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terça-feira, 25 de setembro de 2012

Um doce para levantar os ânimos

Era Domingo, um como tantos outros, não fosse este o dia em que me despedia do meu homem, para uma ausência prolongada fora da ilha. Regressei a casa um pouco cabisbaixa, com aquele sentimento de casa vazia e a pensar: e agora.??!!!


E que tal um doce para levantar os ânimos!

Pensei nos restos da geleia de uva-da-serra e no doce de amoras e uva-da-serra que  estavam guardados no frigorífico, esperando um qualquer uso. Pensei nas pequeninas formas de queijadas que herdei da minha avó. Pensei no queijo fresco que tinha feito há dois dias e ainda não tinha sido comido. Pensei no resto da massa da tarte de espinafres que estava a preparar para o almoço. E juntando este meu puzzle de pensamentos, surgiu a grande ideia...Míni-cheesecakes.

Assim fui juntando estes ingredientes dispersos para adoçar o meu domingo. Ainda me deu algum trabalho a montagem, mas foi desta forma, imersa na tarefa culinária, que afastei as nuvens escuras da cabeça e me preparei para mais uma semana na Quinta da Vinagreira.


Ingredientes:
As quantidades foram um pouco a olho
Massa 300g farinha
Azeite
Pitada de sal
Pitada de açúcar
Sementes de sésamo
Água para ligar a massa

Recheio
Queijo fresco
Queijo fresco batido (compro da marca Phoenicia no Continente)
Mel
Essência baunilha (só umas gotas)
1 Ovo
Compota frutos silvestres (no meu caso foram caseiras)


Preparação:
Para a massa: juntar os ingredientes até a massa ligar e deixar repousar.
Para o recheio: Num copo misturador, batedeira, BimBy ou à mão colocar os queijos frescos, o mel (a gosto), a essência de baunilha e bater durante 2 a 3 minutos. Bater o ovo e juntar ao preparado de queijo. Depois é só montar. Imagino que não vão estar deprimidas como eu, logo terão o bom senso de escolher uma tarteira grande, em vez de umas forminhas minúsculas como as minhas, assim é só cobrir a base da forma com a massa e colocar a mistura de queijo por cima. Vai ao forno até a massa estar cozida. Depois retira-se, espalha-se a compota por cima e vai ao frigorífico. Claro, depois é só comer e chorar por mais.
 

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Ratatouille


Podem sentir uma certa repulsa pelo meu gosto por esses bichos cinzentos, de olhar terno e nariz aguçado - os ratos.


Compreendo, mas não me demovo. Se olharmos bem para eles, tirando os conceitos e preconceitos, compreendemos que são de facto bichos lindinhos. Não é por acaso, que na banda desenhada e na animação, estes resultam bem como personagens amorosas que nos deixam enternecidos.

O Rémy consta do leque das minhas personagens de eleição e, claro, o Ratatui um dos meus filmes preferidos. Conjuga só coisas de que eu gosto: ratos, comida, culinária e final feliz.

Este rato inspira-me. Há muito tempo que ando a querer fazer o tal do ratatouille. Para quem viu o filme, sabe que foi com este prato campesino que o Rémy conseguiu conquistar o paladar do Ego, o implacável crítico de culinária. Hoje, finalmente, encontrei uma receita vegetariana que me agradou em absoluto e tentei reproduzi-la no meu laboratório dos sabores. Aqui a deixo ..



Courgete
Berinjela
Tomate
Alho
Cebola
Tomilho fresco
Oregão
Alecrim fresco
Azeite
Pimentões coloridos ( verde, vermelho e amarelo )
Açafrão
Pimenta preta
Sal a gosto
Molho de tomate temperado com alho, manjericão, oregão, pimenta e sal

 
Confecção:
1. Coloque uma camada de molho de tomate no fundo do tabuleiro que irá usar
2. Corte a berinjela, courgete e o tomate em rodelas finas e de diâmetros semelhantes
3. Monte alternando fatias no tabuleiro ( courgete/ tomate/ berinjela ) até encher o tabuleiro
4. Salpique com: sal, alho picado, açafrão, tomilho e alecrim, regue com azeite e cubra com papel alumínio
5. Leve ao forno pré-aquecido por 40 min
6. Refogue a cebola cortada em rodelas, o alho amassado e tiras dos pimentões coloridos em azeite com sal e pimenta do reino
9. Depois de assado os legumes cubra com o refogado de cebola e pimentões.


Fonte: Menu Vegano -  Fátima Bandeira  http://www.menuvegano.com.br/article/show/259/ratatouille

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Sopa de beldroegas

 

Como não poderia deixar de ser foi no Alentejo que primeiro ouvi falar desta sopa. Esta nasceu ali, onde os alentejanos tão sabiamente sabem combinar umas ervas do campo, com uns pedaços de pão, ervas aromáticas e já está, um prato simples de encher a barriga e lamber os beiços. Só mais tarde, também no Alentejo, na cidade de Évora, é que provei a primeira versão. No entanto, não foi a sopa de beldroegas “original”, porque a época não era de beldroegas, e assim acabei comendo com espinafres.
Na Quinta da Vinagreira, muito longe do seu berço natal, é que comi pela primeira vez “a verdadeira” sopa de beldroegas, feita pelas mãos do meu homem. Nele residem uns quantos genes alentejanos, o que concede ao prato maior autenticidade.
As beldroegas foram apanhadas na quinta e nas redondezas. As batatas, produção cá de casa, e os queijos de cabra, planeados para ser da quinta, comprei-os no supermercado. Isto porque a Francisca, infelizmente, não nos saiu lá uma grande cabra leiteira.
Depois de reunídos todos os ingredientes, foi só passar para a panela e dar andamento à receita.
 
Sopa beldroegas (4 pessoas)

. 2 molhos de beldroegas

. 1 kg de batatas (pusemos menos)


. 4 cabeças de alho (a meu ver pode substituir por alguns dentes)


. 2 queijos brancos de cabra (usei Queijo de Palhais)

. 4 ovos

. 1,5 de azeite

. Sal


Arranjam-se as beldroegas e escaldam-se. Num tacho fritam-se ligeiramente os alhos e depois juntam-se as beldroegas, refogando ligeiramente. Deita-se água suficiente para a sopa, o queijo, partido em quartos, deixando ferver. Depois juntam-se as batatas cortadas às rodelas grossas. Quando estiverem quase cozidas escalfam-se os ovos. O sal deve ser rectificado, mas os queijos já contribuem bastante para o sal deste prato, pelo que se recomenda alguma parcimónia.


Serve-se esta sopa com pão (de preferência alentejano) às fatias. Separam-se as beldroegas, as batatas, os ovos, o queijo e os alhos numa travessa e serve-se o caldo para regar as sopas. Eu servi tudo junto, e quanto ao  queijo, nem vê-lo, derreteu-se completamente, mas o sabor esse ficou lá, inconfunível.
Espero que aproveitem a época das beldroegas e experimentem esta sopa. Bom Setembro a todos.


terça-feira, 28 de agosto de 2012

Fruta da época – Tomates recheados

Tomateiro da Quinta Vinagreira em plena produção.
Uma das coisas maravilhosas desta vida é comer os frutos, os legumes e as hortaliças da época. É aí que nos recordamos dos verdadeiros sabores. Hoje com o acesso generalizado aos alimentos, perdemos a noção desse sabor especial que está intimamente ligado à terra e a uma época do ano. Experimentem a comer uma castanha no outono, uma laranja no Inverno, umas favas na Primavera, um tomate no Verão e depois contem-me a diferença.
 

Hoje para o almoço fiz tomates recheados. Uma receita simples e deliciosa. Os tomates que cozinhei foram-me oferecidos pela Dona Paulina das Cinco Ribeiras. Cá na Quinta, apesar das imensas expectativas para a produção deste ano, uma série de azares fizeram deles uma raridade que comemos sempre com um grande ritual, apreciando cada dentada como se fosse o maior tesouro do mundo.

Deixo-vos então esta magnífica receita. Experimentem com a vossa produção caseira ou com alguns bons tomates que percebam que tenham vindo de uma terra sã ou de um bom agricultor.


Tomates recheados da Quinta da Vinagreira.
 Ingredientes:

 - 4 Tomates médios
- 1 Cebola
- 1 Raminho de salsa
- 150 gr de arroz
- Sal
- Azeite

Confecção:

1. Retire as tampas dos tomates e escave os seus interiores, reservando a sua polpa.
2. Pique a cebola, a salsa e o tomate. Tempere o tomate escavado com sal grosso.
3. Cozinhe o arroz temperado com sal. Depois de cozido junte aos restantes ingredientes, preparando, assim, o recheio.

4. Recheie o interior de cada tomate com o recheio e regue com azeite. Cubra com as tampas e leve ao forno por 30 minutos, a 200 graus.

Receita adaptada da Revista Cozinha Vegetariana
 

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Curtume da Quinta da Vinagreira


Na quinta já começamos a pensar na estação das chuvas e do tempo frio, na estação da escassez para qual é preciso armazenar como a formiga da fábula.
Foi com este espírito que pusemos mãos à obra e fizemos o nosso primeiro curtume (picles) do ano. Aproveitamos algumas coisas que abundavam cá pela horta: cebola, feijão verde, courgetes, recolectamos outras, como o famoso perrexil e ainda compramos uns pimentos que são dos meus ingredientes favoritos no curtume.


O perrexil é a base do nosso curtume, seguindo a tradição que aprendi na casa materna. Colhemos uma boa quantidade nas costas rochosas dos Biscoitos, onde cresce com abundância. Para quem não sabe o que é o perrexil (Crithmum maritimum) este é uma planta natural dos Açores que cresce junto ao mar, em costas rochosas. Possui uma cor verde pálido, de folhas ligeiramente carnudas e com um paladar que lhe é muito característico. As flores fazem lembrar as da salsa, isto porque é da mesma família, mas destinguem-se bem pela sua coloração e pelo seu aspecto mais compacto e carnudo.
Aspecto geral do perrexil. Foto de Álvaro Areias, retirada do Portal da Biodiversidade
http://www.azoresbioportal.angra.uac.pt/index.php?lang=pt.
De resto deixo-vos as fotos do momento e a ansiedade de abrir o primeiro frasco que será no minímo só daqui um mês.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Favas à Mãe Judite

Mãe Judite. O prato, na mão da minha mãe, não é o de favas, mas demonstra a sua alegría na cozinha.

Apesar de me ser difícil não continuar a falar da Berra e da suas cabreolíces de cabritinha em crescimento, dedico-me hoje, finalmente, à odisseia das receitas de favas da ilha do Pico.Termino, assim, com uma receita da minha mãezinha, depois das favas da festa e das favas à avó Ilda. Por constituir um prato mais subtâncial, a minha mãe  servía estas favas, à família, principalmente ao almoço. Adoro o seu cheirinho a hortelã e as fatias de pão ensopadas no caldo das favas. Se gostam de favas, aqui está mais uma forma de as confeccionar, e vale bem apena experimentar; é boa e simples. Cá por casa, no âmbito vegetariano, estas são as favoritas.
Receita Guisado Favas da Mãe Judite
Ingredientes
Favas
Ovos (1 por pessoa)
Cebola
Alho
Tomate ou tomatada
Azeite
Picante (malagueta ou piri-piri)
Sal

Preparação
Cozer as favas em água e sal. À parte fazer um refogado, dourando a cebola e o alho em azeite até quebrar e depois juntar o tomate e os temperos. A este refogado juntar as favas, depois de cozidas, bem como parte  (ou todo) do caldo da cozedura (convém ficar com um caldo abundante). Numa travessa colocar fatias de pão (melhor é usar um pão consistente, tipo alentejano) com algumas folhas de hortelã por cima. Escalfar ovos colocá-los em cima das fatias pão e regar tudo com o caldo de favas e abafar durante alguns minutos.

E depois, já sabem, é comer e chorar por mais

terça-feira, 15 de maio de 2012

Pão Caseiro em 5 minutos por dia


Pão de centeio cozido no fogão a gás da Quinta da Vinagreira
A  pedido de algumas famílias, em vez da minha 3º receita de favas, lanço aqui a receita do pão que revolucionou a Quinta da Vinagreira.

Andávamos a pensar há algum tempo que devíamos começar a fazer pão em casa, mas a ideia, apesar de me agradar, deixava-me um pouco apreensiva. As minhas tentativas anteriores de fazer pão nunca tinham sido muito bem sucedidas,  além do tempo que se despendia, normalmente não saía grande coisa. Então pus-me a pesquisar na internet, e num blog, que já esqueci o nome, descobri a mágica receita de pão: fácil, rápida, prática e raramente sai mal. O único senão vai para o pecado da gula. Com um pão a sair quentinho todos os dias, as tentações são mais do que muitas.
A receita foi inventada por dois americanos (só podia), numa associação improvável: uma chefe de pastelaria, Zoë François e um médico, Jeff Hertzbergv. Neste momento já vão na publicação do seu 3º livro, baseados em variações à sua  receita e método base de fazer pão. Adquiri há pouco tempo o meu primeiro livro. Chama-se Artisan Bread in Five Minutes a Day, e vale bem o investimento, embora com a receita base já se possa fazer muita invenção. Os outros livros publicados posteriormente são: Healthy Bread in Five Minutes a Day e Artisan Pizza and Flatbread in Five Minutes. Se tiverem interessados aqui vão os links para comprarem:

A ideia desta forma de fazer pão é preparar uma massa em 5 minutos, misturando só os ingredientes e depois de pronta pode ser guardada no frigorífico até 15 dias. Em qualquer altura pode-se tirar um pouco de massa e fazer um magnífico pão fresquinho.
Vou-vos dar a receita de base, a partir da qual podem ir fazendo alterações para verem o que resulta melhor. Como por exemplo: substituir parte da farinha trigo por outras farinhas, colocar recheios como ervas, azeitonas, etc.... Foi assim que fiz no início.
Receita base do pão em 5 minutos
É necessário um recipiente plástico tipo balde com uma capacidade de 4 litros (como se pode ver no vídeo).
Ingredientes
·         3 copos de água morna
·         1 ½ colher de sopa fermento de padeiro
·         1 colher de sopa de sal grosso
·         6 ½ copos de farinha trigo sem fermento
1 copo = 1 chávena = 1 cup = 235 ml


Preparação:
No recipiente dissolver na água morna o fermento e o sal. Juntar depois a farinha e mexer com uma colher de pau, apenas o suficiente, para que a massa fique homogénea (também se pode usar a mão, mas é uma massa muito peganhenta). Tapar com a tampa (mal fechada) ou um pano e deixar repousar fora do frigorífico durante 2 horas. Actualmente faço uma versão modificada desta receita. A massa fica a repousar cerca de 8 horas e leva muito menos fermento (apenas uma colher de chá). Eu gosto mais desta versão, porque acho que a receita original sabe um pouco a fermento o que me desagrada. Quanto ao aumento do tempo de levedação até acho mais prático, porque preparo à noite e de manhã está pronto para cozinhar ou guardar.

A partir daqui, podem formar-se as bolas de massa para cozer ou colocar a massa no frigorífico, onde se pode conservar até 15 dias. Quando necessitarmos de cozer o pão, deve-se pegar na massa com as mãos enfarinhadas, formando a bola do tamanho desejado; para isso, deve-se manusear a massa o menos possível, dobrando-a para baixo, de modo a que não perca as bolhas de ar formadas. A massa deve ser colocada sobre um tabuleiro enfarinhado com farinha de milho ou sobre uma folha de papel vegetal anti-aderente. Num método mais à Quinta da Vinagreira uso folhas de couve/conteira como suporte anti-aderente. Antes de ir para o forno, deixa-se repousar à temperatura ambiente, durante 30 a 40 minutos. Deve aquecer-se o forno, previamente, a 2300 e o pão vai a cozer entre 30 a 40 minutos (no meu fogão de gás demora cerca de 40 minutos, enquanto que no fogão de lenha demora uns 30 minutos).
E Voilá ... pão quentinho sobre a mesa. Na verdade penso que é melhor deixar arrefecer para ficar com boa consistência, mas aqui por casa normalmente não tem tempo para isso ;).

Adicionei aqui um vídeo do YouTube dos autores, pois ajuda sempre com imagens, bem como o link para o site dos mesmos, onde surgem ideias engraçadas. E, claro, termino com as fotos dos meus dois últimos pães, para verem que a produção aqui na Quinta da Vinagreira é em massa, ahahha.

Pão com 20% farinha integral e sementes

Pão 100% integral com mel e azeite. Não foi dos mais apreciados por aqui.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Favas à avó Ilda

Avó Ilda e avô Melo na sua cozinha em Santo António do Pico.

Conheci a avó Ilda até aos seis anos, mas os seus cheiros ficaram impregnados na minha memória para sempre. O cheiro da cevada aquecida na cafeteira de esmalte, as rosquilhas feitas no forno, a sopa de salsa, as bolas de massa de farinha de milho para as galinhas ou os pacotes de picocas em sacos de açucar de 1kg que nos oferecia pelas festas. Era uma avó gordinha, doce e sorridente, daquelas avós que nos queremos perder num abraço quentinho.

Esta receita de “Favas à avó Ilda” é bastante simples, fácil e rápida. Com tanta simplicidade poderia duvidar-se do resultado, mas eu gosto imenso; não sei se é por me trazer a avó Ilda de volta e saber a nostalgia, mas é uma receita que gosto de repetir, todos os anos, quando abundam as favas.
 Ingredientes
·         Favas
·         Azeite
·         Coloral
·         Picante (malagueta)
·         Pimenta branca

Cozer as favas em água e sal. Depois de cozidas, fazer um molho com azeite, colorau, pimenta branca, e picante e água da cozedura das favas. O molho tem de ser abundante em azeite. Depois, regar as favas cozidas com este molho e abafar uns 10 minutos; finalmente, claro, é só comer. J

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Favas de Festa à moda do Pico

A tirar as favas da horta da Quinta da Vinagreira
Hoje, apesar do tempo chuvoso, foi dia de favas na Quinta da Vinagreira. Só nos faltava um pequeno canteiro para tirar da terra. Este foi cultivado num canto mais sombrio e, além disso, segundo o calendário lunar biodinâmico, tinham sido plantadas no dia errado. Por uma razão ou por outra, ou quem sabe pelas duas, desenvolveram-se menos e só hoje saíram da terra. Num trabalho de equipa, o meu homem arrancou-as, eu tirei as favas, e juntos descascámos. Foi num instante. Rendeu quase um balde de favas; contas feitas, deu para o nosso almoço, para o jantar, e ainda para guardar um pacotinho no congelador, onde irá fazer companhia a outros que já lá estão à espera de um dia servirem de repasto à mesa da Quinta da Vinagreira.
Hoje fiz “Favas da festa”, como lhes chamamos na ilha do Pico. Na verdade, esta receita, simples, que é usada tradicionalmente nas festas de Verão como petisco nas tascas, é feita com fava seca. No entanto, a vontade de as comer era tanta que decidi cozinhá-las mesmo tenras... e marcharam.
Aproveito assim o mote das favas para iniciar o primeiro de três posts para passar três receitas do Pico. Uma delas é esta, a das festas, e as outras duas são receitas lá de casa. Receitas que se faziam na época das coisas, no tempo das favas. Assim, quando as favas saíam da terra, recheavam os nossos jantares e almoços. As “Favas à avó Ilda” eram uma receita típica de jantar, e as “Favas guisadas” eram mais propensas aos almoços. Fosse qual fosse a receita, elas sabiam sempre divinamente, porque como diz o adágio: “Não há nada como a fruta da época”.
Assim, aqui vos deixo a primeira das minhas três receitinhas picarotas, quem sabe ainda aproveitam alguma agora no tempo das favas.
Favas da festa

Ingredientes:

·         Cebola (muita cebola, não sei dizer a quantidade, mas tem de ser abundante porque é a
 base do prato)
  • ·         Alho
  • ·         Sal
  • ·         Malagueta
  • ·         Azeite

Cozer as favas. Depois fazer uma cebolada, refogando o alho e a cebola. Temperar com bastante picante (não esquecer que isto é receita de petisco). Depois da cebolada estar translúcida juntar as favas e deixar refogar tudo junto. Retificar o sal. E já está.

Preparação das favas de festa à moda do Pico.
 Esta malagueta é picarota, da minha amiga Rosa que me ofereceu com muito carinho
 Como vêem pela foto, acompanhei com uns grelos (da horta da amiga Cândida) salteados e umas batatas da quinta  salteadas com gengibre. De comer e chorar por mais.
Amanhã cá virá mais uma receitinha.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Frascos,Frasquinhos e Frasquetes ...

Final do Verão, aproximando-se Setembro, começa um tempo tropeção, com chuvadas graúdas, aragens frescas e mares mais agrestes. Vai-se tornar escassa a fartura do Verão e a ideia que o ano não é feito só de dias de sol começa a tomar espessura no espírito. È por isso a altura ideal, de tal como as formigas, armazenar para o longo e sempre difícil Inverno.

È o tempo das uvas, dos figos, das amoras, das uvas-da-serra...sim é esse tempo adorável das compotas, mas também dos pickles (curtumes). È altura de enfrascar, se me permitem o termo.
Adoro este acto de armazenagem. Primeiro é claro porque ele é sempre antecedido pela recolha, e a recolha implica campo, ar livre e passeios. Adoro pegar no meu saco e ir por essas canadas recolhendo os frutos que o Verão ainda oferece.
Tenho o verdadeiro espírito do recolector e por isso talvez o mês de Setembro é o meu mês favorito por excelência.

Este ano comecei as minhas artes recolectoras ainda antes deste mágico mês. Era ainda Julho e já andava eu a deambular em busca de qualquer coisinha para apanhar. Andava pelas rochas do Pico a apanhar perrexil, pelos campos da ilha em busca de oregãos e poejo. Enfim, consegui um bom molhe de oregãos, bons para o Inverno, e 17 frascos de curtume.

Um dos meus frasco coloridos de curtume

Este ano não podia falhar o curtume. Tenho sempre na memória os grandes frascos de vidro grosso que a minha mãe enchia de perrexil, tomates verdes e cebolas e que nos alimentavam o Inverno inteiro. Este ano em casa dos pais, com o quintal da minha mãe e a sua orgulhosa cultura orgânica, haviam os ingredientes todos, só faltava mesmo um bom molhe de perrexil da beira costa. E assim foi que entre passeios de saco na mão colhemos o sufiente para esta bela quantia de frascos coloridos que decoram agora o topo do meu frigorífico.

Embora mais uma partida se avizinhe espero na chegada ainda encontrar umas amoras e que os meus figos se resolvam a amadorecer. Quero encher a casa de frascos, frasquinhos e frasquetes cheios de Verão ...

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Jantar com Sopa - Minestrone à Genovesa

Uma das regras do meu novo regime é à noite ser um pouco mais radical e comer só uma sopinha. É a hora do descanso. O corpo não necessita de grandes energías, e aqueles jantares fartos, emboram soubessem pela vida, estavam fora de questão. Então chegou o reinado da Sopa. Graças a Deus que adoro uma boa sopa. Assim tenho a oportunidade de comer muitas e variadas e fazer novas aventuras no mundo das sopas. Então ontem à noite foi dia para o Minestrone à Genovesa...digamos que não é uma sopa leve, em si mesmo é uma refeição completa, mas confesso que já estava um pouco cansada dos meus purés levezinhos...aahahha ... e tenho me portado tão bem ;). Para quem queira experimentar esta magnifica sopa aqui vai a receita e as fotografias do jantar de ontem ...


Receita:

Ingredientes:
100 g feijão vermelho (eu usei de lata, uma das muitas aldrabices)
1 cebola média (para aqueles que dispensam podem tirar, eu tirei)
3 dentes alho esmagado (também tirei)
100 g de couve repoulho cortada
100 g cogumelos (preferência fresco) cortados
1 corgete pequena cortada aos cubos
1 beringela pequena cortada aos cubos
350 g de tomatos pelados cortados aos cubos
2 colheres sopa de tomatada
Oregãos
50g massa à escolha, pode ser integral (usei fusilli)
Salsa picada
Molho soja
Pimenta-preta

1. Se não forem preguiçosos como eu, cozam feijões, depois de demolhados e guardem a água de cozedura do feijão.
2. Num tacho aqueçam o azeite e refoguem as cebolas  e os alhos, depois acrescentar o repoulho, cogumelos, corgetes, beringelas e tomates e deixe cozinhar um pouco.
3. Junte a tomatada, os oregãos, os feijões e o caldo do feijão (ou água, como foi o meu caso). Deixe cozinhar um bocado e depois junte a massa e a salsa e retifique os temperos; molho soja e pimenta e como gosto do picante adicionei uma niquinha de malagueta. Deixe cozer a massa e sirva quentinho...sabe que nem ginjas, neste caso que nem Minestrone à Genovesa. Bon appetit ...
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