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quinta-feira, 4 de outubro de 2012

De manhã é que se começa o dia ...

Acordar não é dos meus melhores momentos do dia. Sim, eu gostaria de despertar com o nascer do sol, mas deu-se o acaso do destino de eu não ser uma dessas pessoas madrugadoras, e ser apenas uma daquelas que sonhava ser.

Contudo, é de manhã que se começa o dia e com ele, sem dúvida, um bom pequeno-almoço. Para que fique claro, não sou uma purista de pequenos-almoços light. Uma versão pantagruélica com a mesa farta, recheada de pães, compotas, queijos, café, sumos e até uns ovos mexidos com bacon deixa-me de olhos em bico e o meu nível de satisfação no mais alto.


Mas também gosto de refeições light e saudáveis. Estas pontuam-me a rotina, enquanto as outras dão o colorido à vida, são as dos dias especiais. Assim, de uma forma geral, e com muitas excepções pelo meio, escolhi dois companheiros para a refeição matinal: os batidos verdes e os batidos de kefir. Hoje falo-vos dos batidos verdes e amanhã virá o kefir.


Os batidos verdes aprendi-os com Avelino. Mestre da agricultura biológica, das ideias inovadoras e um contador de histórias. O poder das folhas, assim ele lhes chama. Convencida pelos seus argumentos imbatíveis de estes serem um shot de saúde, comecei a adicioná-los às minhas refeições ligeiras. Como não tinha, e continuo a não ter, um super copo misturador, ou uma bimby, absolutamente necessário para a versão do Avelino, procurei e encontrei outra receita. Esta de um médico brasileiro que promove a comida crudívora, tem pelo nome leite da terra. Embora um pouco mais trabalhosa, gosto francamente do resultado: um sumo sedoso, adocicado e que escorrega fácil até a ultima gota. Deixo-vos aqui os ingredientes base e um pequeno vídeo onde podem ver passo a passo como se faz.

 
Não se intimidem pelo verde...é bom e faz bem. Experimentem
 
 
Ingredientes:
1 pepino ou 1 courgete
1 maçã
1 cenoura
Folhas verdes (couve, rúcula, agrião, alface, repolho, acelga, etc…) no minímo 3 tipos diferentes,quanto maior a diversidade melhor.
Sementes germinadas (raramente coloco)
Sementes hidratadas de linhaça (ideal hidratar umas 7 horas, durante a noite)

 

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Ratatouille


Podem sentir uma certa repulsa pelo meu gosto por esses bichos cinzentos, de olhar terno e nariz aguçado - os ratos.


Compreendo, mas não me demovo. Se olharmos bem para eles, tirando os conceitos e preconceitos, compreendemos que são de facto bichos lindinhos. Não é por acaso, que na banda desenhada e na animação, estes resultam bem como personagens amorosas que nos deixam enternecidos.

O Rémy consta do leque das minhas personagens de eleição e, claro, o Ratatui um dos meus filmes preferidos. Conjuga só coisas de que eu gosto: ratos, comida, culinária e final feliz.

Este rato inspira-me. Há muito tempo que ando a querer fazer o tal do ratatouille. Para quem viu o filme, sabe que foi com este prato campesino que o Rémy conseguiu conquistar o paladar do Ego, o implacável crítico de culinária. Hoje, finalmente, encontrei uma receita vegetariana que me agradou em absoluto e tentei reproduzi-la no meu laboratório dos sabores. Aqui a deixo ..



Courgete
Berinjela
Tomate
Alho
Cebola
Tomilho fresco
Oregão
Alecrim fresco
Azeite
Pimentões coloridos ( verde, vermelho e amarelo )
Açafrão
Pimenta preta
Sal a gosto
Molho de tomate temperado com alho, manjericão, oregão, pimenta e sal

 
Confecção:
1. Coloque uma camada de molho de tomate no fundo do tabuleiro que irá usar
2. Corte a berinjela, courgete e o tomate em rodelas finas e de diâmetros semelhantes
3. Monte alternando fatias no tabuleiro ( courgete/ tomate/ berinjela ) até encher o tabuleiro
4. Salpique com: sal, alho picado, açafrão, tomilho e alecrim, regue com azeite e cubra com papel alumínio
5. Leve ao forno pré-aquecido por 40 min
6. Refogue a cebola cortada em rodelas, o alho amassado e tiras dos pimentões coloridos em azeite com sal e pimenta do reino
9. Depois de assado os legumes cubra com o refogado de cebola e pimentões.


Fonte: Menu Vegano -  Fátima Bandeira  http://www.menuvegano.com.br/article/show/259/ratatouille

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Curtume da Quinta da Vinagreira


Na quinta já começamos a pensar na estação das chuvas e do tempo frio, na estação da escassez para qual é preciso armazenar como a formiga da fábula.
Foi com este espírito que pusemos mãos à obra e fizemos o nosso primeiro curtume (picles) do ano. Aproveitamos algumas coisas que abundavam cá pela horta: cebola, feijão verde, courgetes, recolectamos outras, como o famoso perrexil e ainda compramos uns pimentos que são dos meus ingredientes favoritos no curtume.


O perrexil é a base do nosso curtume, seguindo a tradição que aprendi na casa materna. Colhemos uma boa quantidade nas costas rochosas dos Biscoitos, onde cresce com abundância. Para quem não sabe o que é o perrexil (Crithmum maritimum) este é uma planta natural dos Açores que cresce junto ao mar, em costas rochosas. Possui uma cor verde pálido, de folhas ligeiramente carnudas e com um paladar que lhe é muito característico. As flores fazem lembrar as da salsa, isto porque é da mesma família, mas destinguem-se bem pela sua coloração e pelo seu aspecto mais compacto e carnudo.
Aspecto geral do perrexil. Foto de Álvaro Areias, retirada do Portal da Biodiversidade
http://www.azoresbioportal.angra.uac.pt/index.php?lang=pt.
De resto deixo-vos as fotos do momento e a ansiedade de abrir o primeiro frasco que será no minímo só daqui um mês.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Pão Caseiro em 5 minutos por dia


Pão de centeio cozido no fogão a gás da Quinta da Vinagreira
A  pedido de algumas famílias, em vez da minha 3º receita de favas, lanço aqui a receita do pão que revolucionou a Quinta da Vinagreira.

Andávamos a pensar há algum tempo que devíamos começar a fazer pão em casa, mas a ideia, apesar de me agradar, deixava-me um pouco apreensiva. As minhas tentativas anteriores de fazer pão nunca tinham sido muito bem sucedidas,  além do tempo que se despendia, normalmente não saía grande coisa. Então pus-me a pesquisar na internet, e num blog, que já esqueci o nome, descobri a mágica receita de pão: fácil, rápida, prática e raramente sai mal. O único senão vai para o pecado da gula. Com um pão a sair quentinho todos os dias, as tentações são mais do que muitas.
A receita foi inventada por dois americanos (só podia), numa associação improvável: uma chefe de pastelaria, Zoë François e um médico, Jeff Hertzbergv. Neste momento já vão na publicação do seu 3º livro, baseados em variações à sua  receita e método base de fazer pão. Adquiri há pouco tempo o meu primeiro livro. Chama-se Artisan Bread in Five Minutes a Day, e vale bem o investimento, embora com a receita base já se possa fazer muita invenção. Os outros livros publicados posteriormente são: Healthy Bread in Five Minutes a Day e Artisan Pizza and Flatbread in Five Minutes. Se tiverem interessados aqui vão os links para comprarem:

A ideia desta forma de fazer pão é preparar uma massa em 5 minutos, misturando só os ingredientes e depois de pronta pode ser guardada no frigorífico até 15 dias. Em qualquer altura pode-se tirar um pouco de massa e fazer um magnífico pão fresquinho.
Vou-vos dar a receita de base, a partir da qual podem ir fazendo alterações para verem o que resulta melhor. Como por exemplo: substituir parte da farinha trigo por outras farinhas, colocar recheios como ervas, azeitonas, etc.... Foi assim que fiz no início.
Receita base do pão em 5 minutos
É necessário um recipiente plástico tipo balde com uma capacidade de 4 litros (como se pode ver no vídeo).
Ingredientes
·         3 copos de água morna
·         1 ½ colher de sopa fermento de padeiro
·         1 colher de sopa de sal grosso
·         6 ½ copos de farinha trigo sem fermento
1 copo = 1 chávena = 1 cup = 235 ml


Preparação:
No recipiente dissolver na água morna o fermento e o sal. Juntar depois a farinha e mexer com uma colher de pau, apenas o suficiente, para que a massa fique homogénea (também se pode usar a mão, mas é uma massa muito peganhenta). Tapar com a tampa (mal fechada) ou um pano e deixar repousar fora do frigorífico durante 2 horas. Actualmente faço uma versão modificada desta receita. A massa fica a repousar cerca de 8 horas e leva muito menos fermento (apenas uma colher de chá). Eu gosto mais desta versão, porque acho que a receita original sabe um pouco a fermento o que me desagrada. Quanto ao aumento do tempo de levedação até acho mais prático, porque preparo à noite e de manhã está pronto para cozinhar ou guardar.

A partir daqui, podem formar-se as bolas de massa para cozer ou colocar a massa no frigorífico, onde se pode conservar até 15 dias. Quando necessitarmos de cozer o pão, deve-se pegar na massa com as mãos enfarinhadas, formando a bola do tamanho desejado; para isso, deve-se manusear a massa o menos possível, dobrando-a para baixo, de modo a que não perca as bolhas de ar formadas. A massa deve ser colocada sobre um tabuleiro enfarinhado com farinha de milho ou sobre uma folha de papel vegetal anti-aderente. Num método mais à Quinta da Vinagreira uso folhas de couve/conteira como suporte anti-aderente. Antes de ir para o forno, deixa-se repousar à temperatura ambiente, durante 30 a 40 minutos. Deve aquecer-se o forno, previamente, a 2300 e o pão vai a cozer entre 30 a 40 minutos (no meu fogão de gás demora cerca de 40 minutos, enquanto que no fogão de lenha demora uns 30 minutos).
E Voilá ... pão quentinho sobre a mesa. Na verdade penso que é melhor deixar arrefecer para ficar com boa consistência, mas aqui por casa normalmente não tem tempo para isso ;).

Adicionei aqui um vídeo do YouTube dos autores, pois ajuda sempre com imagens, bem como o link para o site dos mesmos, onde surgem ideias engraçadas. E, claro, termino com as fotos dos meus dois últimos pães, para verem que a produção aqui na Quinta da Vinagreira é em massa, ahahha.

Pão com 20% farinha integral e sementes

Pão 100% integral com mel e azeite. Não foi dos mais apreciados por aqui.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Favas à avó Ilda

Avó Ilda e avô Melo na sua cozinha em Santo António do Pico.

Conheci a avó Ilda até aos seis anos, mas os seus cheiros ficaram impregnados na minha memória para sempre. O cheiro da cevada aquecida na cafeteira de esmalte, as rosquilhas feitas no forno, a sopa de salsa, as bolas de massa de farinha de milho para as galinhas ou os pacotes de picocas em sacos de açucar de 1kg que nos oferecia pelas festas. Era uma avó gordinha, doce e sorridente, daquelas avós que nos queremos perder num abraço quentinho.

Esta receita de “Favas à avó Ilda” é bastante simples, fácil e rápida. Com tanta simplicidade poderia duvidar-se do resultado, mas eu gosto imenso; não sei se é por me trazer a avó Ilda de volta e saber a nostalgia, mas é uma receita que gosto de repetir, todos os anos, quando abundam as favas.
 Ingredientes
·         Favas
·         Azeite
·         Coloral
·         Picante (malagueta)
·         Pimenta branca

Cozer as favas em água e sal. Depois de cozidas, fazer um molho com azeite, colorau, pimenta branca, e picante e água da cozedura das favas. O molho tem de ser abundante em azeite. Depois, regar as favas cozidas com este molho e abafar uns 10 minutos; finalmente, claro, é só comer. J

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Favas de Festa à moda do Pico

A tirar as favas da horta da Quinta da Vinagreira
Hoje, apesar do tempo chuvoso, foi dia de favas na Quinta da Vinagreira. Só nos faltava um pequeno canteiro para tirar da terra. Este foi cultivado num canto mais sombrio e, além disso, segundo o calendário lunar biodinâmico, tinham sido plantadas no dia errado. Por uma razão ou por outra, ou quem sabe pelas duas, desenvolveram-se menos e só hoje saíram da terra. Num trabalho de equipa, o meu homem arrancou-as, eu tirei as favas, e juntos descascámos. Foi num instante. Rendeu quase um balde de favas; contas feitas, deu para o nosso almoço, para o jantar, e ainda para guardar um pacotinho no congelador, onde irá fazer companhia a outros que já lá estão à espera de um dia servirem de repasto à mesa da Quinta da Vinagreira.
Hoje fiz “Favas da festa”, como lhes chamamos na ilha do Pico. Na verdade, esta receita, simples, que é usada tradicionalmente nas festas de Verão como petisco nas tascas, é feita com fava seca. No entanto, a vontade de as comer era tanta que decidi cozinhá-las mesmo tenras... e marcharam.
Aproveito assim o mote das favas para iniciar o primeiro de três posts para passar três receitas do Pico. Uma delas é esta, a das festas, e as outras duas são receitas lá de casa. Receitas que se faziam na época das coisas, no tempo das favas. Assim, quando as favas saíam da terra, recheavam os nossos jantares e almoços. As “Favas à avó Ilda” eram uma receita típica de jantar, e as “Favas guisadas” eram mais propensas aos almoços. Fosse qual fosse a receita, elas sabiam sempre divinamente, porque como diz o adágio: “Não há nada como a fruta da época”.
Assim, aqui vos deixo a primeira das minhas três receitinhas picarotas, quem sabe ainda aproveitam alguma agora no tempo das favas.
Favas da festa

Ingredientes:

·         Cebola (muita cebola, não sei dizer a quantidade, mas tem de ser abundante porque é a
 base do prato)
  • ·         Alho
  • ·         Sal
  • ·         Malagueta
  • ·         Azeite

Cozer as favas. Depois fazer uma cebolada, refogando o alho e a cebola. Temperar com bastante picante (não esquecer que isto é receita de petisco). Depois da cebolada estar translúcida juntar as favas e deixar refogar tudo junto. Retificar o sal. E já está.

Preparação das favas de festa à moda do Pico.
 Esta malagueta é picarota, da minha amiga Rosa que me ofereceu com muito carinho
 Como vêem pela foto, acompanhei com uns grelos (da horta da amiga Cândida) salteados e umas batatas da quinta  salteadas com gengibre. De comer e chorar por mais.
Amanhã cá virá mais uma receitinha.
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