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terça-feira, 31 de outubro de 2017

Aconchegos de Outono: sopa de caiotas, beldroegas e salsa.


Ah, hoje fez um daqueles dias maravilhosos de Outono. Aquele tempo calmo em que sussurra o silêncio. Apetece deambular por baixo das árvores que se despem, e pela horta, onde tudo está em fase de adormecer, depois da euforia da frutificação do Verão.  Nestas deambulações contemplativas, com três mini-gatos a correr ao meu lado, quase atropelei estes belos raminhos de beldroelgas.

Hmmm..., que viçosas! Já sei para onde estas vão. Direitinhas para o tacho, para a sopa de caiota e beldroegas. E, como a salsa pesponta na horta, está decidido, será mesmo é uma sopa de caiotas, beldroegas e salsa.


Temos jantar. Cá na quinta as noites na mesa são sempre à volta de uma panela de sopa. O patrão não aprecia demasiado o conceito, mas entre ter de fazer o jantar e comer as minhas sopas, opta pela segunda opção.

Sem dúvida que uma das belezas das caiotas é mesmo nas sopas. Substituem alimentos mais calóricos, como a batata, e fazem uma base de sopa maravilhosa. Penso que nesta altura do ano não há uma única sopa sem caiota cá por casa. Deixo-vos esta receita, entre tantas outras possíveis e deliciosas opções.



                 IMPRIMIR A RECEITA



Moqueca de caiota e um galinheiro móvel

O dia todo a fazer um galinheiro móvel para as galinhas.
Não está a correr bem.
As galinhas não estão felizes, mas em contrapartida os gatos sim. Ficam fora do galinheiro a fazer pressão psicológica. Pode-se adivinhar porque as galinhas não estão a usufruir da experiência. ;)



A ideia deste galinheiro é ser muito móvel e versátil, para caber em todos os recantos do quintal. Todas as partes são móveis, para não ser uma estrutura fixa. A ideia até funcionou, mas a casa para se abrigarem e, claro, se sentirem inspiradas colocarem um ovo, é que me está a dar cabo da cabeça. Os meus dotes de carpinteira deixam um pouco a desejar e, até agora, as várias tentativas levadas a cabo resultaram em sucessivas frustrações.
Enfim amanhã é um novo dia...
Agora tenho um rato a cantar no estômago ... Está na hora de ir para cozinha e dedicar-me à "Ode das Caiotas".
Temos hoje na ementa moqueca de caiota.
Uma pequena delícia inspirada numa receita de moqueca de tofu da Gabriela Oliveira.

Adoro esta receita porque é rápida e deliciosa. Acompanhada com um arrozinho e uma salada, faz um almoço de reis. Deixo-vos então com mais uma sugestão para as vossas caiotas/chuchus. Deliciem-se.

INGREDIENTES (2 pessoas de muito alimento ; ) esta é a medida cá de casa)

  • 2 caiotas grandes
  • 1 cenoura
  • Tiras de 1/2 pimento 
  • Tomate triturado (1/2 lata 400ml)
  • 1/2 cebola média
  • 2 dentes de alho
  • azeite q.b.
  • 2 c. sopa de limão
  • 1 lata de leite de coco
  • 1 malagueta pequena (opcional)
  • Coentros
  • 1 folha de louro
  • Pimentão-doce ou paprika q,b.
  • Cominhos q.b.
  • Sal q.b.
  • Modo de Preparo
  1. Descasque as caiotas e cenouras  e corte-as aos bocados
  2. Pique a cebola e os alhos
  3. Refogue em azeite até alourar a cebola e o alho
  4. Junte as caiotas e a cenoura, refogue um pouco e adicione o tomate
  5. Coloque os temperos, a folha de louro, o pimento e o sumo de limão mexendo bem
  6. Adicione o leite de coco, a malagueta e os coentros. Deixe apurar um pouco e rectifique o sal.

VARIAÇÃO 

  1. Substitua as caiotas por tofu

DICA

  1. Para descascar as caiotas e não ficar com a goma das mesmas nas mãos, faça-o debaixo de água corrente.

domingo, 20 de março de 2016

Equinocio da Primavera

Há um ano atrás, no Equinócio da Primavera, nascia na quinta a Prima e a Vera, uma das melhores maneiras para se dar boas vindas a uma nova estação.

Este ano não houve nascimentos, mas a Primavera vibra aqui como nunca. A horta, transformada em Mandala este Outono, está ao rubro, transbordando de vida. As flores abrem-se em cada esquina, os nossos espargos espreitam fora da terra e ouvimos o som das abelhas como sinfonia de fundo. O dia está maravilhoso e cheio de sol.






Daqui pouco vou  para a horta em mandala, fazer furinhos na terra e plantar os plantios que trouxe do Biotrocas. Celebrar a chegada da Primavera no espaço da Gequesta a trocar legumes, sementes e plantios, entre gente boa, é uma delicia e um presságio para a prosperidade das estações solarengas que aí vem.


Vim cheia de coisas boas: sementes, plantio de acelgas e courgetes, abóbora, salsa, aipo, laranjas, limões, alface e chorume de minhoca :)


Troquei pelo meu tofu, seitan, curtume de algas e pesto de coentros.

E para aqueles que lerem hoje este post de Primavera partilho  a receita do pesto de coentros. Para além de fácil e deliciosa, foi um dos sabores do Biotrocas, barrado no pão italiano, vindo da Quinta da Borboleta dos Biscoitos.

Perdoem-me os perfeccionistas mas esta receita é um pouco a olho ... tal como eu gosto ;)


I n g r e d i e n t e s

P r e p a r a ç ã o
- 1 copo de sementes girassol
- 2 dentes de alho
- 1 molhe de coentros ou mangericão
- Azeite
- Sumo Limão
- Sal ou molho de soja
- coloca tudo no copo misturador. Bzzzzzzzz e já está
:)


terça-feira, 14 de julho de 2015

Receita deliciosa para uma abóbora sem destino

Esta manhã acordei com vontade de me demorar na nossa varanda sobre o mundo. A antiga cisterna cá da quinta, projeta-se como um promontório sobre a paisagem de pastos rodeados por muros de pedra, abraçados por vinhas velhas e retorcidas.
Ao fundo, o mar aconchega a ilha, e nós, a família, recolhemo-nos neste cantinho para um pequeno almoço relaxante.
A Truma e o Busa vem, invariavelmente, partilhar o momento. Sabem, naquela sabedoria de bichos, que sem eles este migalho de tempo carece de tempero, tal qual uma boa sopa sem sal. Há aqui um sublime prazer longe da capacidade das palavras, apenas o posso transmitir na doçura do bolo de abóbora que se desfaz na boca, no cheiro do café acabado sair da cafeteira fumegante, na preguiça dos corpos, nas histórias dos livros que debulhamos com os olhos.

Hoje deixo esta receita para aqueles que mesmo não tendo um espaço e um tempo assim, possam, à sua maneira, desfrutar deste momento connosco.
Confesso, também, que a trago aqui porque depois de oferecer um pedaço de bolo à nossa vizinha, ela pediu-me a receita, e para partilhar com ela, aproveito o embalo, e partilho-a com o mundo.

Fica então aqui uma receita deliciosa para uma abóbora sem destino.




I n g r e d i e n t e s


P r e p a r a ç ã o
- 3 3/4 chávenas de farinha de trigo;
-  2 chávenas de açúcar amarelo;
- 1 colher café de bicarbonato de sódio;
- 1 colher de sopa de fermento em pó;
- 1 colher de chá de sal;
- 1 colher de chá de noz moscada ralada na hora;
- 1 colher de chá de canela em pó;
- 1 colher de chá pimenta preta;
- 1/2 colher de chá de cravo em pó;
- 425g de puré de abóbora;
- 1 chávena de óleo vegetal (usei azeite);
- 1/3 chávenas de água;
- 1 colher sopa de sumo limão;
- 1 colher sopa linhaça moída na hora;
- 1 chávena sementes (usei sésamo e girassol, contudo receita original eram nozes).

- Misturar e peneirar os ingredientes sólidos (farinha, açúcar, bicarbonato, fermento, sal e especiarias)
- Misturar ingredientes líquidos (puré abóbora, óleo, sumo limão e a água);
- Junte a mistura de abóbora à de farinha e incorpore;
 - Junte as sementes;
 - Pré-aqueça o forno a 180°. Forre a forma  com papel vegetal anti-aderente;
- Faça o teste do palito para ver quando está cozido. O meu demorou imenso tempo perto 1,3 hora. Se quiser cozedura mais rápida, divida a massa em duas formas;
- Deixe arrefecer antes de partir e se deliciar. :)

- Bom Apetite -

Inspirado nesta receita: http://deliciosoequilibrio.blogspot.pt/2013/12/bolo-vegan-de-abobora-com-peca.html

 

sábado, 26 de abril de 2014

Biotrocas da Liberdade

Hoje não é dia da liberdade, ontem foi. Repensando, talvez hoje também seja, pois tendo havido um 25 de Abril na nossa história, todos os dias passaram a ser dias de liberdade.

As pessoas não se reconhecem nesse direito, supostamente adquirido. Não sabem que tem a liberdade de ser. Sim, podemos culpar o mau estado do país e o governo ditador que nos saiu na rifa, mas parece-me que o mal é mais fundo e já criou raízes firmes.

Aprendemos a dizer- sim senhor - a tudo que a vida nos impõe. E vai-se a ver, chegamos a um ponto, onde não resta nada do original, escondeu-se tudo por baixo de camadas sobrepostas de aprendizagem. Perdemos a noção do que somos e confundimo-nos com o que nos disseram que eramos...e neste estado haverá alguma liberdade possível? Hmmmmm

Bouquet agriões da Biotrocas
Após estas reflexões pseudo-políticas, pouco habituais no meu discurso,  a minha história resume-se basicamente a isto: hoje foi efetivamente dia da liberdade na Gê-questa. Depois de uma longa hibernação, organizou-se o primeiro Bio-trocas de 2014. 

Se há lugar para expressar a nossa liberdade, é ali. Não há dinheiro, troca-se tudo, e também não há valor. Basicamente toda gente quer dar o que tem: os plantios que semearam, os bolos que cozinharam, os frutos que colheram ... acreditem em mim, é absolutamente maravilhoso. Ninguém sai de lá a sentir que foi roubado,  que fez má troca, que fez mau negócio ... o lucro é garantido, porque ali partilha-se e basta.

A Quinta da Vinagreira fez um montão de trocas e veio cheia de tesouros para casa: plantios alface, pepino, tomate, beringela, manjericão, agrião, calêndulas e cebolinho. Ainda carregamos um saco de limões da terra, enorme. Um saco cavalinha  pronta para fazer chá em prol da salvação dos tomateiros e batatas do malvado míldeo. Duas anonas, uma já marchou, e por sinal Luís, apesar do receio de a trocares porque estava lascada, digo-te: era deliciosa.

Os Mufins da Graça sem ovos, marcharam logo lá, no o meu pequeno almoço, deliciosos.
Ah e os nabos mostarda do Victor...fiquei apaixonada. Mal chegamos a casa saltei-os à moda do Zé (é meu cunhado e salteia legumes à sua moda Timorense, que são um mimo) e ficaram deliciosos. Victor quero umas sementes destes nabos.

Para acabar em grande deixo-vos o almoço - o estufado de seitan. Pois o seitan foi uma das minhas moedas de troca na feira e chegada a casa foi a moeda de troca do almoço. Aqui fica para queira experimentar. Já agora acompanhei com nabos mostarda salteados e, se forem como eu, não se arrependerão.                                                                                                                   Estufado de Seitan                                     Ingredientes
  • Seitan
  • 1 ceboula
  • 4 batatas médias
  • 1 talo aipo
  • Salsa a gosto
  • Tomatada
  • Pimenta preta
  • Massa de malagueta
  • Louro
  • Vinho   
  • Sal a gosto                                                   
Preparação
1. Refoga-se a cebola até ficar translucida, coloca-se a folha de louro
2. Adiciona-se o seitan aos bocadinhos e refoga mais um pouco
3. Junta-se as batatas cortadas às rodelas e refoga mais um pouco
4.  Adiciona-se a tomatada, vinho, pimenta, massa de malagueta, o talo de aipo cortado, vinho e água. Deixa-se apurar até a batata cozer. Durante a cozedura vá retificando a água para ficar com molho.
5. No final, junte a salsa picada e retifique o sal e, Voilá....

sábado, 1 de março de 2014

Laranjas para um dia de sol


Hoje dia de sol, dia de meditação, dia de laranjas transformadas em bolo.

Se escolhesse o bolo da minha vida, seria um deste fruto, bem regado com o seu sumo, dando uma consistência húmida à massa e deixando o seu sabor cítrico desfazer-se na boca. 

Neste caso estamos perante uma adaptação vegan, de um bolo para preguiçosos, tal como eu. Coloca-se tudo no liquidificador, aperta-se o botão por duas vezes, massa para a forma e forno com ele. Mais simples? Difícil.
As laranjas vieram das quintas do Pico, onde o ar é outro e as laranjas sabem a casa, a ilha e a montanha.

Na primeira versão segui a receita original, com ovos. Na segunda tentativa, tirei os ovos e adicionei uma chávena de água com uma colher sopa de sementes de linhaça. Quando colocado à consideração familiar a resposta foi a seguinte: “A diferença não merece gastares os ovos preciosos das nossas galinhas”. E pronto, agora a versão é sempre vegan e, claro, adicionando o dito suminho por cima, que também não fazia parte da receita original. O resultado é qualquer coisa entre o pudim e o bolo, por isso, se é daqueles que gosta de um bolo fofinho, este não é para si.



Aqui fica a receita deste bolo solar:

Colocam-se no liquidificador:

2 laranjas com casca, cortadas, tirando apenas os topos;

2 chávenas de açúcar;

1/2 chávena de óleo;

1 colher de sementes de linhaça demolhadas (deixar algum tempo para ganhar goma) numa chávena água;

e bzzzzzzzzzzzzzzzzz liquidifica-se.


Segunda parte

Junta-se ao preparado anterior:

2 chávenas de farinha;

1 colher de sopa de fermento;

E bzzzzzzzzzzzzzz liquidifica-se.


Forma com ele e vai ao forno. O tempo de cozedura não dou, pois cada forno é um forno, mas é coisa para cozer perto de uns 45 minutos. Depois de cozido fura-se com um garfo e rega-se com sumo laranja. Para os mais gulosos, pode-se ferver antes o sumo de laranja com pouco de açúcar.


E agora é só deixar o sol brilhar nas vossas bocas :)

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Chegada do Outono

Já não sei como dei as boas vindas ao Outono!. Quando dou por mim lá estou eu novamente num ritual qualquer de comemoração da sua chegada. É que para quem não sabe, esta é a minha estação favorita e nada como celebrá-la todos os dias.

Este fim-de-semana foram as colheitas das amoras, dos figos e das uvas-da-serra. Foi o convívio caseiro com amigos à volta de uma mesa, reciclando ementas de uma refeição para a outra. Foi ensinar crochê e ver pequenas hábeis mãos a tentar encontrar o caminho entre laçadas. Sim, e sempre animais esparramados pela casa, a espreguiçar e a bocejar. Bem, e já me esquecia, moscas, muitas moscas irritantes ... nem tudo pode ter um sabor bucólico neste canto do mundo : )




Para o jantar (já sozinha nesta imensa quinta) sobrou das refeições colectivas um pedaçinho de pizza (talvez na próxima publicação ela venha até à mesa do blog) e sopa, sopa de beldroegas e legumes da horta. É com ela que vos deixo, uma sopa ainda com algum sabor a Verão, recheada pelos os últimos legumes da horta e pelas beldroegas que crescem, agora, abundantemente por todos os canteiros. Não as contrario, se há coisa que gosto é que as plantas comestíveis adquiram vida própria na minha horta. Então, para quem não tiver ideia do que fazer com as suas beldroegas selvagens, esta sopa foi assim:

Ingredientes:
Para o creme de base:
Courgete
Cebola
Alho francês
Talos de acelga
Batata
Para salpicar.
Beldroegas
Salsa
Tomilho
Temperos:
Azeite
Folha de louro
Sal

Preparação: Refoguei em azeite a cebola, a courgete, o alho francês, os talos acelga, as batatas e uma folha de louro. Acrescentei  água  e deixei cozer. Depois de cozidos os legumes, reduzi-os a um puré, para fazer um creme de base. Levei novamente ao lume e, depois de começar a ferver, juntei as beldroegas, a salsa picada e uns raminhos de tomilho (pequenos e poucos, pois o sabor do mesmo pode tornar-se demasiado intenso) ferveu mais uns 3 minutos e já está pronta a servir.

Espero que gostem e bom Outono.

domingo, 24 de março de 2013

Soube a pouco

Soube a tão pouco o sol de ontem.
Hoje regressamos aos dias cinzentos de chuva. Aqui estou eu, com cães e gatos, uns ao colo, outros estendidos aos pés, embrulhada numa manta a sonhar com os milhafres que poderia ainda ter contado.

Este fim-de-semana realizou-se mais uma campanha para a contagem de milhafres nos Açores e na Madeira. Ontem aproveitamos o bom tempo e por quase 40 Km fomos entretidos na conversa com um amigo, à procura no céu dessa nossa única rapina diurna. Contamos quinze, o que foi o nosso recorde para aquele percurso. Deambulamos pelo vale da Achada, a grande bacia leiteira da ilha. Subimos à Serra do Cume, onde admiramos a paisagem de manta de retalhos, agora salpicada por pequenos charcos e lagoas, nascidos dos dias diluvianos que vivemos, comparados apenas aos do tempo de Noé.


Manta retalhos, paisagem observada do miradouro da Serra do Cume. Foto de Carlos Pereira.

Terceira debaixo d'água. Foto Carlos Pereira

Agora, no quentinho da casa, só apetece algo bom para dar alento a esta alma desconsolada. Um hummus vindo algures do médio oriente, sabia mesmo bem para o jantar. Então acompanhado de um pão das Lajes (melhor da ilha) e uma sopa de lentilhas, era o manjar perfeito para me saciar. O nome desta pasta, natural e terroso, faz crer que foi enviada por algum deus para nutrir as almas humanas.




É com ela que vos deixo hoje...Vou contemplar a chuva.


Ingredientes

·  1/4 copo iogurte (pode subtituir por azeite e um pouco água do grão)
·  1 lata 450gr de  grão-de-bico
·  1 colher sopa tahini (pasta sésamo) (maioria das vezes não ponho)
·  1/2 Copo de sumo limão (pode-se variar consoante o gosto)
·  2-3 dentes de alho
·  1/2 colher chá de sal
·  folhas de hortelã a gosto (pode subtituir por salsa ou coentros)

Para guarnecer

·  Pimenta de Cayena ou paprica

·  Azeite

Misturar todos os ingredientes no copo liquidificador e reduzir a pasta. Salpicar com a pimenta ou paprica e o azeite.

sábado, 29 de dezembro de 2012

O meu sobrinho é vegan ...

“Molha de carne” e “Bacalhau com todos”, é assim que todos os anos a mesa da Ceia de Natal se compõe cá por casa. As tradições misturam-se trazendo um pouco de cada um para o prato. Nesta quadra, a molha é o prato típico da ilha do Pico, e o bacalhau remonta-nos a tradições mais continentais. Misturam-se as terras, os paladares e os genes, e a diversidade faz do nosso pequeno recanto um Universo.
- Cecília, sabes que o Tomás decidiu agora ser vegano. Diz uma das minhas irmãs.



Terríveeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeel... Parece gritar o coração de toda gente.
Há na família uma mistura de apreensão e desconfiança, com esta decisão de um dos meus sobrinhos. Por mim fico feliz. Este ano terei oportunidade de trazer para a mesa de Natal uma das minhas invenções vegetarianas. Poder-me-ei desafiar a criar um prato vegetariano para o Natal. É uma nova combinação, um novo elemento que nunca esteve presente antes e, como tudo, o que é novo causa desconfiança, principalmente quando vem de um rapaz com 13 anos... Não estamos habituados a mudar os hábitos por pessoas desta idade, não é suposto alterarem as tradições.
Pode ser efémera a opção, como a maioria é, nestas idades, contudo traz mais diversidade e inevitavelmente o nosso universo expande-se um pouco mais.
“Goulash”... Foi o que nasceu desta inspiração de tia. Este é um prato tipicamente carnívoro, vindo da Hungria. Já o comi na sua versão original e na sua terra natal. Em alguns aspectos assemelha-se à “Molha de carne”, por isso, esta versão vegetariana que descobri, pareceu-me ser o prato perfeito para a mesa de Natal. O seu segredo está na longa e lenta cozedura, associado ao aroma dos seus ingredintes.






A carne foi substituída pelo seitan, e o resto seguiu basicamente o caminho normal. Uma boa dose de paprica e pimentão, um fogão de lenha e um pote de barro. Resultou num prato fortemente aromático que, embora não sendo o preferido dos não veganos (basicamente toda a família menos o sobrinho convertido), foi aprovado e degustado por todos.
 
Ingredientes:
 

- Azeite (4 Colher de sopa)
- 3 cebolas, finamente picadas
- 4 dentes de alho, finamente picados
- 1 Colher de sopa de paprica doce ou colorau
- 6 tomates, finamente picados (eu utilizei de lata, porque nesta época não se encontra bom tomate maduro)
- 1 pimentão-vermelho, assado no forno
- 500g de seitan (pode usar-se soja em cubos ou hamburguers vegetarianos)
- Sal a gosto
- 2 Colher de sopa de tomatada
- 3-4 tomates secos, picados
- 1 Colher de sopa de açucar mascavado
- 1½ copo de água
- Coentros
- ¼ Colher de sobremesa cominhos
- 1 lata de feijão (usei feijão-vermelho)
- 3 folhas de louro
- 4 Colher de sopa de vinho tinto
- 3 Colher de sopa de vinagre balsâmico

 Preparação:
1.         Num tacho anti-aderente, aquecer o azeite. Adicionar as cebolas e deixar refogar por 2 a 3 minutos.
2.         Adicionar o alho e o seitan e, em lume baixo, cozinhar durante 10 minutos, até o seitan estar bem cozinhado.
3.         Polvilhar a paprica e deixar cozinhar, mexendo o seitan até que a parica fique bem incorporada.
4.         Adicionar todas as ervas, com excepção das folhas de louro. Mexer durante 1 minuto, e juntar a tomatada. Misturar e juntar os tomates e tomates secos. Deixar cozer 10 minutos, mexendo de vez em quando para não apegar.

5.         Adicionar o açucar, mexer outra vez, e juntar metade da água. Deixar cozer por mais 10 minutos, juntar a restante água e o resto dos ingredientes, excepto as folhas louro.  Deixar cozer mais 10 minutos.
6.         Transferir a mistura para um pote de barro ou ferro que possa ir ao forno. Juntar os pimentões assados e colocar por cima as folhas de louro. Cobrir com a tampa e vai ao forno pré-aquecido a 180ºC durante 1 hora.
7.         Servir quente. Bon Appétit!

Receita adaptada de http://mouthwateringvegan.com

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Bialys and Patas

Hoje acordei e olhei pela janela, aliás como faço todos os dias. Em cima da casa da bomba da água, estava instalada parte da família canina: o Papotamo, a Truma e a Patas. Ali estavam, esperando pacientemente o momento em que eu espreitasse pela janela e desse os bons dias.
 
 

A Patas estava altivamente instalada em cima da Truma. Para além do quadro ser digno de registo, só por si, vocês não sabem o inédito do mesmo. Quando a Patas chegou cá a casa, a Truma não ficou nada bem-disposta. Encarou a sua vinda como uma grande ofensa e passou semanas amuada, fugindo para o seu canto. Claro está, a Patas não ligou nenhuma a este protesto e decidiu, ao entrar na Quinta, que a Truma seria a sua grande amiga. Podem ver quem levou a melhor nesta história.

E como é que a Patas instalada em cima da Truma me levou até aos bialys. Na verdade, não levou, mas as duas histórias marcaram o dia, e mereciam ser contadas.

Descobri a receita dos bialys no meu livro Artisan Bread. Aquelas rodelinhas de massa com recheio no meio cativaram-me e andava há um bom par de dias para experimentar. Ontem à noite preparei a massa, que guardei no frigorífico e hoje ao jantar, depois de um dia no quintal, dediquei-me a fazer uma sopa de couves, acompanhada com bialys quentinhos do forno.


Estes pãezinhos recheados são uma receita tradicional judia da Polónia. Actualmente, penso que é nos EUA que estes são mais consumidos. Trata-se de um pão ligeiramente adocicado, com uma ligeira depressão no centro, recheada com cebola refogada e sementes de papoila. Podem-se acrescentar outros recheios, mas este é o mais típico. Segui a tradição e também inovei um pouco, colocando em alguns bialys queijo de São Jorge e um pouco do meu molho de tomate italiano.... Hmmm marcharam quase todos, deixando-me numa depressão pós-jantar digna de registo.



Ingredientes:

Massa
3 Copos água morna
1 ½ Colher sopa de fermento padeiro
1 Colher sopa sal
1 ½ Colher sopa açúcar
6 Copos de farinha

Recheio

1 Cebola
2 Colheres de sobremesa de sementes de papoila
Sal
Pimenta

Preparação:
A massa faz-se seguindo o processo do pão em cinco minutos que já publiquei aqui no blog. Depois da massa pronta, fazem-se pequenas bolas do tamanho de um pêssego e achatam-se ligeiramente, deixando levedar por 30 minutos. Entretanto refoga-se a cebola, até ficar translúcida e tempera-se no fim com sal e pimenta a gosto e juntam-se as sementes de papoila. Passada a meia hora, faz-se uma pequena depressão no centro de cada bolinha e recheia-se com uma colher de sopa da cebolada (pode-se colocar outros recheios a gosto). O forno é aquecido previamente a 230º e leva-se os bialys a cozer durante 12 minutos. Este é o tempo que diz na receita, mas os meus cozeram durante 20 minutos. Não deve secar muito, mas a massa tem de ficar bem cozida. E depois já sabem, é só comer.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Bio-trocas por uma sopa de abóbora com alecrim




Feira da Bio-trocas (Gequesta). Forte de São Mateus no dia 14 de Outubro (Foto: Augusto Santos)

Acordei tarde e tinha duas horas para conseguir preparar o meu cesto para a feira da Bio-trocas, no forte da Gê-Questa. Nesse escasso período de tempo tinha de conseguir etiquetar os meus frascos com vinagreiras, aguarelas, cola branca e papel de jornal. Depois de uma correria de bricolagem, fui apanhar uns molhos de ervas aromáticas e recolher sementes de “nabo de todo ano”, para compor a cesta que me acompanhou até à feira.

Quando entrei no portão do forte de São Mateus, a feira biológica, que nos acompanhou durante vários meses aos fins de semanas, já lá não estava. Fugiu para o outro lado da ilha, para o recém-inaugurado “Mercado Biológico”. Em contrapartida, uma diversidade maior de gentes, conversas e produtos distribuía-se por pequenas bancas, onde se expunham preciosidades, trazidas de quintas, quintais e cozinhas. Encontrei couves, caiotas, batata-doce, abóboras, ervas aromáticas, curtumes, marmeladas, plantios de várias espécies, artesanato, requeijão, etc..... Enfim, um pouco de tudo, não esquecendo que na sua maioria eram produções biológicas de pequenos quintais que se encontram espalhados de forma anónima pela ilha. Estendi a minha manta, coloquei os meus parcos produtos e comecei a trocar. Toda gente se sentia feliz, circulávamos uns pelos outros, trocando palavras e produtos, deixando-nos aquecer pelo sol, pela conversa amena e pela leve sensação de que o destino, que se traçava nesse dia para mais quatro anos nos Açores, também se construía ali, como uma semente pequenina, pronta a querer vingar.


Feira da Bio-trocas (Gequesta). Forte de São Mateus no dia 14 de Outubro (Foto: Augusto Santos)
De volta a casa a cesta vinha cheia, mas agora com abóboras, caiotas, batatas-doces, uma plantinha de consolda e requeijão. Foi inspiração suficiente para o que seria o jantar desse Domingo. Sopa de abóbora e salsa com infusão de natas de soja com alecrim, e para acompanhar pão torrado com azeite, alho e requeijão....hmm


Esta sopa, fácil e rápida, é uma delícia. Boa para surpreender os vossos amigos com um sabor doce e aromático. Claro que esta também é uma boa opção para nos mimarmos, a nós e à família, principalmente agora que as noites já vão arrefecendo e um caldo quente é sempre um bálsamo para a alma.

Ingredientes:
*  ½  Abóbora pequena
* 3 Batatas médias (pode substituir por mais caiota ou courgete)
* 1 Caiota
* 1 Cebola média
* 1 Pacote de natas de soja
* 1 Raminho de alecrim
* 1 Raminho de salsa
* Azeite
* Sal
*Pimenta-preta
Preparação:
Colocar azeite no fundo do tacho e saltear todos os legumes, começando com a cebola que, depois de ficar translúcida, se junta aos restantes legumes. Acrescentar água e deixar cozer. Reduzir a puré. Temperar com sal e pimenta juntando a salsa picada, deixando ferver mais um pouco. Num tacho pequeno, à parte, aquecer as natas com o alecrim. No final coar as natas para a sopa e depois é só servir e degustar.



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