terceira debaixo d'água. Foto Carlos Pereira

Agora, no quentinho da casa, só apetece algo bom para dar alento a esta alma desconsolada. Um hummus vindo algures do médio oriente, sabia mesmo bem para o jantar. Então acompanhado de um pão das Lajes (melhor da ilha) e uma sopa de lentilhas, era o manjar perfeito para me saciar. O nome desta pasta, natural e terroso, faz crer que foi enviada por algum deus para nutrir as almas humanas.




É com ela que vos deixo hoje...Vou contemplar a chuva.


Ingredientes

·  1/4 copo iogurte (pode subtituir por azeite e um pouco água do grão)
·  1 lata 450gr de  grão-de-bico
·  1 colher sopa tahini (pasta sésamo) (maioria das vezes não ponho)
·  1/2 Copo de sumo limão (pode-se variar consoante o gosto)
·  2-3 dentes de alho
·  1/2 colher chá de sal
·  folhas de hortelã a gosto (pode subtituir por salsa ou coentros)

Para guarnecer

·  Pimenta de Cayena ou paprica

·  Azeite

Misturar todos os ingredientes no copo liquidificador e reduzir a pasta. Salpicar com a pimenta ou paprica e o azeite.

sábado, 2 de março de 2013

Bolo alfarroma para animar a alma


A quinta acordou triste.



Dos dez pintos que nasceram, só restam dois. A saga de uma semana de luta com um predador invisível, e a minha prepotência humana, de quem acha que é mais esperto do que o resto dos animais, resultou na carnificina. Numa destas manhãs ao abrir a casa onde os guardo, deparei-me com 2 pintos em pânico. Um em equilíbrio em cima da mãe e o outro tentando se esconder debaixo dela. O resto nem conto, porque o espectáculo era devastador.

Não sabemos quem foi: ratazana, furão ou doninha. Mas foi implacável e deixou a mensagem clara. Por isso mesmo, confesso, reduzo-me à minha insignificância e a partir desse dia, todas as noites a minha Cândida e os seus dois rebentos dormem em casa.

Agora começa uma luta filosófica. Aplicamos a lei de Talião, dente por dente, olho por olho? ou compreendemos que cada um cumpre o papel da sua natureza da melhor maneira que sabe?. O meu homem diz: este bicho não tem direito a viver, não há perdões. Eu, por outro lado, tropeço nas vontades, fico entre a espada e parede. A natureza contemplativa, que tanto gostamos de imaginar, é por vezes dura e cruel. Ou talvez não seja, a morte e a vida cumprem simplesmente o seu ciclo natural e a nossa visão é que apenas vislumbra um horizonte limitado.

O que eu preciso mesmo é adoçar este amargo da alma. É preto, numa espécie de luto, e é doce, para comemorar a alegria que mesmo a curta vida dos meus pintos me trouxe. Chama-se bolo de alfarroba, uma espécie de brownies que conjugam muito bem com uma bola de gelado, mas como não a tinha, marcharam mesmo assim.




Receita
150 ml óleo ou manteiga
75 g de farinha de alfarroba
3 ovos
180 g de açúcar mascavado claro
Uma pitada de sal
½ colher de chá de essência de baunilha
65 g de farinha de trigo
½ colher de chá de fermento químico

Pré-aquecer o forno a 180º C.
Untar com manteiga e polvilhar levemente com farinha uma forma com cerca de 18 x 20 cm.
Misturar bem o óleo com a farinha de alfarroba.
Noutra taça, bater os ovos com o açúcar, o sal e a baunilha até que fiquem leves e espumosos.
Adicionar a mistura de alfarroba e continuar a bater até que esteja uma massa homogénea.
Juntar a farinha peneirada com o fermento e bater levemente, apenas até misturar todos os ingredientes.
Verter a massa na forma e cozer durante cerca de 25 minutos ou até que esteja cozido e tenha o centro ligeiramente húmido.
Retirar do forno e deixar arrefecer durante cerca de 5 minutos antes de desenformar.


Adaptado de : http://www.flagrantedelicia.com

sábado, 29 de dezembro de 2012

O meu sobrinho é vegan ...

“Molha de carne” e “Bacalhau com todos”, é assim que todos os anos a mesa da Ceia de Natal se compõe cá por casa. As tradições misturam-se trazendo um pouco de cada um para o prato. Nesta quadra, a molha é o prato típico da ilha do Pico, e o bacalhau remonta-nos a tradições mais continentais. Misturam-se as terras, os paladares e os genes, e a diversidade faz do nosso pequeno recanto um Universo.
- Cecília, sabes que o Tomás decidiu agora ser vegano. Diz uma das minhas irmãs.



Terríveeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeel... Parece gritar o coração de toda gente.
Há na família uma mistura de apreensão e desconfiança, com esta decisão de um dos meus sobrinhos. Por mim fico feliz. Este ano terei oportunidade de trazer para a mesa de Natal uma das minhas invenções vegetarianas. Poder-me-ei desafiar a criar um prato vegetariano para o Natal. É uma nova combinação, um novo elemento que nunca esteve presente antes e, como tudo, o que é novo causa desconfiança, principalmente quando vem de um rapaz com 13 anos... Não estamos habituados a mudar os hábitos por pessoas desta idade, não é suposto alterarem as tradições.
Pode ser efémera a opção, como a maioria é, nestas idades, contudo traz mais diversidade e inevitavelmente o nosso universo expande-se um pouco mais.
“Goulash”... Foi o que nasceu desta inspiração de tia. Este é um prato tipicamente carnívoro, vindo da Hungria. Já o comi na sua versão original e na sua terra natal. Em alguns aspectos assemelha-se à “Molha de carne”, por isso, esta versão vegetariana que descobri, pareceu-me ser o prato perfeito para a mesa de Natal. O seu segredo está na longa e lenta cozedura, associado ao aroma dos seus ingredintes.






A carne foi substituída pelo seitan, e o resto seguiu basicamente o caminho normal. Uma boa dose de paprica e pimentão, um fogão de lenha e um pote de barro. Resultou num prato fortemente aromático que, embora não sendo o preferido dos não veganos (basicamente toda a família menos o sobrinho convertido), foi aprovado e degustado por todos.
 
Ingredientes:
 

- Azeite (4 Colher de sopa)
- 3 cebolas, finamente picadas
- 4 dentes de alho, finamente picados
- 1 Colher de sopa de paprica doce ou colorau
- 6 tomates, finamente picados (eu utilizei de lata, porque nesta época não se encontra bom tomate maduro)
- 1 pimentão-vermelho, assado no forno
- 500g de seitan (pode usar-se soja em cubos ou hamburguers vegetarianos)
- Sal a gosto
- 2 Colher de sopa de tomatada
- 3-4 tomates secos, picados
- 1 Colher de sopa de açucar mascavado
- 1½ copo de água
- Coentros
- ¼ Colher de sobremesa cominhos
- 1 lata de feijão (usei feijão-vermelho)
- 3 folhas de louro
- 4 Colher de sopa de vinho tinto
- 3 Colher de sopa de vinagre balsâmico

 Preparação:
1.         Num tacho anti-aderente, aquecer o azeite. Adicionar as cebolas e deixar refogar por 2 a 3 minutos.
2.         Adicionar o alho e o seitan e, em lume baixo, cozinhar durante 10 minutos, até o seitan estar bem cozinhado.
3.         Polvilhar a paprica e deixar cozinhar, mexendo o seitan até que a parica fique bem incorporada.
4.         Adicionar todas as ervas, com excepção das folhas de louro. Mexer durante 1 minuto, e juntar a tomatada. Misturar e juntar os tomates e tomates secos. Deixar cozer 10 minutos, mexendo de vez em quando para não apegar.

5.         Adicionar o açucar, mexer outra vez, e juntar metade da água. Deixar cozer por mais 10 minutos, juntar a restante água e o resto dos ingredientes, excepto as folhas louro.  Deixar cozer mais 10 minutos.
6.         Transferir a mistura para um pote de barro ou ferro que possa ir ao forno. Juntar os pimentões assados e colocar por cima as folhas de louro. Cobrir com a tampa e vai ao forno pré-aquecido a 180ºC durante 1 hora.
7.         Servir quente. Bon Appétit!

Receita adaptada de http://mouthwateringvegan.com

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Livros com Sabor

Livros, livros e mais livros. São pilhas deles que se espalham pela sala. Enquanto pintava o quarto a que chamamos, por aqui, de escritório, o meu homem desempacotava, com a felicidade de uma criança, os seus livros. Há para quem os livros sejam a sua própria casa, e assim é para ele.

Já montámos as prateleiras e findas as pinturas começaremos a arrumar os livros. Antes de tudo isso há que comer, e tantas folhas encadernadas inspiraram-me para uma lasanha de soja.

Descobri, num armário da cozinha, um frasco de soja granulada completamente esquecido. Havia já há muito que não cozinhava soja. No início da minha vida de cozinheira vegetariana abusava bastante deste ingrediente. Temos aquela obsessão pela proteína e parece que só a soja nos pode valer para substituir a carne. Com o tempo vamos tornando esta cozinha tão intuitiva como qualquer outra e o mundo dos ingredientes torna-se infinito. Quando damos por nós já nem pensamos na dita proteína e a soja perde-se no fundo dos armários.




















 
 

Assim, a soja, tal como os livros encaixotados à meses, viu finalmente a liberdade e saltou para a lasanha.

Ingredientes:

Recheio

Molho Branco

*  Folhas Lasanha

* 1 ½ Cháv. soja granulada

* ½ Pimentão picado

* 1 Cebola picada

* 2 Tomates maduros

* Tomatada( a gosto)

* 4 Dentes de alho

* 1 Folha de louro

* Paprica

* Vinho branco

* Molho soja (a gosto)

* Azeite

*  Azeite

* Farinha

* Leite

* Pimenta

* Sal

 

 

 

 

 

 

 

 Preparação:
 Tempera-se a soja de véspera com uma espécie de vinha d’alhos (alhos, sal, louro, paprica e vinho branco).
Refoga-se no azeite a cebola, o pimentão e o tomate. Depois adiciona-se a soja temperada e deixa-se refogar um pouco, acrescentado posteriormente o líquido do tempero. Acrescenta-sei um pouco de tomatada e molho de soja, deixando cozinhar por mais uns minutos.
Entretanto prepara-se o molho branco fritando ligeiramente a farinha no azeite, acrescentando depois lentamente o leite. No fim tempera-se com pimenta, sal e o molho do refogado de soja.
Por fim foi só montar às camadas, terminando com uma cobertura de queijo de São Jorge ralado e orégãos. E depois já sabem, é só comer...



 

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Bialys and Patas

Hoje acordei e olhei pela janela, aliás como faço todos os dias. Em cima da casa da bomba da água, estava instalada parte da família canina: o Papotamo, a Truma e a Patas. Ali estavam, esperando pacientemente o momento em que eu espreitasse pela janela e desse os bons dias.
 
 

A Patas estava altivamente instalada em cima da Truma. Para além do quadro ser digno de registo, só por si, vocês não sabem o inédito do mesmo. Quando a Patas chegou cá a casa, a Truma não ficou nada bem-disposta. Encarou a sua vinda como uma grande ofensa e passou semanas amuada, fugindo para o seu canto. Claro está, a Patas não ligou nenhuma a este protesto e decidiu, ao entrar na Quinta, que a Truma seria a sua grande amiga. Podem ver quem levou a melhor nesta história.

E como é que a Patas instalada em cima da Truma me levou até aos bialys. Na verdade, não levou, mas as duas histórias marcaram o dia, e mereciam ser contadas.

Descobri a receita dos bialys no meu livro Artisan Bread. Aquelas rodelinhas de massa com recheio no meio cativaram-me e andava há um bom par de dias para experimentar. Ontem à noite preparei a massa, que guardei no frigorífico e hoje ao jantar, depois de um dia no quintal, dediquei-me a fazer uma sopa de couves, acompanhada com bialys quentinhos do forno.


Estes pãezinhos recheados são uma receita tradicional judia da Polónia. Actualmente, penso que é nos EUA que estes são mais consumidos. Trata-se de um pão ligeiramente adocicado, com uma ligeira depressão no centro, recheada com cebola refogada e sementes de papoila. Podem-se acrescentar outros recheios, mas este é o mais típico. Segui a tradição e também inovei um pouco, colocando em alguns bialys queijo de São Jorge e um pouco do meu molho de tomate italiano.... Hmmm marcharam quase todos, deixando-me numa depressão pós-jantar digna de registo.



Ingredientes:

Massa
3 Copos água morna
1 ½ Colher sopa de fermento padeiro
1 Colher sopa sal
1 ½ Colher sopa açúcar
6 Copos de farinha

Recheio

1 Cebola
2 Colheres de sobremesa de sementes de papoila
Sal
Pimenta

Preparação:
A massa faz-se seguindo o processo do pão em cinco minutos que já publiquei aqui no blog. Depois da massa pronta, fazem-se pequenas bolas do tamanho de um pêssego e achatam-se ligeiramente, deixando levedar por 30 minutos. Entretanto refoga-se a cebola, até ficar translúcida e tempera-se no fim com sal e pimenta a gosto e juntam-se as sementes de papoila. Passada a meia hora, faz-se uma pequena depressão no centro de cada bolinha e recheia-se com uma colher de sopa da cebolada (pode-se colocar outros recheios a gosto). O forno é aquecido previamente a 230º e leva-se os bialys a cozer durante 12 minutos. Este é o tempo que diz na receita, mas os meus cozeram durante 20 minutos. Não deve secar muito, mas a massa tem de ficar bem cozida. E depois já sabem, é só comer.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Bio-trocas por uma sopa de abóbora com alecrim




Feira da Bio-trocas (Gequesta). Forte de São Mateus no dia 14 de Outubro (Foto: Augusto Santos)

Acordei tarde e tinha duas horas para conseguir preparar o meu cesto para a feira da Bio-trocas, no forte da Gê-Questa. Nesse escasso período de tempo tinha de conseguir etiquetar os meus frascos com vinagreiras, aguarelas, cola branca e papel de jornal. Depois de uma correria de bricolagem, fui apanhar uns molhos de ervas aromáticas e recolher sementes de “nabo de todo ano”, para compor a cesta que me acompanhou até à feira.

Quando entrei no portão do forte de São Mateus, a feira biológica, que nos acompanhou durante vários meses aos fins de semanas, já lá não estava. Fugiu para o outro lado da ilha, para o recém-inaugurado “Mercado Biológico”. Em contrapartida, uma diversidade maior de gentes, conversas e produtos distribuía-se por pequenas bancas, onde se expunham preciosidades, trazidas de quintas, quintais e cozinhas. Encontrei couves, caiotas, batata-doce, abóboras, ervas aromáticas, curtumes, marmeladas, plantios de várias espécies, artesanato, requeijão, etc..... Enfim, um pouco de tudo, não esquecendo que na sua maioria eram produções biológicas de pequenos quintais que se encontram espalhados de forma anónima pela ilha. Estendi a minha manta, coloquei os meus parcos produtos e comecei a trocar. Toda gente se sentia feliz, circulávamos uns pelos outros, trocando palavras e produtos, deixando-nos aquecer pelo sol, pela conversa amena e pela leve sensação de que o destino, que se traçava nesse dia para mais quatro anos nos Açores, também se construía ali, como uma semente pequenina, pronta a querer vingar.


Feira da Bio-trocas (Gequesta). Forte de São Mateus no dia 14 de Outubro (Foto: Augusto Santos)
De volta a casa a cesta vinha cheia, mas agora com abóboras, caiotas, batatas-doces, uma plantinha de consolda e requeijão. Foi inspiração suficiente para o que seria o jantar desse Domingo. Sopa de abóbora e salsa com infusão de natas de soja com alecrim, e para acompanhar pão torrado com azeite, alho e requeijão....hmm


Esta sopa, fácil e rápida, é uma delícia. Boa para surpreender os vossos amigos com um sabor doce e aromático. Claro que esta também é uma boa opção para nos mimarmos, a nós e à família, principalmente agora que as noites já vão arrefecendo e um caldo quente é sempre um bálsamo para a alma.

Ingredientes:
*  ½  Abóbora pequena
* 3 Batatas médias (pode substituir por mais caiota ou courgete)
* 1 Caiota
* 1 Cebola média
* 1 Pacote de natas de soja
* 1 Raminho de alecrim
* 1 Raminho de salsa
* Azeite
* Sal
*Pimenta-preta
Preparação:
Colocar azeite no fundo do tacho e saltear todos os legumes, começando com a cebola que, depois de ficar translúcida, se junta aos restantes legumes. Acrescentar água e deixar cozer. Reduzir a puré. Temperar com sal e pimenta juntando a salsa picada, deixando ferver mais um pouco. Num tacho pequeno, à parte, aquecer as natas com o alecrim. No final coar as natas para a sopa e depois é só servir e degustar.



domingo, 7 de outubro de 2012

O alimento dos deuses

Se os deuses comessem, certamente o kefir seria um dos seus alimentos.

Este leite coalhado, algo semelhante ao iogurte, que resulta da fermentação do leite pelos grãos de kefir, é um alimento pró biótico. Destrinçando a palavra, biótico quer dizer “vida” e pró quer dizer “a favor”. Ao contrário do antibiótico (anti-vida) que infelizmente é-nos receitado de forma cada vez mais indiscriminada, os pró bióticos são alimentos que contêm um conjunto de microorganismos vivos e quando ingeridos têm um efeito benéfico na flora bacteriana intestinal e, por conseguinte, podem contribuir em muito para a nossa saúde.

Pensa-se que este vem do Norte Cáucaso, onde era utilizado por pastores daquela região. Os grãos de kefir não são, nem mais nem menos, do que uma cidade de organismos vivos. Uma matriz de proteínas e açúcares nos quais vive uma comunidade de bactérias e leveduras em simbiose.


De uma forma geral são passados de mão em mão. É um alimento da partilha. Depois de me ter sido oferecido pela minha amiga Eugénia, eu já o distribuí, ao longo destes meses, por mais uma mão cheia de amigas.






Este feriado, 5 de Outubro, pontuou-se por mais um encontro de kefir. Através de trocas bloguistas acabei conhecendo o rosto de mais um blog terceirense, Foothwithameaning (visitem, vale apena). O kefir serviu de mote para o encontro, ou reencontro, não sei dizer. Foram umas horas de kefir, blogs, comida, compotas e chutneys. Um pouco de tarde bem passada, onde dar significa receber muito mais (obrigada Patrícia).


Eu cá por casa fiz do kefir um dos meus companheiros matinais. E tal como vos havia prometido, hoje trago-o à minha blogosfera.





Podemos consumir o kefir puro, sem mais nada. Embora um pouco ácido (mais que o iogurte natural), eu gosto mesmo assim. Para os mais exigentes com o sabor pode-se transformar em deliciosos batidos. Na maioria dos dias, de forma a ter um pequeno-almoço mais substancial, deixo-me levar pela imaginação e transformo o meu kefir nos mais variados sabores. De uma forma geral, adiciono frutas, alguns verdes, sementes e por vezes especiarias. Todos os dias varia, consoante a inspiração e os ingredientes disponíveis na dispensa e no quintal. O kefir também pode ser utilizado de diversas formas na culinária e a internet está cheia de ideias; queijos, manteigas, pastas, panquecas, etc ...

Contudo, convém sempre lembrar que para se tirar o máximo benefício deste alimento deve-se consumi-lo em cru e não cozinhado.

O bom mesmo é arranjar uns grãos e saber que eles estão ali todos os dias a trabalhar gratuitamente para nós. Torna-se um ritual o mudar o leite, recolher a safra e prepará-la para alimentação saudável de toda a família.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

De manhã é que se começa o dia ...

Acordar não é dos meus melhores momentos do dia. Sim, eu gostaria de despertar com o nascer do sol, mas deu-se o acaso do destino de eu não ser uma dessas pessoas madrugadoras, e ser apenas uma daquelas que sonhava ser.

Contudo, é de manhã que se começa o dia e com ele, sem dúvida, um bom pequeno-almoço. Para que fique claro, não sou uma purista de pequenos-almoços light. Uma versão pantagruélica com a mesa farta, recheada de pães, compotas, queijos, café, sumos e até uns ovos mexidos com bacon deixa-me de olhos em bico e o meu nível de satisfação no mais alto.


Mas também gosto de refeições light e saudáveis. Estas pontuam-me a rotina, enquanto as outras dão o colorido à vida, são as dos dias especiais. Assim, de uma forma geral, e com muitas excepções pelo meio, escolhi dois companheiros para a refeição matinal: os batidos verdes e os batidos de kefir. Hoje falo-vos dos batidos verdes e amanhã virá o kefir.


Os batidos verdes aprendi-os com Avelino. Mestre da agricultura biológica, das ideias inovadoras e um contador de histórias. O poder das folhas, assim ele lhes chama. Convencida pelos seus argumentos imbatíveis de estes serem um shot de saúde, comecei a adicioná-los às minhas refeições ligeiras. Como não tinha, e continuo a não ter, um super copo misturador, ou uma bimby, absolutamente necessário para a versão do Avelino, procurei e encontrei outra receita. Esta de um médico brasileiro que promove a comida crudívora, tem pelo nome leite da terra. Embora um pouco mais trabalhosa, gosto francamente do resultado: um sumo sedoso, adocicado e que escorrega fácil até a ultima gota. Deixo-vos aqui os ingredientes base e um pequeno vídeo onde podem ver passo a passo como se faz.

 
Não se intimidem pelo verde...é bom e faz bem. Experimentem
 
 
Ingredientes:
1 pepino ou 1 courgete
1 maçã
1 cenoura
Folhas verdes (couve, rúcula, agrião, alface, repolho, acelga, etc…) no minímo 3 tipos diferentes,quanto maior a diversidade melhor.
Sementes germinadas (raramente coloco)
Sementes hidratadas de linhaça (ideal hidratar umas 7 horas, durante a noite)

 

terça-feira, 2 de outubro de 2012

É tempo de conservas


Preparam-se os frutos da estação da abundância para as conservas do Inverno frio. Eu gosto deste ritual, tenho sempre a sensação que me liga a algo muito antigo e de uma sabedoria profunda.

Foi assim este Domingo na quinta. Entre a recolha dos manjericões para o pesto, os tomates verdes para o chutney e as etiquetas para o doce de figo com uva, feito já há umas boas semanas, passei um bom par de horas de roda dos meus frascos. Não descorando das outras tantas que passei a pintar os frascos com a minha vinagreira.

Já agora aproveito a oportunidade para esclarecer que o nome vinagreira, da quinta e do blog, nada tem haver com vinagre. É o nome que se dá na minha terra a um passarinho, esse de peito cor de laranja que está empoleirado no topo da página e que tem tantos nomes como as terras que há em Portugal. Se quiserem saber mais sobre ele sigam por
aqui.

 


 
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...